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Modelo amazonense de saúde em áreas remotas ganha projeção mundial na África do Sul

Fotos: Divulgação/ ASCOM

Com a marca de 5.354 atendimentos realizados entre maio de 2020 e agosto de 2026, a atuação voltada às comunidades isoladas da Amazônia ganhou visibilidade global. A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) apresentou os resultados do “Programa Saúde na Floresta” durante o 18º Congresso Mundial de Saúde Pública, realizado entre os dias 6 e 9 de setembro na Cidade do Cabo, África do Sul.

A instituição foi representada por Mickela Souza Costa, gerente do “Programa Saúde na Floresta”. Um resumo detalhado sobre o trabalho desenvolvido pelo projeto “SUS na Floresta” foi selecionado para compor a programação oficial, marcando a estreia da organização no encontro internacional.

Organizado pela Federação Mundial de Associações de Saúde Pública (WFPHA) em parceria com a Associação de Saúde Pública da África do Sul (PHASA), o congresso reuniu pesquisadores, gestores, formuladores de políticas e profissionais de várias partes do mundo. A edição de 2026 adotou o tema “Saúde sem Fronteiras: Equidade, Inclusão e Sustentabilidade”, concentrando debates em tópicos como Atenção Primária à Saúde, justiça social e o futuro do setor.

“Ter o projeto SUS na Floresta aprovado para este congresso nos permitiu levar a realidade amazônica a um espaço internacional de saúde pública. Foi uma oportunidade de mostrar como a FAS apoia a gestão municipal para ampliar a promoção e a assistência à saúde em áreas remotas, além de trocar experiências com profissionais de diferentes países sobre soluções que podem ser adaptadas a outros territórios”, afirma Mickela Souza Costa.

A participação ocorreu em formato de workshop. A apresentação detalhou a colaboração entre a sociedade civil e a administração pública na Atenção Primária à Saúde em localidades de difícil acesso, expondo a estrutura institucional do “Programa Saúde na Floresta” e os resultados do projeto “SUS na Floresta” nos municípios.

“Em formato de workshop, apresentamos a estratégia e como apoiamos a gestão municipal para que tenha o suporte necessário para desenvolver o trabalho de promoção e assistência à saúde nas áreas remotas onde a FAS atua. Também mostramos o que é o Programa Saúde na Floresta e como o projeto SUS na Floresta vem fazendo a diferença nos municípios em que está sendo implantado”, explica Mickela Souza Costa.

Atuação nos rios amazônicos

Na dinâmica regional, as vias fluviais funcionam como ruas e definem o tempo, os custos e a logística das viagens. Para responder a esses desafios, o “Programa Saúde na Floresta” estruturou uma rede que integra postos de atendimento, telessaúde, conectividade, recursos digitais, capacitação de agentes comunitários e suporte operacional.

A logística dispõe de ambulanchas voltadas para urgências e emergências, além de pequenas embarcações destinadas ao transporte das equipes médicas. O trabalho é executado em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, responsáveis por receber os pontos e realizar as consultas.

Balanço dos atendimentos realizados

  • Consultas virtuais: 794 teleconsultas distribuídas entre medicina, enfermagem, nutrição e psicologia.
  • Atendimentos presenciais: 304 consultas diretas prestadas às populações das comunidades.
  • Cuidados odontológicos: 256 procedimentos focados na saúde bucal.
  • Estrutura física: 6 pontos de atendimento e 1 alojamento para acolher os profissionais nos territórios, com entregas finalizadas em 2026.

Impactos das mudanças climáticas

O debate exposto no evento também tratou de como as alterações no clima intensificam as dificuldades de acesso aos serviços básicos na região. Fenômenos como secas, cheias e variações na navegabilidade dos rios aumentam os gargalos de infraestrutura, elevam os custos logísticos, prejudicam as comunicações e dificultam a permanência das equipes de saúde nas localidades distantes.

Ao ocupar esse espaço de discussão global, a FAS colocou a realidade das populações ribeirinhas no centro do debate internacional, compartilhando uma experiência construída por meio da cooperação direta entre a sociedade civil, o poder público e os moradores locais.

Sobre o SUS na Floresta

O projeto SUS na Floresta é realizado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundo Vale e Umane, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico das Prefeituras de Carauari, Itapiranga, Novo Aripuanã, Uarini e Eirunepé e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Ele tem como objetivo fortalecer e apoiar a Atenção Primária à Saúde (APS) em comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas por meio da estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao SUS, ampliando a assistência nessas regiões.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

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