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Tarcísio e Haddad travam primeiro duelo na TV e antecipam disputa de 2026

Primeiro debate em SP escala para temas nacionais e discute governos Lula e Bolsonaro - Foto: Renato Pizzutto/Band

O primeiro confronto direto entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), na TV Band, escancarou como o maior colégio eleitoral do país virou o palco central da disputa nacional de 2026.

A reedição do duelo estadual de 2022 trouxe ao centro da cena a polarização liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além do alinhamento com o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Embate na segurança pública

O tema da segurança pública abriu o confronto com a discussão sobre a cracolândia no centro da capital paulista. Tarcísio de Freitas lembrou das operações no local e perguntou ao adversário por que o programa “De Braços Abertos”, da época em que Haddad era prefeito, não teve o mesmo sucesso.

“O prefeito cuida de pessoas doentes; o programa não tinha capacidade de enfrentar o tráfico de drogas, que é assunto da polícia”, respondeu Haddad.

“Você tem dificuldade de compartilhar o mérito. O Ministério Público foi essencial para a operação no centro. O promotor Lincoln Gakiya o procurou para apresentar o programa sobre o centro. Sem o Ministério Público, que é desrespeitado por falta de menção, nada disso teria acontecido”, completou o ex-ministro.

Em resposta, Tarcísio disse que o atual governo encerrou as atividades na cracolândia após mais de 30 anos, em uma atuação conjunta com a prefeitura paulistana, o Ministério Público e o setor de inteligência da Polícia Militar (PM).

Troca de acusações diretas

A discussão sobre a região central voltou ao debate acompanhada da operação na favela do Moinho, indicada como um dos principais pontos de abastecimento de drogas no centro da capital.

“Temos uma cena ruim, que é de membros do governo federal, inclusive Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho após a operação”, disse Tarcísio.

“Que deselegância. Você acha que eu conheço o tráfico de drogas como você conhece? Se você sabia que ela era traficante, por que não foi lá prendê-la? Eu não sabia; senão, teria dado voz de prisão. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando”, reagiu Haddad.

Relação com padrinhos políticos

A cobrança sobre a gestão anterior tomou conta da discussão, com o petista citando negociações do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e cobrando uma dívida de R$ 45 bilhões no Supremo Tribunal Federal (STF).

“A primeira audiência que você teve comigo foi para cobrar o calote que o governo do qual você fez parte deu no estado de São Paulo. Em 30 de março de 2023, nós assinamos o acordo para reparar o mal que o governo Bolsonaro fez aos governadores”, disse Haddad ao governador paulista.

“Você está muito focado no Bolsonaro, esquece o Bolsonaro. Você não está mais concorrendo com ele, isso foi em 2018, já passou”, respondeu Tarcísio ao pedir foco nos temas do estado.

“Você tem vergonha do Bolsonaro?”, questionou Haddad ao interromper a fala do governador.

“Não. Foi a pessoa que me abriu as portas. Gratidão não se prescreve. Foi alguém que me estendeu a mão. Uma pessoa que pegou um técnico e fez dele um ministro. Em vez de dividir ou fatiar o governo e a Esplanada para vários partidos, ele resolveu colocar pessoas da área. Não tenho vergonha, tenho gratidão”, declarou Tarcísio.

Ações contra o crime

O combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e os desdobramentos na Polícia Militar foram alvos de novas críticas do petista.

“Você pegou uma corporação respeitada pela população e hoje ela está envergonhada das decisões que o seu secretário de Segurança Pública tomou”, afirmou Haddad direcionando o ataque ao ex-secretário Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado.

Tarcísio defendeu a gestão apontando a redução nos índices de homicídios, latrocínios e roubos desde 2001, além de citar a operação “Fim da Linha”, conduzida pelo Ministério Público, que investigou a presença da facção no transporte público.

O governador destacou que a ação alcançou o vereador petista Senival Moura e lembrou a realização de mais de 500 operações conjuntas com a Polícia Federal e o Ministério Público.

A autoria das investigações de combate ao crime organizado também gerou divergências entre os candidatos.

  • Operação “Carbono Oculto”: “Segundo especialistas, a maior operação contra o crime organizado da história teve como um dos protagonistas a Receita Federal, ligada ao Ministério da Fazenda”, argumentou Haddad. Tarcísio rebateu afirmando que as apurações começaram na Polícia Civil paulista junto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), citando ainda a operação “Poço de Lobato”.
  • Sistema financeiro: “Ele entregou o maior escândalo de corrupção da história do Banco Central, que é o caso Master, liquidado pelo atual presidente do BC. Ele entregou um conjunto de fintechs, que foi usado pelo crime organizado”, disparou Haddad ao criticar o ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

Economia e concessões estaduais

Na pauta econômica, Tarcísio apontou que o aumento dos gastos públicos e um arcabouço fiscal frágil aumentam os riscos de recessão no país, comparando o cenário ao governo Dilma Rousseff. Já no campo internacional, o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou novo atrito entre os debatedores.

“Infelizmente, um grupo político resolveu apoiar o agressor, o que é inadmissível, seja em uma guerra militar, seja em uma guerra comercial. Isso não aconteceu em nenhum lugar do mundo. O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo na cabeça”, provocou Haddad ao criticar Tarcísio por ter usado o boné do movimento “Maga”.

Em resposta às taxas americanas, Tarcísio explicou que o estado de São Paulo liberou parcelamento de créditos acumulados de ICMS e criou linhas de financiamento para socorrer exportadores.

A política de privatizações encerrou o debate na Band.

  • Visão de Fernando Haddad: “Tudo está sendo vendido. O serviço funerário foi privatizado, os parques estão sendo privatizados, distorcendo a finalidade desses locais, os trilhos estão sendo todos vendidos e a Sabesp foi vendida 20% abaixo do valor para um único concorrente da licitação”, citou o ex-ministro.
  • Visão de Tarcísio de Freitas: O governador defendeu a entrada de investimentos privados para atingir as metas do “Marco Legal do Saneamento”, citando a ampliação do tratamento de esgoto em Guarulhos de 2% em 2019 para previsão de 78% ao fim do ano, além do aporte de R$ 14 bilhões no sistema de trens estaduais.

 Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/sao-paulo-2026/debate-eleicoes-tarcisio-haddad-seguranca-publica-sao-paulo/

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