
As discussões sobre o clima ganharam espaço institucional na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) com a realização do 8º Seminário Internacional de Meteorologia e Climatologia da Amazônia (8º Simca). Nesta quinta-feira, 2 de julho, a prefeitura, por meio da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (SEPDEC), levou técnicos e gestores para debater políticas de mitigação.
A participação ocorre em um momento em que a população da capital sofre os efeitos diretos de eventos extremos, exigindo que as teses acadêmicas se transformem em socorro imediato nas periferias e comunidades ribeirinhas.
O evento serve de vitrine para os planos municipais de monitoramento, mas acende o debate sobre a velocidade de resposta do poder público ante os alertas meteorológicos. A integração entre cientistas e órgãos de socorro é um avanço inegável, porém, o morador das áreas de risco de alagamento necessita que a tecnologia resulte em obras de engenharia e reassentamentos céleres, superando o plano das intenções discursivas.
Gestão de riscos
A autarquia municipal participou ativamente da mesa-redonda voltada para as Mudanças Climáticas e Políticas de Mitigação e Adaptação. O comando da secretaria executiva utilizou o espaço para apresentar o atual modelo de monitoramento de desastres adotado em Manaus.
A atuação do órgão, que opera vinculado à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (SEMSEG), foca no treinamento de equipes para atuar em quatro frentes principais de salvaguarda da população.
- Prevenção precoce: Mapeamento de encostas com risco de desabamento e monitoramento do nível das águas dos igarapés.
- Acompanhamento técnico: Uso de dados meteorológicos para prever tempestades e ondas de calor na área urbana.
- Preparação comunitária: Organização de rotas de fuga e treinamento de moradores em áreas historicamente afetadas.
- Resposta operacional: Estruturação de abrigos temporários e distribuição de insumos básicos após desastres naturais.

Qualificação profissional
O intercâmbio de conhecimento reuniu pesquisadores, engenheiros civis, especialistas ambientais e estudantes da área de meteorologia da Defesa Civil. A presença do corpo técnico visa aproximar os estudos de ponta desenvolvidos na universidade das decisões administrativas tomadas nos gabinetes oficiais.
A coordenação defende que a reciclagem dos servidores é a melhor ferramenta para blindar a cidade contra as incertezas climáticas globais.
“Eventos como este são fundamentais para aprimorar o conhecimento técnico e fortalecer as políticas de proteção e defesa civil”, afirmou o coronel Lima Júnior, secretário-executivo do órgão municipal.
Desafio das metas
O grande dilema das políticas públicas de proteção na Amazônia reside em converter relatórios científicos em ações preventivas antes do início do período de chuvas ou das secas severas. A burocracia estatal muitas vezes impede que verbas emergenciais cheguem aos bairros necessitados com a agilidade que os modelos meteorológicos demandam.
O papel da Defesa Civil deve ir além de catalogar os estragos pós-tempestades. O equilíbrio exige que os alertas emitidos pelos meteorologistas durante o seminário na UFAM sirvam de base para o orçamento do município, aplicando recursos pesados em macrodrenagem e infraestrutura de contenção nas zonas periféricas, garantindo que o conhecimento científico proteja a vida de forma prática.
Fonte: ASCOM | Fábia Lima / Sepdec










