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Projeto criado por Martha Falcão há quatro décadas incentiva meninas a seguir carreira científica

Fotos: Divulgação/ ASCOM

A formação científica na infância e na juventude tem sido o motor de transformações sociais e profissionais na Amazônia. Idealizado pela professora, pesquisadora e ecologista Martha Falcão, o Clube do Futuro Cientista celebra quatro décadas de atuação no Colégio Martha Falcão.

A iniciativa se consolida como um espaço de incentivo à pesquisa prática, cidadania e consciência ambiental. O projeto atende desde os anos iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio dos alunos matriculados na instituição.

A programação combina visitas técnicas, palestras e ações comunitárias marcantes, como o cultivo e a distribuição de mudas na periferia de Manaus.

Metodologia e autonomia

A metodologia adotada pelo clube vai além da teoria tradicional ministrada nas salas de aula. Sob uma perspectiva pioneira, a iniciativa estimula a autonomia dos participantes por meio do rigor acadêmico e da vivência direta com os ecossistemas regionais.

Esse ambiente de aprendizado tem gerado frutos consistentes ao longo dos anos. O projeto direciona ex-alunas para carreiras de destaque em áreas estratégicas do mercado de trabalho e da pesquisa científica internacional.

Trajetórias femininas inspiradoras

Um dos exemplos marcantes desse impacto é a trajetória de Ana Cecília Nina Lobato, de 33 anos. Doutora em Agronomia Tropical, ela atua como gerente de Produção Vegetal no Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas, o IDAM.

A engenheira agrônoma teve seu primeiro contato com o método científico ainda na educação básica. Ao visitar o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o INPA, ela despertou o interesse pelo estudo de plantas medicinais.

Essa base teórica e prática culminou, anos mais tarde, no desenvolvimento de um bioplástico produzido a partir da fécula de cará. Ana Cecília destaca que a agronomia ainda é uma área bastante masculina, trazendo desafios diários, mas ressalta que a formação escolar foi fundamental para definir sua postura profissional.

Outra história de sucesso é a de Natália Barros, de 20 anos, ex-aluna da turma de 2022. Atualmente graduanda em Engenharia de Controle e Automação na Universidade do Estado do Amazonas, a UEA, a jovem definiu sua escolha profissional ao construir um robô em apenas uma semana durante uma atividade escolar.

A projeção dos trabalhos desenvolvidos também alcança a esfera internacional através de Naomi Nakamura, de 17 anos. Aluna do 3º ano do Ensino Médio, ela integra o clube Girl Up, apoiado pela Organização das Nações Unidas, a ONU.

A estudante colabora em pesquisas em parceria com a Universidade de Toronto e a Universidade de Nova York. Naomi desenvolveu um biofilme biodegradável voltado à proteção dos recursos hídricos amazônicos, unindo tecnologia e sustentabilidade.

Gestão e liderança

Segundo o biólogo e professor do Colégio Martha Falcão, Carlos Henrique Abreu, a dinâmica interna do Clube do Futuro Cientista reflete os preceitos de liderança e gestão democrática. A cada dois anos, os estudantes elegem uma diretoria própria composta por presidente, vice-presidente e secretários de cultura e marketing.

Esse processo de escolha envolve votação direta de alunos e funcionários entre duas chapas concorrentes. Essa experiência introduz noções de governança e trabalho em equipe desde as primeiras etapas da vida escolar.

Integrando cultura, ecologia e ciência, a programação abrange saídas de campo regulares. Entre as atividades executadas estão o acompanhamento e a colheita de açaí plantado pelos próprios estudantes em comunidades de Presidente Figueiredo, além da introdução do cultivo de café.

No ciclo final do ano letivo, são oferecidas instruções práticas de navegação e sobrevivência na selva para os estudantes do Ensino Médio. Já com as turmas infantis, o trabalho abrange a observação astronômica e o monitoramento da fauna local.

Expansão e serviço

A diretora do Colégio Martha Falcão, Nelly Falcão, ressalta que o legado da professora Martha Falcão ensina que a educação ambiental e científica não pode ser abstrata. Quando crianças e jovens vivenciam a ciência na prática criando soluções para a Amazônia, formam-se líderes conscientes para transformar a realidade local e ocupar qualquer espaço no mundo.

Atualmente, o projeto oferta 80 vagas anuais com inscrições abertas tradicionalmente no mês de março, período que marca a Semana da Árvore na Região Norte. O clube projeta a ampliação do atendimento para 100 vagas no próximo ano letivo, consolidando a integração entre iniciação científica e desenvolvimento sustentável.

SERVIÇO

COLÉGIO MARTHA FALCÃO

Três Comunicação e Marketing

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