Marcos Maurício Costa Infraestrutura Rodoviária: o Amazonas aprisionado no eterno lamaçal

Infraestrutura Rodoviária: o Amazonas aprisionado no eterno lamaçal

Por Marcos Mauricio Costa (*)

A rodovia BR-319, responsável por interligar Manaus, capital do Amazonas, a Porto Velho, capital de Rondônia, e que já foi totalmente asfaltada ao longo dos seus 885 quilômetros, por ocasião da sua inauguração, em 27 de março de 1976, transformou-se e não é de hoje em um grande palanque eleitoral. Escrevi, recentemente, outro artigo de opinião cujo título foi exatamente este.

Porém, enquanto os holofotes estão voltados para a velha e requentada promessa de repavimentação do Trecho do Meio (Km 250,7 ao 656,4) da BR-319, de 405,7 quilômetros, outra rodovia, também federal, está a “olhos vistos” sendo destruída.

Refiro-me à rodovia BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, em Roraima e possui 777 quilômetros de extensão.

Neste último domingo (24/5), a instabilidade e consequente deslizamento de um talude provocou o fechamento total da pista, por mais de 12 horas, no antigo km 163 (atual 1.047) e reacendeu questionamentos sobre os planos de trabalho e de ação voltados para a manutenção e conservação rodoviária, sobretudo na área geográfica do Amazonas.

Enquanto obras de construção e restauração das camadas estruturais de pavimentos dependem do verão amazônico, período de menor índice pluviométrico aqui na nossa região, os serviços de manutenção e conservação rodoviária devem ser realizados a qualquer momento.

Ocorre que as patologias constatadas na rodovia BR-174, trechos após o município de Presidente Figueiredo, no antigo km 107, até a divisa AM/RR, no km 255 (rio Alalaú), de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT-AM), evidenciam a falta de monitoramento das condições de trafegabilidade e, ainda, a falta de controle de peso.

  • Conclusão: enquanto o palanque eleitoral da rodovia BR-319 é utilizado sem pudor e de forma escancarada para iludir o eleitor desavisado, outro bem público (BR-174), repito, vem sendo destruído diante dos nossos olhos, pela inércia do poder público, sem que políticos, sobretudo do Amazonas, demonstrem interesse em fiscalizar a execução de obras e serviços de engenharia na rodovia BR-174 e cobrar respostas e ações dos órgãos e entes responsáveis pela nossa malha rodoviária federal.

 (*) Professor universitário, engenheiro civil e advogado

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