Trocando em Miúdos No Brasil é assim: carbono de papel aceita tudo

No Brasil é assim: carbono de papel aceita tudo

A família Vorcaro descobriu o Santo Graal amazônico: transformar terra pública da União, em Apuí, em bilhões de reais em “créditos de carbono imaginários”.

Não é desmatamento, mas “criatividade financeira sustentável”. Sem vender um único crédito, empresas ligadas ao clã já valiam dezenas de bilhões.

É o famoso carbono em estado gasoso: ninguém vê, ninguém toca, mas sustenta banco, fundo e CDB. Se isso não é alquimia financeira, é milagre ambiental certificado.

Apuí: da reforma ao caixa eletrônico

A área que deveria servir à reforma agrária virou, convenientemente, ativo financeiro de luxo para a família Vorcaro.

A Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí, segue sendo da União, mas só no papel oficial. Na prática, virou base de um esquema bilionário que mistura carbono, tokens, fundos e parentes de banqueiro.

O município, situado no Sul do Amazonas, que já sofre com grilagem e desmatamento, agora exporta inovação: lavagem verde com selo “sustentável”. Tudo muito moderno. Tudo muito ilegal, ao que parece.

Sustentabilidade bancária: floresta como lastro

Enquanto comunidades brigam por regularização fundiária, a família Vorcaro usou a floresta — que não é deles — como lastro para inflar fundos e manter o Banco Master respirando no mercado.

Pode-se dizer que isso é o capitalismo verde na versão amazônica: a árvore fica em pé, o dinheiro voa, e a conta sobra para o Estado.

Quando a Polícia Federal chega, todo mundo agiu “de boa-fé”. Claro. Até porque má-fé, nesse caso, seria admitir que sabiam exatamente o que estavam fazendo.

Cartel do gás ferve no bolso

Em artigo cirúrgico publicado no portal Amazonas Atual, o jornalista Valmir Lima faz o que as autoridades fingem não ver. Valmir escancara o oligopólio do gás de cozinha no Amazonas, dominado por Fogás e Amazongás.

Duas empresas, dois grupos familiares, zero concorrência — e o botijão mais caro do Brasil. Enquanto a Petrobras recebe pouco mais de R$ 32 pelo GLP, as distribuidoras embolsam R$ 73, e a dona de casa paga até R$ 135 para cozinhar o feijão.

A velha desculpa da “logística difícil” cai por terra quando o gás sai de Urucu, no próprio Amazonas. No fim, sobra abuso para o consumidor, migalha para o revendedor e silêncio cúmplice do poder público. Aqui, o gás não é inflamável — é explosivo de tão lucrativo.

Obras em estado de contemplação

Foto: Divulgação

O TCU informa que o Amazonas tem 438 obras paradas e R$ 1,3 bilhão congelado. Mas não chamemos de abandono: são obras em profunda reflexão existencial.

A passarela da Torquato Tapajós caiu em 2024 e, um ano depois, segue no chão, como monumento à eficiência pública. Talvez esteja aguardando alinhamento cósmico, novo mandato ou apenas mais uma carreta para justificar outro contrato.

Hospital fechado, promessa em dia

O Hospital do Sangue não funciona, a Casa da Mulher Brasileira não anda, o saneamento virou lama, mas as promessas seguem firmes e bem conservadas.

Já foram gastos quase R$ 440 milhões em obras que não existem, mas isso é detalhe técnico.

No Amazonas, obra parada não é problema: é política pública permanente. E como disse Lula, gestores deveriam ser presos. Por aqui, seguem soltos e inaugurando placas de obras invisíveis.

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