
A possibilidade de o vereador Sargento Salazar (PL) aceitar a vaga de vice na chapa de Maria do Carmo (PL) começou a provocar tensão real nos bastidores da política amazonense.
O que parecia improbável há poucos meses agora já é tratado dentro do PL como movimento concreto, capaz de alterar profundamente o equilíbrio da eleição de 2026.
A avaliação entre aliados é explosiva. Se Salazar embarcar de vez na chapa majoritária, Maria do Carmo deixa automaticamente de ser apenas uma candidatura competitiva para se transformar numa ameaça de altíssima potência eleitoral em Manaus.
O vereador virou fenômeno popular, arrasta multidões nas agendas do interior e possui um capital de identificação popular que nenhum outro nome da direita amazonense conseguiu alcançar até agora.
Omar e David de orelha em pé

A simples hipótese da composição envolvendo Maria do Carmo e Salazar já produz desconforto em grupos ligados ao senador Omar Aziz (PSD) e ao ex-prefeito David Almeida (Avante).
O temor é matemático. Maria do Carmo ganharia densidade popular imediata justamente em Manaus, onde Salazar possui sua maior força eleitoral e capacidade de mobilização.
Efeitos em toda a disputa
A movimentação nas hostes liberais também reorganiza toda a disputa profissional proporcional. Deputados federais respiram aliviados com a possibilidade de Salazar sair da corrida à Câmara dos Deputados, enquanto aliados do Capitão Alberto Neto enxergam abertura para fortalecimento da disputa ao Senado.
Dentro do PL, quem estaria em alerta máximo seria Alfredo Nascimento, que contava muito com o “efeito Salazar” para impulsionar sua própria volta à Câmara. O tabuleiro virou, ameaçando Alfredo.
MP aperta o cerco contra o CV

A “Operação Erga Omnes” começa a atingir o coração do que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) chama de “núcleo político e financeiro” do Comando Vermelho (CV) no Amazonas.
A denúncia apresentada pelo MPAM contra 16 investigados expõe uma engrenagem que mistura empresários, operadores financeiros, advogados e até um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) suspeito de vender informações sigilosas à facção criminosa.
Infiltração nas estruturas
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o crime organizado deixou de atuar apenas nas periferias e passou a infiltrar estruturas institucionais e empresariais para proteger patrimônio, lavar dinheiro e blindar operações do tráfico.
A investigação do órgão detalha os seguintes pontos:
- Movimentações milionárias: transações financeiras superiores a R$ 70 milhões
- Apreensões de impacto: recolhimento de armas de guerra, drogas e dinheiro vivo
- Bens retidos rastreamento: de veículos de luxo de alta cilindrada
O cenário apresenta um retrato explosivo da profissionalização financeira do crime no Amazonas.
Estado paralelo do crime
A denúncia do MPAM revela uma estrutura que, conforme os investigadores, operava quase como um “estado paralelo”, com divisão de funções, proteção institucional e estratégia para dificultar ações policiais.
Apontado como líder do esquema, Allan Kleber Bezerra Lima teria comandado uma rede interestadual de tráfico utilizando empresas e familiares para ocultação patrimonial.
O caso ganha ainda mais gravidade porque nove investigados seguem foragidos, enquanto o Ministério Público sinaliza que novas denúncias podem surgir a qualquer momento.
Anabela segue no radar da Erga Omnes

A soltura de Anabela Cardoso Freitas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) não encerra sua crise judicial nem reduz a temperatura política do caso. A ex-assessora ligada ao grupo do ex-prefeito David Almeida saiu da prisão preventiva, mas segue oficialmente investigada por organização criminosa e lavagem de dinheiro dentro da “Operação Erga Omnes”.
O ministro Ribeiro Dantas retirou o peso das acusações relacionadas ao tráfico de drogas, mas manteve intacto o entendimento de que ainda existem elementos suficientes para continuidade da investigação.
Anabela trocou a cela por tornozeleira eletrônica e um pacote de medidas cautelares, permanecendo sob vigilância da Justiça enquanto o Ministério Público decide se apresentará denúncia formal.
Liberdade amplia desgaste político
A decisão do STJ produziu um efeito duplo. De um lado, aliados comemoram o fato de Anabela não ter sido denunciada nesta primeira fase da investigação.
De outro, adversários exploram o detalhe mais sensível do processo. Ela continua formalmente sob suspeita justamente nos crimes mais associados ao funcionamento financeiro da organização investigada.
A própria decisão do STJ deixa claro que o caso ainda está longe do fim.










