Trocando em Miúdos “Omar será governador de novo”. Braga solta a profecia em Parintins

“Omar será governador de novo”. Braga solta a profecia em Parintins

Em plena abertura do ano letivo em Parintins, o senador Eduardo Braga resolveu trocar o “vamos conversar” pelo “já está decidido”. Disse, sem pestanejar, que Omar Aziz “vai voltar a ser governador do Amazonas”.

Não foi hipótese, nem torcida. Foi afirmação. Daquelas que fazem assessor derrubar café na gravata.

Braga relembrou seu programa “Reescrevendo o Futuro”, falou de analfabetismo funcional e, no meio da plateia, apontou para Omar como quem entrega a faixa antecipadamente. “Você vai chegar ao governo de novo”, decretou.

Curioso é que dias antes o mesmo Braga estava em modo zen: pregava união entre Omar e David Almeida, sem escolher lado. Agora, saiu do muro com salto ornamental na Paris dos bumbás Caprichoso e Garantido.

Se é convicção ou estratégia, só o tempo dirá. Mas que o recado foi direto, foi. E em política, quando alguém fala demais, normalmente já calculou de menos… ou de mais.

Senador a um passo de chutar o balde

Não é segredo em Brasília: boa parte da musculatura financeira da Prefeitura de Manaus passa pelas mãos habilidosas de Eduardo Braga. Emendas parlamentares generosas ajudam a manter a máquina rodando.

Por isso mesmo, a fala pró-Omar Aziz em Parintins soou como aviso prévio político. Porque, se Braga fechar mesmo com Omar para 2026, pode estar dando um drible nada sutil no prefeito David Almeida.

E aí mora o tempero da história: o senador que despeja recursos na capital pode estar ensaiando uma aliança que mexe diretamente no tabuleiro local.

Braga sempre foi conhecido por jogar xadrez enquanto os outros brincam de dama. Mas desta vez, ao que parece, pode estar chutando o balde, e se o balde for eleitoral, a água respinga longe.

Tadeu pode ser candidato sem largar a cadeira

Para quem anda espalhando que Tadeu de Souza teria que deixar o cargo para disputar o governo, vale um mergulho rápido na Constituição.

Se o vice assumir o governo e for candidato à reeleição, não precisa se afastar. Permanece no cargo durante a campanha. E por quê? Porque não é “outro cargo”, disse um jurista consultado pela coluna.

O artigo 14, § 6º, da Constituição exige renúncia quando o chefe do Executivo quer disputar outro posto. Aqui é reeleição, prevista expressamente no § 5º do mesmo artigo.

Ou seja: juridicamente falando, Tadeu pode vestir a faixa e continuar sentado na cadeira enquanto pede voto. Quem dizia o contrário precisa atualizar o Vade Mecum.

Maria do Carmo é “candidatíssima”

A empresária Maria do Carmo Seffair foi às redes para avisar: é pré-candidata ao governo pelo Partido Liberal e o partido terá chapa completa. Nada de vice, nada de plano B. Pelo menos no discurso.

Nos bastidores, há quem lembre 2022, quando o ensaio terminou em recuo estratégico. Mas, agora, ela bate no peito e diz que o projeto é para valer.

Em política, candidatura é igual promessa de dieta: todo mundo jura que agora vai. A diferença é que, no caso dela, o vídeo já está gravado.

David desacelera e agora é só família

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou em live que vai se afastar por mais cinco dias por recomendação médica, após a morte do filho, e que só retorna às atividades depois do carnaval.

Segundo ele, é hora de cuidar da saúde “mental, espiritual, emocional e física”. Disse ainda que pretende desacelerar de vez: das 16 horas diárias de trabalho para uma jornada entre 8 e 10 horas. Prioridade agora é a família.

Durante o novo afastamento, quem assume é o vice-prefeito Renato Magalhães Jr (Avante).

O detalhe político: enquanto David reduz o ritmo e promete mais pausas ao longo do ano, o vice-governador Tadeu de Souza — ex-aliado de primeira hora — já trilha outro caminho partidário e eleitoral.

Em ano pré-eleitoral, cada ausência vira mensagem. E cada silêncio, também.

Entre luto, folia e rearranjos políticos, David tenta reorganizar a vida pessoal enquanto a política, como sempre, não tira férias.

Amom vai encarar Silas no Republicanos

Deputado federal Amom Mandel – Foto: Divulgação

A possível federação entre Republicanos e Cidadania coloca frente a frente dois puxadores de voto: Amom Mandel e Silas Câmara.

Amom é fenômeno de urna. Silas é veterano de seis mandatos. Mas há um detalhe celestial, ou melhor, congregacional.

Silas conta com a poderosa Assembleia de Deus, comandada pelo irmão, Jonatas Câmara, totalmente fechada com ele.

Em resumo: Amom vai para o ringue contra um adversário que já entra com torcida organizada, coral e banda.

Ironia do destino: na federação, a briga é fraterna. Mas o dízimo eleitoral parece já ter dono.

Podemos pode ficar a ver navios

O Podemos, agora sob comando regional de Paulo Avelino, pode ter assumido o leme de um barco sem passageiros.

Se Amom Mandel permanecer na federação com o Republicanos e Saullo Vianna reavaliar sua permanência na federação com União Brasil-PP, sobra pouco músculo eleitoral.

E política sem voto é igual barco sem remo: até flutua, mas não sai do lugar.

E o irmão de Paulo, deputado federal Pauderney Avelino, como ficará no jogo?

Adail sai porque o barco está cheio demais

O deputado federal Adail Filho deve procurar outro ninho. O Republicanos ficou inchado demais com pesos pesados como Silas Câmara e Amom Mandel.

Sonhar com terceira vaga nesse cenário seria exercício de fé, mas fé, nesse partido, já tem dono. Melhor sair antes que a porta feche.

Poesia e Judas Iscariotes

A primeira-dama Izabelle Almeida publicou a “poesia de Judas” exatamente no dia em que Tadeu de Souza trocou o Avante pelo PP.

Coincidência? Na política, coincidência é artigo em falta.

O texto falava de traição, culpa e reflexo no espelho. Não citava nomes, mas também não precisava. Só faltou marcar o destinatário.

Jesus, que é bom, necas!

Entre trocas de partido, poesias bíblicas e alianças improváveis, o enredo anda tão espiritualizado que parece roteiro de Semana Santa.

Tem Judas, tem culpa, tem reflexo no espelho. Só não tem Jesus para organizar a mesa.

No tabuleiro político amazonense, cada um carrega sua cruz, mas ninguém quer ser o crucificado.

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