
O orgulho do povo amazonense ganhou o carimbo oficial que o mundo inteiro agora precisa reconhecer. Em uma cerimônia emocionante realizada na terça-feira, 3/11, no próprio monumento que se aproxima dos seus 130 anos de história, Manaus recebeu o certificado que oficializa o Teatro Amazonas como Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A entrega foi realizada pela representante da organização no Brasil, Marlova Noleto. Com essa conquista, o ícone da capital passa a integrar a lista de bens de valor universal excepcional ao lado do Theatro da Paz, em Belém, no Pará, sob a chancela conjunta da denominação “Teatros da Amazônia”, que contempla também os espaços públicos associados, como o Largo de São Sebastião e a Praça da República.
Orgulho e dimensão social
Para além da beleza arquitetônica, a entrega do certificado reforça a importância de manter a arte e a memória vivas e acessíveis a toda a população. Durante o evento, o prefeito de Manaus, Renato Junior, relembrou a própria infância, quando conheceu o local em uma excursão escolar, ressaltando a relação afetiva da cidade com o monumento e o seu papel inclusivo.
“O teatro não é apenas um espaço físico. É um lugar de oportunidades, onde histórias são contadas e sonhos são construídos. O teatro não vê separações. Pelo contrário, ele une pessoas de diferentes classes e continua sendo o espaço mais democrático de acesso à cultura”, declarou o prefeito Renato Junior.
Bastidores do trabalho técnico
Por trás dessa conquista histórica existe um esforço conjunto que exigiu anos de planejamento urbano e rigor técnico. O processo envolveu a atuação direta da Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A Gerência de Patrimônio Histórico (GPH) do Implurb fez levantamentos presenciais de campo e mapeamentos digitais no sistema ArqGIS para delimitar a zona de amortecimento, identificando imóveis de primeiro e segundo graus de preservação, além de sistematizar dados sobre residências, comércio, logística e serviços no centro.
A gerente de Patrimônio Histórico do Implurb, a arquiteta e urbanista Landa Bernardo, explicou a importância dessa base de dados na montagem do dossiê.
“O Implurb teve um papel fundamental na montagem do dossiê dos Teatros da Amazônia para a obtenção da chancela da Unesco. Uma das nossas principais atividades foi o levantamento de campo e a organização dos dados que já tínhamos na base do ArqGIS, para que pudéssemos trabalhar, junto com o Iphan e as demais equipes técnicas, na delimitação da zona de amortecimento. Fizemos o levantamento dos imóveis de primeiro e segundo graus de preservação, além de informações sobre comércio, logística e residências. Foi um trabalho que integrou pesquisa em campo e sistematização digital, e todo esse material passou a compor o dossiê da candidatura”, destacou Landa Bernardo.
O impacto positivo do reconhecimento internacional no turismo e no desenvolvimento econômico foi ressaltado pelo diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto.
“O Teatro Amazonas receber esse reconhecimento é importantíssimo para o nosso turismo, para a nossa cultura, para a valorização do nosso patrimônio histórico e para a valorização do Centro de Manaus. Desta maneira, nós colocamos no radar mundial o Teatro Amazonas que nós conhecemos, valorizamos e entendemos o quanto é importante para Manaus e para o Amazonas. Agora, o mundo inteiro vai ter a oportunidade de conhecer mais os Teatros da Amazônia”, pontuou Antonio Peixoto.
Caminho longo até Busan
A chancela concedida pela Unesco foi fruto de uma trajetória iniciada ainda em 2010, quando a organização fez uma visita técnica a Manaus. Em 2015, os dois teatros amazônicos entraram na Lista Indicativa do Brasil.
Entre 2023 e 2024, foram promovidas oficinas técnicas para aprofundar os estudos, até a entrega formal do dossiê em janeiro de 2025.
No mesmo ano, especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) realizaram vistorias de campo.
A aprovação oficial ocorreu em 27 de julho de 2026, durante a 48ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul, tornando os dois monumentos os primeiros bens culturais da Região Norte a alcançar essa distinção global.
Desafios para o futuro
O título traz prestígio mundial, mas joga luz sobre os desafios diários de conservação do patrimônio e da revitalização do centro histórico. A integração entre as ações de preservação e as intervenções do programa municipal “Nosso Centro” demonstra como o planejamento urbano pode devolver vida ao espaço público.
Para manter a proteção do bem e da sua paisagem urbana, as ações técnicas do município concentram foco nas seguintes frentes de trabalho.
- Monitoramento contínuo das condições de conservação dos prédios históricos.
- Orientação técnica para proprietários de imóveis na área de entorno.
- Análise de intervenções e vistorias em unidades protegidas.
- Articulação entre o programa “Nosso Centro” e o turismo sustentável.
- Fiscalização compartilhada entre os órgãos responsáveis pela proteção do bem.
O vice-presidente do Implurb, o arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, ressaltou que a entrega do certificado abre uma nova etapa de obrigações para a cidade.
“Essa contribuição envolveu a delimitação da zona de amortecimento, a identificação dos imóveis existentes na área, especialmente os abandonados, além do levantamento da documentação e da legislação pertinente. E é importante destacar que esse trabalho não se encerra com a candidatura. Temos uma nova etapa pela frente, que envolve a gestão e a fiscalização compartilhadas com os órgãos responsáveis pela proteção desse patrimônio”, afirmou Pedro Paulo Cordeiro.
Fonte: ASCOM | Cláudia do Valle/Implurb










