
O ator e diretor Gracindo Jr. faleceu aos 83 anos na noite de terça (01/09), em decorrência de causas naturais. Ele estava em sua residência localizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A informação recebeu confirmação do filho do artista, Pedro Gracindo, em comunicado à TV Globo.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, o artista carregava a veia cultural herdada de seu pai, o também consagrado ator Paulo Gracindo. A carreira de Gracindo Jr se mistura com o próprio nascimento da televisão moderna no Brasil. Ele participou ativamente da inauguração da TV Globo em 1965, integrando o primeiro elenco da emissora.
“Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, em dezembro de 1964 eu já estava contratado”, contou Gracindo Jr ao projeto Memória Globo.
Resistência e dedicação
Apesar de ter cursado Psicologia na graduação, o diretor nunca exerceu a profissão e optou por entregar sua vida integralmente à arte. Foram mais de 50 anos de trabalho divididos entre rádio, televisão, teatro e cinema.
Essa caminhada enfrentou perseguições severas. Militante ativo do Partido Comunista, ele teve seus direitos políticos cassados pela ditadura militar no ano de 1964. O ato autoritário atingiu outros 38 artistas, como Dias Gomes e Mário Lago. Impedido de trabalhar no rádio, o ator encontrou espaço de resistência e atuação na televisão, onde acumulou passagens pela TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi.
Obras que marcam gerações
A capacidade criativa do artista rendeu frutos inovadores no audiovisual. No início da década de 1980, ele assumiu a direção e a apresentação dos primeiros videoclipes musicais produzidos e exibidos pelo programa Fantástico. Como ator, brilhou intensamente em novelas clássicas como O Bem-Amado em 1973 e Jogo da Vida em 1982. No ano de 1983, assumiu a direção do humorístico Os Trapalhões, programa que contava com a redação final de Carlos Alberto de Nóbrega.
Sucesso além das fronteiras
O profissional também deixou sua marca em outras emissoras e formatos. Em 1986, trabalhou ao lado de Maitê Proença no grande sucesso Dona Beija, produzido pela TV Manchete. Um ano antes, de volta à TV Globo em 1985, participou da minissérie Tenda dos Milagres e assumiu a direção de alguns episódios do seriado infantil Sítio do Picapau Amarelo.
No final da década de 1990, o diretor comandou episódios do interativo Você Decide e atuou nos primeiros capítulos da minissérie Chiquinha Gonzaga. O talento continuou em evidência nos anos seguintes, com atuações nas novelas Celebridade em 2003 e uma participação especial em Como uma Onda no ano de 2004.
A partir de 2006, o ator iniciou um novo ciclo na TV Record, onde marcou presença em grandes produções, como a minissérie Rei Davi em 2012. Já em 2014, integrou o elenco internacional da novela Ouro Verde, transmitida pela emissora portuguesa Televisão Independente (TVI). Seus últimos passos profissionais também incluíram trabalhos de excelência em plataformas de streaming como a Home Box Office (HBO) e Amazon Prime.










