
A geopolítica asiática volta a presenciar movimentações diplomáticas que testam o equilíbrio global. O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) informou nesta terça-feira, dia 1º de setembro, que detectou indícios de conversas entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. A aproximação ocorre no rastro das intenções do presidente americano Donald Trump de retomar a agenda internacional com o líder norte-coreano Kim Jong-un.
O cenário foi apresentado a parlamentares durante uma reunião reservada da comissão de inteligência da Assembleia Nacional sul-coreana. Os relatórios indicam que não existe confirmação de contatos formais entre Washington e Pyongyang, mas os sinais apontam para um diálogo em andamento nos bastidores.
A agência sul-coreana Yonhap reproduziu o alerta do serviço de inteligência afirmando que não foram confirmados fatos concretos de diálogo, mas há sinais de que conversas estão ocorrendo.
Avaliação do cenário
O tabuleiro diplomático pode registrar desdobramentos rápidos. Segundo os parlamentares Youn Kun-yeong, do Partido Democrata, e Yoo Yeong-ha, do Partido do Poder Popular, o NIS avalia que uma nova cúpula entre Donald Trump e Kim Jong-un pode ocorrer a qualquer momento.
Donald Trump reafirmou recentemente o desejo de encontrar o líder asiático ainda neste ano. O histórico recente registra três reuniões entre os dois chefes de Estado no período de 2018 a 2019, durante o primeiro mandato do político republicano, quando tentaram avançar sobre o desmantelamento do programa nuclear.
Silêncio e mísseis
A resposta de Pyongyang oscila entre o silêncio institucional e a exibição de força militar. O regime norte-coreano não respondeu diretamente às novas propostas de aproximação feitas pelo presidente americano. Pelo contrário, a cúpula do país voltou a acusar Washington de manter uma política hostil e realizou novos testes de mísseis nos últimos dias.
A emissora pública japonesa NHK destacou que a inteligência sul-coreana considera os indícios atuais suficientes para manter a porta aberta para a retomada das negociações, mesmo sem o selo de contatos oficiais entre as duas nações.
Proposta de paz
O contexto regional esbarra também nos esforços frustrados de Seul. O NIS admitiu que não estabeleceu diálogo direto com a Coreia do Norte após a proposta do presidente sul-coreano Lee Jae Myung.
O líder de Seul sugeriu iniciar conversas para substituir o armistício da Guerra da Coreia por um acordo de paz definitivo. O conflito armado foi paralisado em 1953 com um armistício provisório em vez de um tratado de paz, mantendo as Coreias tecnicamente em estado de guerra até os dias atuais.
Dinastia e espionagem
A espionagem sul-coreana também monitora as engrenagens internas do regime comunista e forneceu atualizações sobre a sucessão no poder e os projetos bélicos do país vizinho.
- A jovem Kim Ju-ae, filha de Kim Jong-un, surge como provável sucessora na liderança do país.
- A exposição cada vez mais frequente da garota na mídia estatal serve para prepará-la perante a população.
- O NIS obteve documentos restritos do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte.
- Os agentes sul-coreanos analisam projetos secretos relacionados ao desenvolvimento de novos mísseis.










