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Polêmica na segurança: Decisão da SSP-AM coloca Amazonas na mira do Ministério da Justiça

Audiência Pública na Aleam, discute a decisão da SSP-AM de substituir o Sistema de PPE, por uma solução privada - Foto: Márcio James

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) decidiu desativar o Sistema de Procedimentos Policiais Eletrônicos (PPE), utilizado pela Polícia Civil (PC-AM) para registrar e enviar dados criminais à Base Nacional de Segurança Pública. A medida pode levar o Estado à inadimplência junto ao Ministério da Justiça.

O alerta foi feito pela analista da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Railana de Oliveira, durante Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta sexta-feira (7).

O risco da substituição por um sistema privado

De acordo com Railana de Oliveira, o PPE garante o envio automático e padronizado das informações criminais para a base nacional. Ao substituir este sistema gratuito e consolidado por uma solução privada sem integração nativa com o Ministério da Justiça, o Amazonas terá de desenvolver rotinas técnicas próprias para a transmissão desses dados.

O principal risco é a penalização do Estado caso o procedimento de envio não seja realizado de forma correta e contínua, o que resultaria na inadimplência.

Críticas à falta de transparência e alto custo

A Audiência Pública foi solicitada pelo deputado estadual Delegado Péricles (PL), que criticou veementemente a iniciativa do secretário de Segurança, coronel Vinícius Almeida. A substituição envolve:

  • Alto Custo: O novo sistema privado deve custar aproximadamente R$ 2,5 milhões mensais aos cofres públicos.
  • Falta de Debate: A mudança foi conduzida sem debate técnico ou apresentação de justificativas transparentes.
  • Ausência de Partes: O deputado Péricles registrou a ausência do secretário e de representantes do consórcio Iron Pro, contratado para implementar a nova solução.

“Não é apenas uma questão de tecnologia. Essa mudança afeta diretamente o trabalho diário da polícia e o serviço prestado à população. Estamos diante de um processo conduzido sem transparência, sem justificativa técnica e que coloca o Amazonas em risco institucional”, afirmou Péricles.

Preocupações do Ministério Público e Polícia Civil

O promotor Armando Gurgel, da 60ª Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial, manifestou preocupação com a legalidade e a motivação da contratação, indicando que acompanhará o caso. Ele destacou que a ausência de debate técnico e de esclarecimentos sobre as vantagens do novo sistema acende “uma bandeira vermelha”.

Representantes de sindicatos e federações da Polícia Civil reforçaram as críticas, alegando que a categoria não foi ouvida e que a mudança representa:

  • Retrocesso
  • Aumento de custos
  • Risco na interoperabilidade dos dados

Encaminhamentos e fiscalização

Ao final da Audiência Pública, foram definidas as seguintes medidas:

  1. Convocação do Secretário: O deputado Delegado Péricles convocará o secretário de Segurança no âmbito da Comissão de Segurança Pública da Aleam para prestar esclarecimentos formais.
  2. Acionamento do TCE: O Tribunal de Contas do Estado (TCE) será acionado para fiscalizar o contrato já firmado entre a SSP-AM/Prodam e o consórcio Iron Pro, com pedido de suspensão cautelar até que haja justificativa técnica e financeira consistente.
  3. Nota de Repúdio: As entidades de classe da Polícia Civil irão formular uma nota pública de repúdio, defendendo a continuidade do PPE até que qualquer decisão seja debatida com transparência.

Fonte: Ascom

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