Saúde Mulheres na ciência ocupam espaços mas desigualdade ainda é desafio no Brasil

Mulheres na ciência ocupam espaços mas desigualdade ainda é desafio no Brasil

Foto: Freepik

Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, o mundo celebra o “Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência”. A data foi instituída em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de reconhecer a contribuição feminina ao avanço do conhecimento e alertar para as desigualdades que persistem nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Embora o Brasil registre avanços significativos, o caminho para a igualdade de direitos e acessos ainda é longo. Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, baseado em números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), revela que o ingresso de mulheres em graduações de ciências exatas e biológicas cresceu 29% entre 2013 e 2023. Entretanto, o cenário de 2023 mostra que 74% dos calouros nesses cursos eram homens, enquanto apenas 26% eram mulheres.

Avanço nas exatas

Historicamente, as mulheres enfrentaram barreiras institucionais e culturais severas para pesquisar e publicar seus trabalhos. Muitas descobertas fundamentais foram ignoradas ou atribuídas a colegas homens. Para a professora de física Kharyna Rodrigues, da “Escola Bilíngue Aubrick”, revisitar essas trajetórias é fundamental para as futuras gerações.

“Quando apresentamos às meninas exemplos reais de mulheres que fizeram ciência de excelência, rompemos a ideia de que esse é um espaço masculino” afirma Kharyna Rodrigues. Segundo a docente, a representatividade influencia diretamente a autoestima e os projetos de vida das estudantes.

Escola e família

O incentivo para que mais meninas busquem as áreas científicas deve começar na primeira infância, unindo os esforços da instituição de ensino e do ambiente doméstico. A escola deve criar espaços que estimulem o protagonismo feminino, enquanto a família atua reforçando a confiança e evitando estereótipos de gênero.

“Quando escola e família caminham juntas, ampliam-se as possibilidades para que as meninas se reconheçam como cientistas em potencial” destaca a especialista.

Abaixo, confira uma lista detalhada com 34 cientistas que transformaram a história da humanidade.

Grandes pioneiras

  • Ada Lovelace viveu entre 1815 e 1852 e foi uma matemática inglesa responsável por escrever o primeiro algoritmo da história. Ela previu que as máquinas poderiam processar qualquer símbolo e não apenas números, tornando-se a mãe da computação moderna.
  • Caroline Herschel foi a primeira mulher a descobrir um cometa, identificando o corpo celeste “35P/Herschel-Rigollet”. Mesmo sendo uma figura central na astronomia, por muito tempo foi lembrada apenas como assistente de seu irmão.
  • Chien-Shiung Wu integrou o “Projeto Manhattan” e provou experimentalmente que a paridade não é conservada na interação fraca. Embora sua descoberta tenha rendido o Nobel a seus colegas homens, ela é reconhecida como a primeira dama da física.
  • Dorothy Vaughan foi a primeira supervisora negra da (NASA). Matemática e programadora, ela liderou equipes essenciais para os programas espaciais e dominou a linguagem “FORTRAN” durante a transição para a computação eletrônica.
  • Enedina Alves Marques formou-se em 1945 na Universidade Federal do Paraná e foi a primeira engenheira negra do Brasil. Ela atuou em obras importantes como a “Usina Capivari-Cachoeira”.
  • Gabriela Barreto Lemos é uma física brasileira que liderou um experimento de imagem quântica com fótons não detectados. Seu trabalho publicado na revista “Nature” demonstrou visualmente conceitos abstratos da física quântica.
  • Grace Hopper foi almirante da Marinha dos Estados Unidos e pioneira na programação. Ela criou compiladores que inspiraram a linguagem “COBOL” e popularizou o termo “debugging”.
  • Graziela Maciel Barroso é a grande dama da botânica brasileira. Ela classificou mais de 130 novas espécies de plantas tropicais e é referência internacional na área.
  • Hedy Lamarr além de estrela de Hollywood, inventou o sistema de salto de frequência. Essa tecnologia foi a base para o surgimento do Bluetooth, do GPS e das redes sem fio modernas.
  • Hipátia foi a primeira matemática grega da Antiguidade. Professora em Alexandria, ela realizou estudos profundos em geometria e álgebra antes de ser vítima da intolerância de sua época.
  • Ida Noddack foi a primeira cientista a mencionar a ideia de fissão nuclear em 1934. Inicialmente ridicularizada, sua teoria antecipou uma das maiores descobertas da física nuclear.
  • Jaqueline Goes de Jesus é a biomédica brasileira que liderou o sequenciamento do genoma do “SARS-CoV-2” em apenas 48 horas no Brasil. Sua atuação foi decisiva no combate à pandemia e ela foi homenageada com uma boneca “Barbie” cientista.
  • Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier dividiram o Nobel de Química em 2020 pelo desenvolvimento da técnica “CRISPR-Cas9”. A ferramenta permite editar o DNA com precisão sem precedentes.
  • Jocelyn Bell Burnell descobriu os pulsares em 1943. Embora sua contribuição tenha sido essencial para a astrofísica, o prêmio Nobel foi concedido apenas ao seu orientador na época.
  • Katie Bouman coordenou a equipe que reconstruiu a primeira imagem de um buraco negro em 2019. O feito utilizou algoritmos complexos para processar dados de radiotelescópios globais.
  • Katherine Johnson realizou os cálculos de trajetória que garantiram o sucesso da chegada do homem à Lua em 1969. Ela superou barreiras de gênero e raça dentro da (NASA).
  • Lise Meitner fundamentou o processo de fissão nuclear. Indicada 48 vezes ao prêmio Nobel, ela nunca foi laureada, tendo seu papel minimizado em favor de colegas homens.
  • Marie Curie é a única pessoa na história a ganhar dois prêmios Nobel em áreas científicas distintas, sendo uma em física e outra em química. Ela descobriu o polônio e o rádio.
  • Marie Tharp foi a responsável por mapear o fundo dos oceanos. Seus mapas detalhados confirmaram a teoria das placas tectônicas e mudaram a compreensão da geociência.
  • Mary Anning foi pioneira na paleontologia ao descobrir esqueletos completos de répteis marinhos do período jurássico, como o “ichthyosaurus” e o “plesiosaurus”.
  • Mary Jackson tornou-se a primeira engenheira negra da (NASA) em 1958. Ela pesquisou efeitos aerodinâmicos e liderou programas de equidade dentro da agência espacial.
  • Mileva Marić foi física e matemática, tendo colaborado intelectualmente com as bases da “Teoria da Relatividade”. Sua carreira foi eclipsada pela fama de seu marido, Albert Einstein.
  • Nettie Stevens descobriu que o sexo biológico é determinado pelos cromossomos X e Y. Sua pesquisa em genética foi fundamental para entender a hereditariedade.
  • Nise da Silveira revolucionou a psiquiatria brasileira ao propor tratamentos humanizados através da arte. Ela fundou o “Museu de Imagens do Inconsciente”.
  • Rachel Carson escreveu o livro “Primavera Silenciosa”, que alertou o mundo sobre os perigos dos pesticidas. Ela é considerada a mãe do movimento ambientalista moderno.
  • Rita Lobato Velho Lopes foi a primeira mulher a se formar em medicina no Brasil, em 1887. Ela defendeu tese sobre a operação cesariana e atuou na ginecologia.
  • Rosalind Franklin produziu a “Fotografia 51”, que revelou a estrutura de dupla hélice do DNA. Seu trabalho foi usado sem crédito por Watson e Crick para o Nobel.
  • Sônia Guimarães foi a primeira mulher negra a lecionar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Doutora em física, ela é referência em materiais semicondutores.
  • Suzana Herculano-Houzel é uma neurocientista brasileira que reformulou a compreensão sobre a evolução e a organização do cérebro humano.
  • Tatiana Coelho de Sampaio lidera pesquisas sobre regeneração em lesões medulares. Seu trabalho busca tratamentos para a paraplegia através da biologia da matriz extracelular.
  • Trotula de Ruggiero atuou no século XI na “Escola Médica de Salerno”. Ela escreveu os primeiros tratados sistemáticos sobre ginecologia e obstetrícia.
  • Tu Youyou isolou a artemisinina a partir da medicina tradicional chinesa. O composto é eficaz contra a malária e já salvou milhões de vidas em todo o mundo.
  • Valerie Thomas inventou o transmissor de ilusões em 1980, tecnologia que permitiu a criação de imagens tridimensionais e influenciou os sistemas de satélites “Landsat”.
  • Vera Rubin comprovou a existência da matéria escura ao observar a rotação das galáxias espirais. Seu nome batiza um importante observatório no Chile.

Sobre a ISP – International Schools Partnership

A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.

ASCOM: Vagner Lima e Daniela Nogueira | FSB Comunicação

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