
Na segunda-feira (22), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 em uma tarde que entrou fácil para o hall das sessões mais improváveis do ano.
Deputados como Sinésio Campos (PT) e Comandante Dan (Republicanos) reclamaram que o texto simplesmente não estava disponível no site do Poder no momento da votação.
O detalhe era aparentemente pequeno, mas suficiente para transformar o plenário em um misto de comissão técnica e roda de protestos formais.
Sinésio e Dan cuspiram fogo, irritados com a ironia de aprovar o orçamento antes de “ler o orçamento publicado”.
“Parecer cotó”, emendas rejeitadas

O relator da LDO, deputado Carlinhos Bessa, entrou no centro da polêmica ao apresentar um parecer único recomendando a rejeição das 67 emendas.
A expressão usada pelo deputado Sinésio Campos — “parecer cotó” — acabou virando o resumo não oficial da tarde quente no Legislativo Estadual.
Em versão parlamentar da economia de escala, todas as emendas foram rejeitadas em bloco, o que gerou questionamentos sobre a eficiência do método: criticou-se até a possibilidade de que o “individual” tivesse sido um conceito abstrato demais para o documento.
Unanimidade maluca
Apesar das críticas, a aprovação da LDO ocorreu de forma unânime, um daqueles consensos legislativos em que todos concordam em discordar depois. Um pandemônio.
O deputado Comandante Dan registrou insatisfação com a rejeição das emendas, enquanto o clima geral oscilava entre a formalidade da votação e a informalidade das cobranças.
No fim, a LDO avançou, mas deixou no ar a sensação de que o debate técnico ficou para uma próxima edição, talvez com o PDF previamente publicado.
Matemática da tranquilidade

Em entrevista à Rádio Difusora, o governador Roberto Cidade adotou o tom clássico da gestão sob pressão: houve queda de R$ 695 milhões na arrecadação, mas os serviços continuam firmes, fortes e funcionando dentro da normalidade possível.
Entre cortes e reorganização, o discurso foi de estabilidade, uma espécie de “ajuste fiscal sem dor”, ao menos na narrativa oficial.
Segurança, saúde e obras
Na entrevista à Difusora, o governador Cidade destacou o programa “Segurança Presente”, expansão de serviços e regularização de repasses na saúde, além de obras em unidades hospitalares.
Mesmo com queda de receita, o governo teria conseguido manter o ritmo das entregas. Na prática política, a mensagem que fica é que a crise fiscal existe, mas a agenda de anúncios seguiu em alta performance na “Emissora do Povo”.
Muitas versões de dragagem

Uma nota técnica sobre a hidrovia do Rio Madeira voltou a expor inconsistências entre licenças, planos e execução das dragagens na região amazônica.
Em um cenário onde o mapa muda mais rápido que a batimetria, surgem divergências entre os pontos autorizados e os efetivamente dragados, criando uma espécie de “cartografia adaptativa” da engenharia fluvial.
Enquanto a licença ambiental menciona um conjunto de pontos, planos mais recentes ampliam — ou reinterpretam — o número de intervenções possíveis. O resultado é um empilhamento de versões oficiais que, juntas, formam um mosaico difícil de reconciliar. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) não se manifestou.










