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Mulheres aprendem defesa pessoal em iniciativa que reforça autonomia e proteção no Amazonas

Projeto da Defensoria do Amazonas leva defesa pessoal e confiança para mulheres - Foto: Marcus Bessa/ DPE-AM

A iniciativa da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) traz à tona um debate profundo sobre as estratégias de enfrentamento à violência doméstica no Estado. Na última sexta-feira, 25/9, o Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) realizou a primeira aula de um “projeto-piloto” focado em noções básicas de defesa pessoal.

O encontro ocorreu no auditório da unidade, situada na avenida André Araújo, nº 7, no bairro Adrianópolis, reunindo mulheres assistidas pelo núcleo e servidoras que atuam no atendimento direto às vítimas. A proposta prevê encontros regulares na última sexta-feira de cada mês, funcionando como ferramenta complementar ao trabalho de orientação e assistência jurídica.

Resposta prática ao perigo

A criação da oficina nasceu da vivência diária das equipes no acolhimento de casos de agressão. Relatos frequentes indicam que saber se desvencilhar de um ataque ou criar uma distância segura pode ser decisivo para buscar ajuda. De acordo com a defensora pública Karlla Queiroz, que coordena a ação, a orientação prática busca oferecer meios de fuga até que a vítima alcance a rede de proteção.

“Essa foi uma necessidade que a gente identificou durante o atendimento, de que, de repente, uma noção básica de defesa pessoal poderia evitar uma agressão mais grave, poderia cessar de uma forma mais imediata aquela violência para dar tempo de ela buscar a rede de proteção”, destacou a coordenadora do projeto.

Além do aprendizado técnico, a iniciativa busca fortalecer a acolhida institucional das assistidas.

“Então, a nossa proposta foi mostrar para mulheres vítimas de violência doméstica que nos procuram, que buscam uma medida protetiva, que elas não estão sozinhas. Uma vez que elas entram por essa porta, procuram o Nudem, elas podem contar com a gente”, acrescentou a defensora pública Karlla Queiroz.

Aprendizado de artes marciais

As instruções foram ministradas pela professora de Jiu-Jitsu e faixa preta Indara Dias. A capacitação focou em movimentos para se desvencilhar de agarramentos, pegadas nas mãos, puxões de cabelo e aproximações físicas, além de métodos seguros de queda, formas de se levantar, criação de espaço e rotas de fuga.

“Durante a aula, apresentamos técnicas de queda, formas de se levantar e se desvincular de um possível agressor, além de movimentos utilizados nas artes marciais que também podem ser adaptados para a defesa pessoal”, explicou a instrutora Indara Dias.

Sem a exigência de experiência anterior com artes marciais, os exercícios focaram na mobilidade simples para facilitar a execução por mulheres com diferentes níveis de preparo físico.

“O objetivo é proporcionar às mulheres conhecimento, confiança, autonomia e ferramentas básicas para reconhecer situações de risco e buscar uma oportunidade segura de escapar”, pontuou a professora de Jiu-Jitsu.

Impacto na vida real

Para as participantes, o treinamento representou uma mudança de postura diante da ameaça. Aos 52 anos, Helena Miranda dos Santos viveu a primeira experiência com a prática de autodefesa, após ser acompanhada pelo núcleo há cerca de 15 dias.

“Foi muito gratificante participar dessa aula hoje. Aprendi algumas técnicas, e o que me motivou a participar foi a vontade de aprender a se defender, realmente. Foi uma experiência muito boa. Se eu tivesse tido essa experiência antes, não teria acontecido o que aconteceu. Eu teria tido alguma noção para me defender”, contou a moradora, que expressou o desejo de continuar frequentando as próximas aulas.

A participante ressaltou que a instrução técnica supera a mera imaginação sobre como agir em um momento de perigo.

“Acho muito importante essa aula, porque a gente aprende a se defender. A gente acha que sabe de tudo, mas aqui a gente aprende realmente a se defender”, afirmou Helena Miranda dos Santos.

Análise crítica e dados

A implantação do “projeto-piloto” evidencia uma faceta importante do combate à violência de gênero. Por um lado, instrumentalizar as mulheres com ferramentas de autonomia é uma medida humanizada e preventiva diante do aumento nos atendimentos socioassistenciais no Amazonas. Por outro lado, a necessidade de ensinar técnicas de combate a vítimas reflete a persistência dos riscos no ambiente doméstico, exigindo que o poder público mantenha a eficácia das medidas protetivas e a punição dos agressores. A defesa pessoal atua como um recurso emergencial de evasão, devendo caminhar lado a lado com o fortalecimento da segurança pública.

Detalhes do atendimento especializado

O Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher oferece uma estrutura completa de acolhimento para o público feminino:

  • Equipe 100% feminina composta por psicóloga, assistentes sociais e defensoras públicas;
  • Atendimento humanizado e individualizado focado na prestação de assistência e orientação jurídica gratuita;
  • Localização na avenida André Araújo, nº 7, bairro Adrianópolis;
  • Atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h;
  • Agendamento presencial no núcleo ou pelo WhatsApp da Defensoria Pública do Amazonas no número (92) 98559-1599.

Fonte: ASCOM | Aline Ferreira/ DPE-AM

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