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O treinamento que pode mudar a forma como Manaus anda de transporte público

Foto: Valdo Leão / Semcom

O transporte público de uma metrópole como Manaus vai muito além da simples circulação de veículos. Ele é o elo que conecta pessoas ao trabalho, ao lazer e aos serviços essenciais. No entanto, para que essa engrenagem funcione com excelência, o motor que a move não é apenas o combustível, mas o fator humano. O lançamento do programa “Escola de Transporte Inclusivo” representa uma mudança de paradigma necessária ao colocar a sensibilidade no centro da operação logística da capital.

A Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), iniciou nesta sexta-feira (30) um ciclo de capacitação que reuniu mais de 70 profissionais, entre motoristas e cobradores. Mais do que um treinamento técnico, a iniciativa busca transformar a conduta de quem está na linha de frente do sistema, garantindo que idosos, Pessoas com Deficiência (PcDs) e pessoas com doenças ocultas recebam o tratamento digno que merecem.

A parceria com a Fundação de Apoio ao Idoso Dr. Thomas (FDT) e conselhos municipais demonstra que a gestão municipal entende a complexidade do serviço. O transporte coletivo lida com vidas e histórias, e cada parada de ônibus é uma oportunidade de exercer a cidadania.

A vivência prática como ferramenta de transformação

O grande diferencial deste programa é a aula de vivência. Nela, os operadores saem do banco do motorista para sentir as dificuldades reais enfrentadas pelos passageiros com mobilidade reduzida.

  • Desenvolvimento da sensibilidade: Ao experimentar as limitações físicas em um ambiente controlado, os profissionais compreendem a importância de um tempo maior de embarque e do posicionamento correto do veículo junto à calçada.
  • Redução de conflitos: A compreensão das necessidades do outro diminui o estresse na jornada de trabalho e melhora o clima dentro dos coletivos.
  • Segurança operacional: Um atendimento calmo e atento reduz drasticamente o risco de acidentes durante o embarque e desembarque desses grupos prioritários.

“A vivência permite sentir, perceber e compreender melhor. Na prática, eles conseguem se sensibilizar ainda mais com esse público e fortalecer a empatia no atendimento” destaca Viviane Cabral, vice-presidente de Transporte do IMMU.

O impacto direto na rotina dos usuários e dos profissionais

Sabemos que a rotina de um motorista de ônibus em Manaus é intensa, enfrentando o trânsito pesado e o calor característico da nossa região. Por isso, a fala do motorista Elionair de Araújo, da empresa Expresso Coroado, é tão significativa. Ele reconhece que, para garantir um serviço de qualidade, o “tato no atendimento” é indispensável.

A diretora-presidente em exercício da Fundação Dr. Thomas, Larissa Meireles, reforça que o conteúdo didático foi elaborado com base nas queixas reais dos usuários. Isso garante que o treinamento não seja apenas teórico, mas uma resposta direta aos anseios da população amazonense.

Um transporte inclusivo é um transporte melhor para todos

Promover a acessibilidade não beneficia apenas quem tem uma deficiência ou idade avançada. Um sistema de transporte que respeita o idoso é, por consequência, mais seguro para a gestante, para a mãe com carrinho de bebê e para o cidadão comum.

A “Escola de Transporte Inclusivo” sinaliza que Manaus está no caminho certo ao investir no capital humano. A tecnologia e a renovação da frota são importantes, mas é o olhar atento do motorista e a presteza do cobrador que definem, no dia a dia, a qualidade de vida de quem utiliza o ônibus como seu principal meio de locomoção.

ASCOM: Naira Nascimento / IMMU

Foto: Valdo Leão / Semcom

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