
O futebol brasileiro é movido por uma mística que os analistas de números jamais conseguirão traduzir em planilhas frias. Na noite de sábado (18/4), em São Januário, o Vasco não apenas derrotou o São Paulo por 2 a 1 de virada. Ele precisou confrontar seus próprios fantasmas e a pressão de uma torcida que não aceita nada menos que a entrega absoluta.
O duelo, válido pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, ocorreu em uma semana carregada de simbolismo, já que o maior ídolo da história cruz-maltina, Roberto Dinamite, completaria 72 anos na última segunda-feira (13/4).
Domínio inútil
O primeiro tempo apresentou um roteiro comum no futebol moderno, onde a posse de bola se torna uma armadilha para quem a detém. O Vasco controlou 60% do tempo de jogo e ditou o ritmo das ações ofensivas, mas esbarrou em uma crônica falta de pontaria.
Andrés Gómez chegou a carimbar a trave, mas o grito de gol ficou preso na garganta de uma arquibancada que já começava a demonstrar impaciência com o volume de jogo sem produtividade.
Castigo tricolor
O futebol pune a negligência defensiva com uma crueldade matemática. Mesmo sendo dominado, o São Paulo demonstrou por que a eficiência supera a estética. Após uma falha de comunicação entre Cuiabano e Robert Renan, Calleri aproveitou para desestruturar a marcação e finalizar. No rebote do goleiro Léo Jardim, Luciano empurrou para o fundo da rede. O silêncio que se seguiu em São Januário, interrompido apenas por vaias no intervalo, revelava um time que parecia perdido na própria superioridade teórica.
VAR decisivo
A virada vascaína na etapa final começou a ser desenhada através da tecnologia. Aos 24 minutos, o árbitro assistente de vídeo (VAR) recomendou a revisão de um toque de mão de Calleri dentro da área.
“Foi um movimento antinatural que impediu a continuidade da jogada”, afirmou o árbitro Sávio Pereira Sampaio, logo após confirmar a penalidade no monitor.
Puma Rodríguez assumiu a responsabilidade e, apesar de uma cobrança tecnicamente questionável, conseguiu empatar o confronto.
Vitória heróica
O destino da partida foi selado aos 42 minutos com uma dose extra de insistência. Em uma sobra de bola dentro da área, Andrés Gómez disparou uma bomba que desviou levemente em Sabino antes de vencer o goleiro Rafael. Foi o gol da redenção para um time que se recusou a aceitar a derrota em uma noite de homenagens. A vitória por 2 a 1 recoloca o Vasco em uma trajetória de confiança, enquanto o São Paulo precisa explicar como permitiu uma virada após estar em vantagem estratégica.
“O grupo mostrou que tem força mental para reverter situações adversas”, declarou o técnico vascaíno após o apito final.
Calendário apertado
As duas equipes agora mudam o foco para a Copa do Brasil em compromissos decisivos no meio de semana. O São Paulo entra em campo primeiro, na terça-feira (21/4), às 19h15, para encarar o Juventude no Morumbis.
Já o Vasco viaja até o Norte para enfrentar o Paysandu na quarta-feira (22/4), às 21h30, no Mangueirão.
Partidas de ontem sábado 18 de abril
A noite de sábado foi marcada pela eficiência dos visitantes e um clássico carioca decidido nos minutos finais em São Januário.
- Chapecoense 1 x 4 Botafogo
- Vasco 2 x 1 São Paulo
- Vitória 0 x 0 Corinthians
- Cruzeiro 2 x 0 Grêmio
Confrontos de hoje domingo 19 de abril
O domingo de futebol começou cedo no Sul e se estende até o início da noite com o encerramento da 12ª rodada no Maracanã.
- Internacional 0 x 2 Mirassol
- Coritiba x Atlético Mineiro às 15h no Estádio Couto Pereira
- Santos x Fluminense às 15h no Estádio Vila Belmiro
- Palmeiras x Athletico Paranaense às 17h30 no Allianz Parque
- Red Bull Bragantino x Remo às 17h30 no Estádio Cícero de Souza Marques
- Flamengo x Bahia às 18h30 no Estádio Maracanã










