
A Jornada de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento no Amapá encerrou suas atividades nesta sexta-feira no município de Santana (AP). O evento não foi apenas um protocolo institucional, mas uma demonstração de que o eixo de desenvolvimento da Região Norte está se expandindo para além das fronteiras tradicionais.
Com foco em infraestrutura logística e estímulo à inovação, a agenda revelou que o município vizinho a Macapá (AP) está pronto para assumir um protagonismo inédito na economia regional em 2026.
A comitiva liderada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) percorreu pontos estratégicos que conectam o passado portuário ao futuro tecnológico. O movimento sinaliza que a integração entre os estados da Amazônia Ocidental e o Amapá (AP) deixou de ser uma promessa de gabinete para se tornar uma realidade operacional e lucrativa.
Expansão portuária
A visita à Companhia das Docas de Santana (CDSA) apresentou números que impressionam até os analistas mais céticos. O porto registra um crescimento contínuo e acelerado. A movimentação anual, que antes orbitava a casa dos R$ 13 milhões, saltou para R$ 43 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 60 milhões até o final de 2026.
Esse avanço é sustentado por concessões estratégicas e pelo fortalecimento de corredores comerciais, como o transporte de farelo de soja vindo de Miritituba (PA).
Inovação descentralizada
Um dos pontos mais críticos e celebrados da jornada foi a descentralização dos recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Historicamente concentrados em Manaus (AM), esses investimentos agora irrigam o ecossistema amapaense.
Graças à política da Lei de Informática da Zona Franca de Manaus (ZFM), cerca de R$ 15 bilhões foram viabilizados para projetos no estado, com Santana (AP) liderando a captação através de startups locais.
Bioeconomia real
O encerramento no Engenho Café de Açaí serviu como prova de que a bioeconomia sustentável é viável e escalável. O que começou em 2011 como uma solução para o descarte irregular de caroços de açaí transformou-se em um negócio de alcance internacional.
A produção saltou de 600 quilos para 2,5 toneladas atuais, com certificações orgânicas que abrem portas nos Estados Unidos e na China.
- O projeto transforma resíduos ambientais em produtos de alto valor agregado para alimentação humana.
- A empresa recebeu aporte de R$ 500 mil via Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio).
- A nova linha de energéticos em lata demonstra a maturidade do setor de bebidas na Amazônia.
Hub tecnológico
A implantação do Hub de Inovação de Santana consolida o município como um ambiente fértil para tecnologia. O espaço promove a aproximação entre o poder público, a iniciativa privada e o meio acadêmico.
Ao estruturar aceleradoras e incubadoras, Santana (AP) deixa de ser apenas um ponto de passagem de carga para se tornar um gerador de soluções tecnológicas voltadas à bioeconomia e segurança pública.
Futuro estratégico
A integração regional proposta nesta jornada evidencia que o desenvolvimento sustentável do Amapá (AP) depende da articulação entre logística eficiente e inteligência aplicada. Com mais de 3.600 empresas cadastradas na Suframa no estado, o potencial de crescimento ainda é vasto.
A meta agora é garantir que esses investimentos bilionários continuem a gerar emprego e renda na base da pirâmide social, transformando o conhecimento da floresta em riqueza para quem vive nela.










