
A próxima quinta-feira promete temperatura alta nos bastidores da política amazonense. As pesquisas da AtlasIntel (via internet) e do Instituto Census (por telefone) devem mexer profundamente no tabuleiro sucessório de 2026 e serão acompanhadas com lupa por partidos, empresários e estrategistas eleitorais.
No radar dos levantamentos, os nomes de Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo Seffair (PL), David Almeida (Avante) e agora também Roberto Cidade (União Brasil), recém-chegado à cadeira de governador tampão e já alimentando discretamente o projeto da reeleição.
Liberais de olho vivo

Nos corredores do Partido Liberal (PL) amazonense, a expectativa em torno dos números de Roberto Cidade é quase obsessiva.
A leitura interna é que, caso a possível aliança nacional entre PL e União Brasil (UB) avance em favor do projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, a fotografia eleitoral de Cidade no Amazonas ganhará peso estratégico.
Há quem diga que o atual governador sonha em atrair um vice liberal para turbinar musculatura política em 2026, mas, antes, precisará convencer os desconfiados.
Fantasma de 2024 perturba

A cautela liberal não nasceu do acaso. Lideranças do partido ainda lembram, com certo desconforto, o desempenho de Roberto Cidade na disputa municipal de 2024, quando terminou apenas em quarto lugar.
O episódio envolvendo denúncias de corrupção eleitoral em Parintins, atingindo nomes influentes do primeiro escalão do então governo Wilson Lima, é apontado até hoje como o grande ponto de desgaste da campanha.
Por isso, os números da quinta-feira serão tratados quase como exame de laboratório político.
Pesquisa e sobrevivência
Em Brasília e Manaus, dirigentes partidários sabem que, mais do que medir intenções de voto, as pesquisas desta semana da AtlasIntel e do Census vão aferir viabilidade, rejeição e capacidade de sobrevivência eleitoral.
No Amazonas, onde alianças mudam com velocidade amazônica, um bom percentual pode abrir portas. Um tropeço, porém, costuma fechar gabinetes, silenciar padrinhos e evaporar apoios com impressionante rapidez.
Quinto da OAB-AM em ebulição

Depois de adiamentos, recursos e uma prolongada novela judicial, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM) finalmente realizará na próxima quinta-feira a consulta que definirá a lista sêxtupla do Quinto Constitucional para vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Os seis escolhidos seguirão para o crivo do TJAM, que reduzirá a disputa a três nomes antes da decisão final do governador Roberto Cidade.
O clima já é de campanha silenciosa, telefonemas discretos e intensa circulação de apoios.
TJAM em compasso de eleição

A movimentação será tamanha que o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, desembargador Jomar Fernandes, decidiu suspender audiências no dia da votação.
A medida foi interpretada nos corredores do Judiciário como sinal inequívoco do tamanho da disputa. Afinal, no Amazonas, vaga de desembargador costuma provocar mais articulação política do que muito cargo eletivo.
Delegacias viraram hospedarias?

Segundo o deputado estadual Dan Câmara (Republicanos), no interior do Amazonas o sistema de segurança parece ter desistido até de fingir normalidade. Em Maraã, a Justiça precisou lembrar ao Estado que delegacia não foi feita para funcionar como presídio permanente.
Já em Eirunepé, nove detentos resolveram transformar lençóis em política pública penitenciária e fugiram usando a tradicional “teresa”, artigo que continua mais eficiente que muitos investimentos oficiais em segurança.
Crime se organiza, o Estado improvisa

Conforme Dan, enquanto facções se interiorizam com disciplina empresarial, o poder público segue administrando delegacias superlotadas, policiais transformados em carcereiros improvisados e cadeias montadas no improviso.
O resultado aparece nas fugas, nas decisões judiciais e no constrangimento permanente de um sistema que parece funcionar à base de remendo, ferrugem e boa vontade.
No Amazonas, o crime já opera em rede. O Estado, infelizmente, ainda trabalha no modo gambiarra.










