
A busca por uma vida saudável ganhou um novo capítulo na capital amazonense por meio da união entre a mobilização social na internet e o acolhimento do poder público. Nesta quinta-feira (18/6), a Prefeitura de Manaus deu início a uma importante fase de expansão no projeto “Perder para Ganhar”.
A novidade fica por conta da chegada de 130 novos integrantes que se organizaram inicialmente nas redes sociais para perder peso e agora recebem o suporte da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel).
Os primeiros 11 voluntários começaram os exames na Unidade de Saúde da Família (USF) Adalgiza Barbosa de Lima, localizada no bairro Lírio do Vale.
A mobilização
O acolhimento médico tenta quebrar barreiras que vão muito além da balança, incluindo o isolamento provocado pelo preconceito. O programa atende prioritariamente quem convive com a obesidade severa, apresentando um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 35 kg/m².
“Muitas pessoas com obesidade até evitam sair para uma caminhada por conta do preconceito. Por meio do programa, a Semsa e a Semjel atendem e auxiliam esses usuários na caminhada para a perda de peso saudável”, apontou a chefe do Núcleo de Atenção à Saúde de Pessoas com Doenças Respiratórias, Obesidade e Neoplasias, Lilian Paula Lima.
Para quem enfrenta essa batalha diariamente, o suporte especializado representa uma oportunidade real de mudança de vida.
“Vamos nos doar, abraçar esse projeto. Para nós, obesos, é muito difícil, e esse projeto proporciona um apoio importante. Espero me dedicar e ter bons ganhos e resultados. A vontade é realmente ser outra pessoa”, declarou o participante Celso Marques durante a triagem inicial.
A mesma esperança é compartilhada pela usuária Adriana Marques ao relatar os impactos positivos de contar com ajuda profissional nesse processo.
“É uma ajuda maravilhosa que estamos tendo. Minha expectativa é ter uma boa evolução com o programa, com perda de peso e ganho em qualidade de vida”, disse a usuária Adriana Marques.
O amparo
O grande diferencial do programa consiste no acompanhamento integrado antes de qualquer esforço físico. Os pacientes realizam exames clínicos, avaliações dermatológicas e passam por especialistas na rede de cardiologia para garantir a total segurança antes de frequentar os Centros de Esporte e Lazer (CELs). A retaguarda conta com o trabalho das Equipes Multiprofissionais (eMulti), reunindo médicos, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais.
“A força de vontade e querer da pessoa é crucial, claro, mas buscamos dar também todo o apoio possível para que ela possa ter a redução do peso, de forma planejada e progressiva, e com isso ter mais saúde e mais qualidade de vida”, assinalou o subsecretário municipal de Gestão da Saúde da Semsa, Djalma Coelho.
Os demais integrantes do grupo de emagrecimento que realizaram o cadastro prévio serão agendados para avaliações nas próximas semanas. Os atendimentos vão ocorrer em unidades de saúde mais próximas de suas residências, abrangendo os distritos norte, leste e sul da rede básica municipal.
A análise
Uma avaliação analítica do cenário revela acertos estratégicos e desafios estruturais importantes. A decisão de acolher grupos organizados de forma espontânea no ambiente digital demonstra uma excelente sensibilidade da gestão pública, encurtando o caminho entre o cidadão e o tratamento médico. Levar essas pessoas para a rede de atenção primária fortalece o combate a uma doença crônica que costuma sobrecarregar os hospitais no longo prazo.
Contudo, a dimensão do programa ainda contrasta com a demanda real da cidade. Com apenas 31 usuários ativos antes dessa nova leva, o projeto funcionava de maneira tímida diante de uma população numerosa que sofre com o sobrepeso.
O grande teste para as secretarias municipais será manter a qualidade do atendimento personalizado com o ingresso repentino de mais de uma centena de pacientes. Garantir que as equipes multidisciplinares e os educadores físicos tenham insumos e estrutura adequados nos bairros é fundamental para que a expansão não resulte em filas ou abandono do tratamento.
Fonte: ASCOM | Jony Clay Borges/Semsa










