
A campanha para o Governo do Amazonas já movimentou mais de R$ 20,8 milhões em despesas declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E quem aparece na dianteira dos gastos é a dupla que também lidera a arrecadação: Omar Aziz (PSD), com R$ 5,78 milhões, e Maria do Carmo Seffair (PL), com R$ 5,57 milhões.
Omar declarou R$ 6,12 milhões em receitas, dos quais R$ 6 milhões vieram dos diretórios nacionais do Republicanos e do PSD.
Quase metade das despesas do candidato, da ordem de R$ 2,78 milhões, foi destinada à militância e mobilização de rua. Outros R$ 700 mil foram para transporte e R$ 602,9 mil para produção de programas de rádio, televisão ou vídeo.
4,5 milhões de Maria
Maria do Carmo declarou R$ 4,53 milhões em receitas, sendo R$ 4,5 milhões repassados pelo Diretório Nacional do PL.
Na lista de despesas, os serviços advocatícios lideram, com R$ 1,281 milhão, seguidos por serviços de terceiros, pesquisas eleitorais e publicidade impressa.
Sem crise climática

A candidata liberal Maria do Carmo causou repercussão ao afirmar, durante sabatina da Rede Amazônica, que seca e cheia não representam crise climática no Amazonas.
Para ela, crise climática seria algo como tufões, furacões ou até uma “nevasca” no Estado.
A declaração contrasta com alertas de organismos científicos que apontam para a intensificação de fenômenos já conhecidos, como secas, chuvas extremas, ondas de calor e incêndios.
O próprio Amazonas vem enfrentando estiagens severas, rios em níveis críticos, dificuldades de navegação, isolamento de comunidades e queimadas.
Felipe e a empresa de chatbot

A Emenda Impositiva nº 046/2026, de autoria do deputado estadual Felipe Souza, já resultou no pagamento de R$ 678.399,08 à Thetaia Ltda, empresa contratada pela Amazonastur para serviços de chatbot, WhatsApp Business e atendimento virtual.
Dos R$ 1,5 milhão destinados pela emenda, R$ 727.896 foram empenhados na nota analisada e R$ 678.399,08 já chegaram à empresa, em dois pagamentos realizados no mesmo dia, em 19 de junho.
Contrato de 2 milhões
Segundo a Amazonastur, o dinheiro serve para dar continuidade a um projeto de modernização tecnológica, com chatbot, inteligência artificial generativa, integração por APIs, dashboards e plataforma de atendimento virtual.
O contrato original entre Amazonastur e Thetaia, firmado em 2025, foi de R$ 2,183 milhões e está prorrogado até julho de 2027.
No miúdo da conta: a emenda não criou um contrato novo — colocou dinheiro novo dentro de um contrato que já existia.
Silas deixa Amom à míngua

Na matemática eleitoral do Republicanos, a conta parece ter ganhado uma curiosa prioridade. O presidente estadual da legenda, deputado federal Silas Câmara, destinou R$ 3 milhões para a campanha de Omar Aziz ao Governo do Amazonas.
O detalhe é que Omar não é do Republicanos, mas sim do PSD, embora lidere uma chapa apoiada pela legenda.
Enquanto isso, Amom Mandel, que é do próprio Republicanos e disputa a reeleição para deputado federal, seguia sem receber recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ou do Fundo Partidário.
A campanha do deputado vinha sendo sustentada por recursos próprios e doações de pessoas físicas.
Silas Câmara, por sua vez, recebeu R$ 3,1 milhões da direção nacional do partido para financiar a própria candidatura.
Eron encerra ciclo eleitoral

Aos 73 anos, o ex-deputado estadual Eron Bezerra, do PCdoB, anunciou a desistência da candidatura à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.
O recuo ocorreu após seu nome aparecer na lista de gestores com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado, em razão de processos relacionados ao período em que foi secretário de Estado da Produção Rural.
Com cinco mandatos de deputado estadual, exercidos entre 1991 e 2010, Eron construiu uma das mais longevas trajetórias da esquerda amazonense e teve papel importante na formação de quadros políticos do PCdoB.
Rotina de professor
Na carta em que anunciou a renúncia, Eron afirmou que poderia recorrer ao TRE-AM e ao TSE, mas que a falta de definição até 14 de setembro inviabilizaria a substituição de seu nome. Por isso, decidiu retirar a candidatura e apoiar Edilon Queiroz.
O velho comunista deixa a disputa eleitoral, mas não a política. Volta à rotina de professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas e encerra, ao menos nas urnas, uma trajetória marcada por décadas de militância.










