
Os negociadores dos Estados Unidos e do Irã alcançaram um acordo provisório nesta quinta-feira (28/5) para prorrogar o cessar-fogo por mais 60 dias.
A medida busca abrir espaço para novas rodadas diplomáticas que tentam colocar um fim definitivo ao conflito armado em território iraniano.
Apesar do avanço nos bastidores, o memorando de entendimento ainda depende da assinatura final do presidente americano Donald Trump para entrar em vigor de forma oficial.
A guerra, que teve início no dia 28 de fevereiro, paralisou uma das rotas comerciais mais importantes do planeta. O impasse militar provocou uma disparada global nos preços dos combustíveis e desestruturou as cadeias de suprimentos internacionais.
A expectativa de uma trégua surge em um momento crítico, logo após os dois países trocarem ataques mútuos nas últimas 24 horas, evidenciando a fragilidade das negociações atuais.
Impasse nuclear
O novo texto estipula o início imediato de debates focados no programa nuclear iraniano, um dos temas mais sensíveis da geopolítica global. A Casa Branca adota uma postura cautelosa e evita demonstrar pressa para a assinatura final.
“O Irã está muito empenhado, quer muito chegar a um acordo. Até agora, ainda não chegaram lá. Não estamos satisfeitos com isso, mas ficaremos”, afirmou Donald Trump na última quarta-feira durante uma reunião de gabinete.
A divulgação de supostos trechos do documento pela televisão estatal iraniana gerou atritos entre as delegações.
A imprensa de Teerã alegou que o memorando prevê a retirada total das forças militares americanas do Golfo Pérsico e o fim definitivo do bloqueio marítimo.
No entanto, o governo dos Estados Unidos reagiu rapidamente e classificou as informações divulgadas pela emissora como uma invenção completa.
Estreito de Ormuz
O ponto central e de maior impacto econômico no tratado provisório envolve a navegação comercial. Responsável pela passagem de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, a região portuária enfrenta forte vigilância.
O tráfego marítimo em direção ao oeste passou a ser controlado pela recém-formada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), uma instituição criada pelo governo iraniano.
De acordo com relatos da agência de notícias Tasnim, vinculada ao Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), diversos navios foram obrigados a retornar por ignorarem os alertas das forças navais e não coordenarem a rota. Em comunicado oficial, a marinha do IRGC declarou que realiza um controle inteligente na área e confirmou que 26 navios cargueiros e petroleiros receberam autorização para cruzar o corredor com segurança nas últimas horas.
Desconfiança mútua
Mesmo com o avanço anunciado pela Associated Press (AP), a ala política do Irã demonstra forte ceticismo em relação ao cumprimento das promessas por parte de Washington. O aiatolá Mojtaba Khamenei usou a rede de televisão estatal para criticar as pressões econômicas sofridas pelo país.
“O plano cego do inimigo, após a guerra imposta, a pressão económica e o cerco político e propagandístico, consiste em criar divisões e desintegração, a fim de compensar as derrotas militares e colocar a nação de joelhos”, declarou Mojtaba Khamenei.
A falta de garantias de longo prazo preocupa os membros do parlamento em Teerã. Representantes da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa da Agência de Notícias Estudantis do Irã (ISNA) confirmaram que a maior parte das propostas locais foi aceita na mesa de negociação.
“A única preocupação é a imprevisibilidade de Trump e o incumprimento de compromissos a que temos assistido até agora por parte dos Estados Unidos”, afirmou o parlamentar Fada Hossein Maleki.
Pontos estratégicos
O andamento das conversas internacionais aponta para condições específicas que ditam o ritmo do acordo de paz:
- A reabertura imediata do Estreito de Ormuz para tentar estabilizar a inflação energética global.
- O estabelecimento de um prazo de 60 dias de trégua para a formulação de metas sobre o desenvolvimento atômico.
- A manutenção do controle marítimo inteligente por parte das forças navais do Irã na região do golfo.










