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O erro histórico que deixou as estradas do Amazonas sem conservação por três décadas

Por Rozemar Tavares (*)

A gente olha para as nossas estradas hoje e percebe que o buraco é bem mais embaixo, literalmente. Faz mais de 30 anos que o Amazonas vive sem um plano real de conservação das suas rodovias estaduais. Desde que o Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM) foi extinto, entramos em um ciclo perigoso de apenas “apagar incêndios” no asfalto. O resultado é o que vemos neste início de 2026: rodovias que deveriam ser caminhos para o progresso se transformaram em obstáculos caros e perigosos.

Eu acompanhei a reportagem do repórter Jucélio Paiva, da Rede Amazônica, e o que ele mostrou na AM-070 é um retrato fiel do descaso. A buraqueira está tão crítica que os motoristas precisam fazer malabarismos para não sofrerem um acidente grave. É revoltante ver como a vida das pessoas é colocada em risco todos os dias por falta de uma manutenção básica que deveria ser rotina, não uma exceção.

O abandono que o Jucélio mostrou na AM-070 não é um caso isolado. O descaso acumulado submete todos nós ao desconforto e ao perigo constante. O problema é que, agora, não basta mais um simples tapa-buraco; quase tudo precisa ser reconstruído do zero. Algumas das rotas mais atingidas hoje são:

  • AM-070: estrada para Manacapuru (78 Km).
  • AM-010: via que liga a Itacoatiara (263 Km).
  • AM-363: caminho de Itapiranga (111 Km a partir do entroncamento com a AM-010, no Km 225).
  • AM-352: acesso para Novo Airão (98,6 Km a partir do entroncamento com a AM-070).
  • AM-254: rodovia de Autazes (93,6 Km a partir do entroncamento com a BR-319, no Km 39).

É justo dizer que a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) tem gente muito competente e dirigentes qualificados. O problema não é falta de capacidade técnica, mas sim a falta da ferramenta certa. Sem um órgão específico voltado apenas para a conservação, a secretaria acaba sobrecarregada tentando restaurar e repavimentar o que já está em ruínas.

Eu fico preocupado quando vejo novos ramais e vicinais sendo asfaltados nos municípios. É claro que isso é bom, mas quem vai cuidar disso depois? Se não tivermos uma manutenção constante, tanto as estradas novas quanto as antigas vão sumir na próxima temporada de chuvas. Estamos jogando dinheiro público em um ralo de lama se não houver um plano de preservação rigoroso.

Para mim, a solução é clara e urgente. O Amazonas precisa manter suas rodovias em boas condições para transportar o que a gente produz e para garantir que as populações do interior não fiquem isoladas. Para que isso aconteça de verdade, o estado precisa criar novamente um órgão rodoviário dedicado exclusivamente a gerenciar e conservar esse sistema.

Não podemos mais aceitar que um patrimônio tão imenso seja perdido por falta de gestão. Em 2026, a conectividade é o que sustenta o nosso desenvolvimento. Sem estradas seguras e bem cuidadas, o futuro do Amazonas continuará esbarrando na poeira e no descaso de um erro cometido há 30 anos.

 (*) ex-diretor do DER-AM

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