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Expulsão nos Estados Unidos expõe o jogo de poder por trás da Polícia Federal

Alexandre Ramagem e Marcelo Ivo de Carvalho – Foto: Divulgação

A relação diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos enfrenta um novo teste de estresse após uma decisão drástica do governo de Donald Trump. O anúncio da expulsão de um representante oficial brasileiro do território americano levanta questionamentos sobre os limites da cooperação policial internacional e o uso das instituições para fins políticos. O caso centraliza atenções pelo peso dos nomes envolvidos e pela gravidade das acusações de interferência no sistema de imigração norte-americano.

Expulsão imediata

A medida foi confirmada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental e pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O alvo da expulsão é o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho. Ele exercia a função estratégica de oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão responsável pela fiscalização de fronteiras e alfândega nos Estados Unidos.

A alegação do governo americano é que Marcelo teria tentado manipular os protocolos migratórios para contornar pedidos de extradição e prolongar perseguições políticas em solo estrangeiro.

A representação diplomática foi incisiva ao afirmar que nenhum estrangeiro tem permissão para usar o sistema americano com o intuito de estender disputas políticas internas.

Enquanto a Polícia Federal informou que não recebeu um comunicado oficial sobre o ato, o Itamaraty optou por não comentar o incidente.

Detenção em Orlando

O cenário de crise ganhou força com a detenção de Alexandre Ramagem na Flórida. O ex-deputado federal pelo PL-RJ e antigo diretor da Abin ficou dois dias sob custódia do ICE em Orlando.

A abordagem ocorreu inicialmente por uma suposta infração de trânsito, mas a verificação dos documentos revelou que seu passaporte diplomático estava anulado. A Câmara dos Deputados havia invalidado o documento em dezembro de 2025 após a cassação do seu mandato parlamentar.

Conflito de versões

Após ser liberado, Alexandre Ramagem utilizou as redes sociais para agradecer ao apoio de figuras da alta cúpula do governo Trump. Ele negou que o motivo da abordagem policial tenha sido uma questão de trânsito, classificando o episódio como um procedimento puramente migratório.

O ex-parlamentar também atacou a gestão da Polícia Federal no Brasil, chamando o diretor-geral Andrei Rodrigues de “vergonha”.

Ramagem sustenta que entrou nos Estados Unidos de forma regular em setembro de 2025 e que seu pedido de asilo político está em fase de análise pelas autoridades competentes.

Histórico e fuga

Alexandre Ramagem é considerado foragido pela justiça brasileira desde setembro de 2025. Ele possui uma condenação de 16 anos de prisão determinada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada às investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado.

O político deixou o Brasil pela fronteira de Roraima com a Guiana antes que o processo fosse finalizado. Atualmente, seu nome consta na lista da Interpol e existe um pedido formal de extradição enviado pelo governo brasileiro.

Resposta de Lula

O presidente Lula reagiu ao episódio durante sua viagem pela Europa. Em Hannover, na Alemanha, o mandatário brasileiro afirmou que, caso seja comprovado um abuso de autoridade por parte dos americanos na expulsão do delegado Marcelo, o Brasil adotará o princípio da reciprocidade.

Lula destacou que não aceitará ingerências externas na atuação dos policiais brasileiros e que o governo aguarda todos os esclarecimentos para decidir os próximos passos diplomáticos.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/eua-expulsam-delegado-brasileiro-envolvido-na-prisao-de-ramagem/

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