
Uma estudante de Manaus alcançou um feito histórico para a ciência jovem do Amazonas em uma das maiores vitrines científicas do mundo. Ada Jamile Gomes de Oliveira, aluna do Colégio Militar de Manaus (CMM), conquistou o quarto lugar mundial na categoria Translational Medical Science (TMED) durante a cerimônia de premiação da Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026. O evento global foi realizado entre os dias 9 e 15 de maio em Phoenix, no Arizona, nos Estados Unidos.
Pelo excelente desempenho, a jovem amazonense recebeu um prêmio de US$ 600 com o projeto “MeMO” (Fase II). A pesquisa inovadora investigou o uso de ondas binaurais como uma alternativa terapêutica totalmente não invasiva para o Alzheimer, atuando a partir da modulação da expressão de genes associados à doença.
Ciência amazonense
O trabalho de pesquisa utilizou ondas binaurais geradas a partir de frequências específicas de 100 Hz e 112 Hz, que são capazes de produzir uma batida de 12 Hz. Essa frequência está diretamente associada a padrões cerebrais relacionados aos estados de atenção e relaxamento.
A pesquisa utilizou um modelo in vitro com células humanas para avaliar os efeitos reais dos estímulos sonoros. Os testes laboratoriais identificaram uma redução importante na expressão de genes ligados à neurodegeneração, apresentando um destaque especial para o gene MAPT, que é amplamente associado à progressão do Alzheimer.
Como funciona
Os testes de citotoxicidade indicaram uma baixa interferência no metabolismo celular, o que reforça o potencial da abordagem como uma estratégia complementar e segura no tratamento da doença. O desenvolvimento do projeto envolveu análises detalhadas de evidências em eletroencefalogramas, experimentos laboratoriais e modelagens computacionais avançadas.
Na Fase II, o estudo foi aprofundado com a otimização de protocolos e com a ampliação da análise para múltiplos marcadores moleculares. Como desdobramento prático de seu estudo, a estudante desenvolveu a plataforma digital “MeMO”, que disponibiliza áudios com frequências validadas e possui potencial de aplicação também em concentração e bem-estar.
Resultados gerais
A delegação brasileira na feira internacional foi composta por 26 estudantes de ensino médio e técnico de diferentes regiões do país. Desse total, 14 participantes, incluindo a autora do projeto “MeMO”, foram selecionados pela “Feira Brasileira de Ciências e Engenharia” (FEBRACE), realizada em março na Universidade de São Paulo (USP). Os demais foram selecionados pela mostra MOSTRATEC, de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Na edição de 2026, mais de 1.600 estudantes de cerca de 60 países participaram da competição, disputando aproximadamente US$ 9 milhões em prêmios, bolsas de estudo e estágios. As oportunidades foram distribuídas entre os chamados “Grand Awards”, em 22 categorias científicas, e os “Special Awards”, concedidos por instituições parceiras.
No total, a delegação brasileira conquistou oito prêmios, todos obtidos por estudantes selecionados pela FEBRACE, com reconhecimentos de destaque nas duas cerimônias de premiação.
“Os resultados mostram a qualidade dos projetos brasileiros e a capacidade desses estudantes de competir em um ambiente altamente exigente”, afirma Roseli de Deus Lopes.
Histórico essencial
A FEBRACE é promovida pela Escola Politécnica da USP e realizada pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC). A iniciativa desponta como a principal feira pré-universitária de Ciências e Engenharia do país em abrangência e visibilidade, com o objetivo de estimular a cultura científica, a inovação e o empreendedorismo entre estudantes da educação básica e técnica, além de incentivar práticas pedagógicas inovadoras nas escolas.
Mais do que uma mostra anual de projetos, a iniciativa integra um amplo programa de promoção da educação em STEM no Brasil, que inclui cursos online gratuitos, formação de professores, iniciativas em educação STEAM e ações contínuas de estímulo à pesquisa no ambiente escolar.
Desde sua criação, a feira nacional já reuniu números expressivos:
- Participação estudantil: o programa já contou com mais de 16.700 estudantes integrados.
- Projetos finalistas: a iniciativa alcançou a marca de cerca de 7.200 projetos apresentados.
- Premiações concedidas: o histórico registra aproximadamente 4.500 reconhecimentos distribuídos.
Esse processo culmina na participação brasileira na feira internacional, quando os projetos selecionados são submetidos a critérios internacionais de avaliação, inserindo definitivamente os estudantes em um ambiente de avaliação científica em escala global.
ASCOM: Elena Saggio e Angela Trabbold | FEBRACE










