
O avanço das escolas cívico-militares na rede pública estadual do Amazonas enfrenta um teste de fogo que vai além dos debates ideológicos. Uma fiscalização presencial realizada na Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, expôs falhas operacionais graves na manutenção desse formato de ensino.
A ausência de monitores dentro das salas de aula, motivada diretamente por atrasos nos pagamentos dos salários desses profissionais, revela que o sucesso de uma política pública depende estritamente da regularidade orçamentária e não apenas da assinatura de decretos ou da aprovação de projetos na Assembleia Legislativa.
A análise fria da situação mostra um paradoxo na gestão educacional. Ao mesmo tempo em que a proposta ganha espaço como sinônimo de disciplina e eficiência, a falta de repasses financeiros básicos ameaça desestruturar a rotina dos estudantes, gerando uma cobrança direta sobre a capacidade do governo estadual em manter os compromissos em dia.
Falhas na estrutura
A inspeção foi conduzida pela deputada estadual Débora Menezes, do Partido Liberal (PL), que é a autora da lei que instituiu o modelo no Amazonas. A parlamentar assumiu a linha de frente dessa bandeira após o Governo Federal encerrar o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM), resultando na criação de uma legislação local para amparar as sete unidades que operam atualmente nesse formato no estado.
A apuração realizada na escola da zona oeste constatou problemas que comprometem o andamento do projeto pedagógico.
- Monitores disciplinares abandonaram as salas devido à falta de remuneração.
- O acompanhamento direto da conduta dos estudantes ficou desguarnecido.
- O cronograma de atividades sofreu interrupções pela falta de pessoal técnico.
A quebra na rotina gerou reações imediatas nos bastidores políticos.
“É fundamental que a gente acompanhe de perto se as leis que aprovamos estão realmente sendo cumpridas”, afirmou Débora Menezes ao constatar o problema.
A deputada ressaltou que as escolas cívico-militares entregam bons índices de desempenho e organização onde funcionam de maneira integral, mas cobrou que a estrutura de pagamentos esteja totalmente regularizada para que o projeto não perca a credibilidade diante da comunidade escolar.
Pressão por soluções
A crise dos terceirizados na educação acende um alerta sobre a necessidade de governança responsável. Para tentar resolver o impasse, a parlamentar informou que vai buscar uma agenda direta com o governador Roberto Cidade para exigir a quitação imediata dos débitos atrasados e assegurar o retorno dos prestadores de serviço aos seus postos.
O cenário exige um posicionamento firme e imparcial do Poder Executivo. A implementação de colégios diferenciados atrai o interesse de muitas famílias que buscam segurança e ordem para os filhos, mas a falta de pagamento de trabalhadores vulneráveis arranha a imagem da gestão pública.
Fiscalizações como essa precisam se tornar rotina em todas as sete escolas do estado para mapear se os gargalos financeiros são isolados ou se fazem parte de um problema sistêmico na pasta da educação. Afinal, para garantir um ensino de excelência e exigir disciplina dos jovens, o próprio Estado precisa dar o exemplo cumprindo suas obrigações trabalhistas com rigor.
Fonte: ASCOM | Thiago Fernando










