
A corrida eleitoral no Amazonas ganhou um importante capítulo de observação internacional nesta terça feira (20/10). A candidata a vice governadora Alessandra Campelo, que compõe a chapa ao lado de Omar Aziz pelo PSD, recebeu as representantes da Missão de Especialistas Eleitorais da União Europeia, Tânia Marques e Merce Castells. O objetivo da reunião foi debater as particularidades do processo eleitoral amazonense, a efetiva participação das mulheres na política e os obstáculos enfrentados ao longo da campanha.
A presença da comitiva internacional integra as ações de acompanhamento do pleito no Brasil. A convite do Tribunal Superior Eleitoral, a equipe da União Europeia iniciou as atividades em agosto e deve permanecer no país até novembro, acompanhando e analisando as diversas etapas das Eleições Gerais de 2026.
Durante o diálogo com as especialistas europeias, Alessandra apresentou um panorama das atividades de sua campanha e reforçou a complexidade de realizar um pleito em um estado com dimensões continentais. A distribuição e o transporte das urnas eletrônicas para comunidades indígenas e localidades de difícil acesso representam um desafio imenso para a logística local.
Na oportunidade, a candidata elogiou publicamente a atuação do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas e ressaltou que a chapa tem focado na apresentação de propostas, mesmo diante dos ataques sofridos no período eleitoral.
“O TRE sempre atuou muito bem aqui no estado. Eu diria que, agora, com uma mulher na presidência, a desembargadora Carla Reis, que é uma pessoa muito séria, muito firme e muito justa, esse trabalho continua”, pontuou Alessandra Campelo.
Barreiras e representatividade feminina
Um dos pontos centrais da discussão foi a presença feminina nos espaços de poder. Alessandra criticou a eficácia limitada das cotas eleitorais atuais, argumentando que a reserva de 30% das candidaturas para mulheres não garante igualdade real de condições, especialmente em razão do predomínio masculino nos cargos de direção partidária e da sobrecarga decorrente das tarefas domésticas.
“Muitas vezes, as mulheres são colocadas apenas para preencher o número. As eleições são conduzidas por homens, e muitos tratam a participação das mulheres como uma obrigação”, afirmou a candidata.
A deputada destacou ainda o impacto da dupla jornada de trabalho na rotina das postulantes a cargos públicos.
“Quando um homem sai para fazer campanha, ele se dedica totalmente à política. A mulher, não. Ela carrega ainda toda essa bagagem de cuidados e responsabilidades”, declarou Alessandra.
No campo das denúncias, a candidata relatou ter sofrido um episódio de violência política de gênero na semana anterior à reunião. Alessandra lamentou abertamente a ausência de posicionamentos públicos de repúdio ou solidariedade por parte de sua adversária política diante do ocorrido.
Propostas para o Amazonas
Além dos temas institucionais e de gênero, a reunião serviu para a exposição das diretrizes do plano de governo encabeçado por Omar Aziz. Foram apresentadas propostas voltadas para a saúde, segurança pública, educação e mecanismos diretos de proteção às mulheres.
A análise crítica apresentada aos observadores europeus enfatizou o contraste entre as riquezas naturais da região e a realidade socioeconômica da população local.
“Nossa maior preocupação é com o desenvolvimento do estado. Vivemos em um estado distante, isolado geograficamente. Precisamos de outras alternativas, porque não podemos viver em meio a tanta riqueza e ter pessoas tão pobres”, ressaltou Alessandra.
Fonte: ASCOM | Marhia Edhuarda Bessa










