
A consistência tática e o talento individual costumam ditar o ritmo das grandes seleções, mas o futebol sempre encontra maneiras de desafiar o favoritismo. No Gillette Stadium, em Foxborough, nos Estados Unidos (EUA), a França carimbou o passaporte para a semifinal da Copa do Mundo de 2026 ao vencer Marrocos por 2 a 0.
O resultado coloca o elenco comandado por Didier Deschamps na rota do sobrevivente entre Espanha e Bélgica, em partida que ocorre nesta sexta-feira (09), às 16h. No entanto, o placar final esconde as nuances de um confronto que testou a estabilidade emocional dos atuais vice-campeões mundiais.
O susto na marca penal
A França iniciou o duelo disposta a sufocar a surpresa africana. Adotando uma postura agressiva com linhas altas, o time pressionava a saída de bola e dominava por completo as segundas jogadas.
Logo aos quatro minutos, o goleiro Yassini Bounou precisou operar um milagre para salvar uma cabeçada à queima-roupa de Dayot Upamecano, além de espalmar um chute venenoso de Kylian Mbappé de fora da área.
O domínio francês parecia inabalável até o momento em que Marrocos tentou adiantar suas linhas, deixando o campo aberto para a transição veloz da França. Após receber passe de Michael Olise, Mbappé arrancou em alta velocidade pela esquerda e acabou derrubado por Noussair Mazraoui, que deu um bote atrasado na área. O cenário parecia perfeito para abrir o placar, mas a cobrança do camisa 10 foi fraca e rasteiro, facilitando a defesa de Bounou.
O erro não diminuiu o ritmo do bombardeio francês. Pouco depois, Désiré Doué desarmou Ayyoub Bouaddi na saída defensiva e exigiu outra grande defesa do goleiro marroquino. Apesar das 13 finalizações francesas no primeiro tempo, o sistema defensivo de Marrocos resistiu bravamente, enquanto seu ataque pouco assustou, limitando-se a uma cobrança de falta de Achraf Hakimi que passou longe da meta.
A redenção dos craques
“Sabíamos do perigo de Marrocos nos contra-ataques”, afirmou o treinador Didier Deschamps ao analisar a postura de um adversário que já havia surpreendido o mundo ao eliminar a Holanda nos pênaltis e vencer o Canadá por 3 a 0. A segunda etapa começou menos vertical, exigindo paciência coletiva para furar o bloqueio defensivo.
A redenção do principal astro do time aconteceu aos dez minutos do segundo tempo. Após receber um passe açucarado de Désiré Doué, Mbappé limpou a marcação de quatro jogadores marroquinos e soltou uma bomba no ângulo direito, sem chances de defesa. Com a pintura, o atacante chegou ao seu oitavo gol na competição, igualando a marca do argentino Lionel Messi na artilharia do torneio.
O gol desestruturou a estratégia de Marrocos. Com mais espaço para trabalhar a bola, Ousmane Dembélé recebeu na entrada da área, cortou para o meio e finalizou firme no canto direito de Bounou, que até tocou na bola, mas não evitou o segundo gol. A partir dali, a promissora e jovem geração francesa controlou as ações até o apito final, alcançando a sua terceira semifinal consecutiva na história das Copas.
Inglaterra x Noruega

Enquanto os franceses celebram a vaga, o outro lado do chaveamento traz neste sábado, 11 de julho, um confronto pesado entre Noruega e Inglaterra, às 18hs. Os noruegueses chegam embalados após eliminarem o Brasil por 2 a 1 nas quartas de final. Do outro lado, a Inglaterra carimbou sua classificação com uma vitória heróica por 3 a 2 diante do México no Estádio Azteca, superando a desvantagem de atuar com um jogador a menos.
O retrospecto histórico de 12 partidas coloca o favoritismo do lado inglês, mas o futebol atual não se apega apenas aos números do passado.
- Vitórias da Inglaterra somam 7 triunfos com um aproveitamento de 58%
- Vitórias da Noruega registram apenas dois sucessos obtidos dentro de casa
- Empates totalizam três confrontos terminados em igualdade de placar
- Gols marcados apontam ampla vantagem inglesa com 28 tentos contra 7 dos nórdicos
O maior desafio histórico da Noruega é quebrar o tabu de nunca ter vencido a Inglaterra fora de seus domínios. O último encontro oficial ocorreu em um amistoso em 3 de setembro de 2014, com vitória inglesa por 1 a 0 graças ao gol de Wayne Rooney.
Para encontrar a última vitória dos escandinavos, é preciso retornar a 2 de junho de 1993, quando venceram por 2 a 0 em partida válida pelas eliminatórias da “Copa do Mundo de 1994”.










