
O debate sobre a segurança pública no Amazonas ganha um novo capítulo com as propostas para o setor apresentadas no Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas (Eixo 2). O documento, capitaneado pelo senador e pré-candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz, coloca a valorização das polícias como ponto central para reestruturar o sistema de defesa social. O argumento da pré-campanha resgata o período entre 2010 e 2014, época em que o político governou o estado e a categoria figurava com um dos maiores salários do país.
A atual realidade das corporações mostra que o desafio vai além do discurso político. O diagnóstico do setor revela que o aumento no orçamento geral da segurança nos últimos anos não se traduziu em melhoria na ponta do serviço, deixando delegacias e batalhões desguarnecidos.
Crise no efetivo
Os dados estatísticos apresentados no levantamento acendem o alerta para a capacidade de policiamento ostensivo e investigativo, principalmente nas cidades do interior. A falta de pessoal sobrecarrega os trabalhadores da ativa e limita o combate ao crime nas calhas dos rios.
- As forças de segurança contam hoje com apenas 10.195 profissionais atuando diretamente na atividade-fim.
- O número atual representa somente 42% do contingente total que está previsto na legislação estadual.
- O desfalque nos quadros das corporações já ultrapassa a marca de 57% do efetivo ideal.
“Não existe segurança pública forte sem um policial valorizado e carreira com previsibilidade. O Amazonas precisa cuidar de quem cuida da população. Vamos reorganizar as carreiras, valorizar os profissionais, modernizar as instituições e garantir condições de trabalho para que a segurança chegue aos bairros, aos municípios, aos rios e às comunidades do interior”, afirmou Omar Aziz.
Ações planejadas
Para tentar reverter o descontentamento da categoria, o plano detalha ajustes administrativos e estruturais que buscam destravar demandas jurídicas e financeiras acumuladas. O projeto foca na previsibilidade de ganhos e no suporte médico para os agentes.
Entre as medidas projetadas estão a revisão das leis de carreira, o pagamento das datas-bases atrasadas e a regularização das promoções de oficiais e praças. A proposta estabelece também a reestruturação do Serviço Extra Gratificado e a criação do Programa Estadual de Saúde do Servidor da Segurança, focado no suporte psicológico e físico dos policiais.
Recursos travados
O ponto crítico do panorama atual reside na gestão financeira dos fundos específicos da área. O relatório aponta uma incapacidade administrativa do Estado em aplicar o dinheiro que já está disponível em caixa, o que atrasa a compra de viaturas, armamentos e tecnologias de monitoramento.
No âmbito estadual, o Fundo Estadual de Segurança Pública liberou cerca de R$ 525,9 milhões de 2020 a 2025, mas a gestão pública executou apenas R$ 173,6 milhões. Essa lentidão burocrática deixou mais de R$ 352 milhões sem destinação prática.
O cenário se repete nos repasses federais vindos do Fundo Nacional de Segurança Pública. Das verbas enviadas pelo Governo Federal no período de 2019 a 2025, que somam R$ 308,98 milhões, o governo do estado utilizou somente 58% do montante, mantendo cerca de R$ 128,97 milhões parados nas contas bancárias oficiais.
A análise dos números mostra que a solução para a violência no Amazonas não depende da criação de novas promessas, mas de eficiência para gastar o dinheiro disponível. O eleitorado e os próprios servidores acompanham o cenário sabendo que, sem destreza fiscal, o plano de governo não sai do papel.
Fonte: ASCOM










