
A comemoração dos 80 anos de Maria Bethânia, realizada nesta quinta-feira, dia 18, traz uma reflexão importante que vai além da festa no Rio de Janeiro. Em um mercado da música que muitas vezes prioriza modismos passageiros, a permanência da cantora baiana no topo da atenção pública serve de exemplo de solidez na carreira.
O evento não funcionou apenas como uma lembrança do passado, mas sim como o ponto de partida para um projeto que movimenta a produção artística atual.
Festa no Rio
Durante a noite, a aniversariante dançou com Paulinho da Viola ao som da música “Ainda bem”, obra de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.
O momento descontraído foi acompanhado por convidados como as atrizes Renata Sorrah e Maitê Proença, além da cantora Vanessa da Mata.
Essa reunião de nomes conhecidos mostra o prestígio que a artista mantém entre diferentes gerações do meio artístico.
Retorno aos palcos
O clima de proximidade visto na pista antecipa o show que os dois músicos farão no dia 8 de agosto. Eles vão cantar juntos no “Festival Doce Maravilha”, no Jockey Club, na zona sul da capital fluminense.
A apresentação ganhou força depois que o sambista usou a rede social Instagram para compartilhar lembranças da parceria.
“Querida Bethânia, não vejo a hora de nos reencontrarmos nos palcos. Em mais uma lembrança pelos seus 80 anos, relembro a turnê que fizemos pela Europa em 1972”, afirmou Paulinho da Viola.
A ligação entre eles é antiga. Em 1969, os dois apareceram jovens cantando “Rosa Maria”, composição de Eden Silva e Aníbal da Silva. A cena ocorreu em um bar na praia de Itaipu, em Niterói, e virou parte do documentário “Saravah”, do diretor francês Pierre Barouh. Esse histórico afasta qualquer suspeita de que a nova reunião seja apenas um interesse comercial de gravadoras.
Início da carreira
O aniversário também trouxe depoimentos sobre o começo de tudo. O irmão Caetano Veloso relembrou quando os dois saíram da Bahia rumo ao Sudeste, em 1965.
“Ela estava com menos de 18 anos quando vim trazê-la para fazer o Opinião. Meu pai exigira que eu viesse tomar conta dela”, afirmou Caetano Veloso, citando o espetáculo ‘Opinião’.
Mesmo jovem, o compositor já sabia o impacto que a irmã causaria.
“Eu já tinha 21 e compunha canções. Mas soube o tempo todo que estava trazendo uma personalidade genial para o mundo da cultura brasileira. Parabéns a todos nós pelo dia dela”, afirmou Caetano Veloso.
Aos 80 anos, Maria Bethânia prova que aquela antiga avaliação estava correta, cobrando do público um olhar mais atento para a preservação da Música Popular Brasileira (MPB).










