
O cenário das investigações sobre o Banco Master sofreu um impacto profundo nesta sexta-feira (6/3). Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no submundo do crime financeiro pelo apelido de “Sicário”, teve sua morte confirmada após um período de internação no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG). A capital mineira, foi o palco final de um dos personagens centrais da recente “Operação Compliance Zero”.
Fim trágico sob custódia
Mourão estava sob custódia da Polícia Federal (PF) desde a última quarta-feira (4/3). Segundo informações oficiais da corporação, ele atentou contra a própria vida dentro da cela na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. O falecimento foi declarado legalmente às 18h55, após a conclusão do protocolo de morte encefálica. O advogado do investigado, Robson Lucas da Silva, confirmou que o corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos de praxe.
Alvo da Operação Compliance Zero
O Sicário foi preso durante um desdobramento da “Operação Compliance Zero”, que mira um esquema bilionário de fraudes no Banco Master. A investigação aponta que ele não era apenas um participante, mas o coordenador de atividades estratégicas para o grupo.
Suas funções incluíam o monitoramento de pessoas, levantamento de dados relevantes e, principalmente, ações de intimidação contra qualquer um que cruzasse o caminho dos interesses da organização criminosa.
Braço direito de Daniel Vorcaro
A PF descreve Mourão como o “longa manus” do banqueiro Daniel Vorcaro. No celular de Vorcaro, os investigadores encontraram diálogos que revelam a face violenta do grupo. Em uma das conversas, os dois planejavam ataques físicos contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, com frases agressivas que mencionavam “quebrar todos os dentes” do profissional de imprensa. Vorcaro, que também foi preso na ação, alega que as mensagens foram tiradas de contexto e que nunca teve intenção de intimidar jornalistas.
Investigação sobre a custódia
A morte de um preso com informações tão sensíveis levanta questionamentos imediatos sobre a segurança dentro das instalações policiais.
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, garantiu que todo o atendimento prestado a Mourão foi registrado em vídeo, sem qualquer ponto cego nas câmeras de segurança.
Um inquérito já foi aberto para apurar detalhadamente as circunstâncias em que o atentado ocorreu, buscando esclarecer se houve qualquer falha na vigilância do detento.
Entenda o cenário atual
A queda de Luiz Phillipi Mourão deixa lacunas em uma investigação que envolve diversas frentes de crimes financeiros.
- Papel central: o Sicário recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar o núcleo de inteligência e intimidação do grupo.
- A Turma: o grupo criminoso era dividido em quatro núcleos distintos que atuavam em corrupção, ocultação de patrimônio e obstrução da Justiça.
- Impacto na investigação: a morte do articulador pode dificultar o acesso a informações sobre o funcionamento interno das fraudes no Banco Master.
- Segurança na cela: os agentes do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) tentaram reanimar o preso por 30 minutos antes da chegada do Samu.
Fique por dentro
A morte de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, encerra um capítulo sombrio, mas abre novas frentes de investigação sobre a conduta do Banco Master e de seus dirigentes. O caso reforça a periculosidade das organizações que misturam crimes do colarinho branco com táticas de violência e perseguição. Enquanto o país acompanha o desenrolar da “Operação Compliance Zero”, a segurança das testemunhas e demais investigados passa a ser uma prioridade ainda maior para garantir que a justiça seja feita.










