
Nada como um “protocolo de intenções” para multiplicar milagres, segundo publicou o jornal O Globo sobre o escândalo envolvendo o deputado federal Silas Câmara (Republicanos). O acordo celebrado no INSS, com bênção política e foto oficial, prometia um “novo momento” para pescadores artesanais.
O novo momento veio: R$ 221 milhões depois, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) virou um case de sucesso — financeiro, ao menos.
O detalhe inconveniente é que, conforme a CGU, ninguém lembrava de ter autorizado os descontos. Mas aí já é exigir demais da memória coletiva, não é? O peixe cresce, o desconto também, e a fé segue firme — sobretudo na eficácia da folha de pagamento do INSS.
Negócio de família, literalmente

Se a Bíblia fala em multiplicar talentos, a CBPA levou isso ao pé da letra. Contratos pingaram em empresas de sogra, cunhada, filhos e até na rádio da família. Tudo muito profissional, tudo muito legal, de acordo com a defesa.
Afinal, parentesco não implica irregularidade. No máximo, implica confiança. E confiança, como se sabe, é um ativo valioso quando se administra milhões vindos de descontos “não lembrados” por aposentados. A CPI que lute para separar coincidência de comunhão.
Quando o púlpito encontra a CPI

A CPI do INSS conseguiu um feito raro: dividir o campo evangélico, antes tão afinado politicamente. A senadora Damares atirou, o pastor Silas Malafaia devolveu, o outro pastor André Valadão entrou na roda, e o discurso da unidade virou debate de bastidores.
No meio disso tudo, a suspeita de que “grandes pastores” passaram perto demais do dinheiro dos pobres. Uns ganham banana e farinha, outros contratos e holofotes. A fé continua, mas a harmonia eleitoral parece ter pedido licença.
PIM como escudo verde, que não existe

Em artigo no Jornal do Commercio, Juarez Baldoino fez o que poucos ousam: desmontou, com dados e lógica, o mantra de que o Polo Industrial de Manaus protege a floresta. A conclusão foi direta e pouco romântica: PIM e floresta vivem em universos paralelos.
Não há comunicação econômica, nem causalidade ambiental. A floresta não depende da linha de montagem de TVs, e o trabalhador do polo não vai trocar crachá por motosserra se os incentivos acabarem. O apelo ambiental, nesse caso, é mais marketing do que ciência.
Medo do êxodo que não ocorreria
Outro ponto incômodo do artigo de Juarez Baldoíno é a ideia de que, sem a ZFM, Manaus “invadiria” a floresta. Baldoino lembra o óbvio ignorado — o interior não tem estrutura mínima para absorver esse contingente humano.
Sem estrada, sem hospital, sem escola, sem energia regular. A floresta segue em pé por outros fatores, e não porque o PIM a vigia à distância. A ZFM pode e deve ser defendida, mas não com um discurso ambiental que não se sustenta.
Orelha e a falácia do “é de todos”

Em vídeo que viralizou nas redes sociais, O professor Adry Araujo, abordando o caso do cão Orelha, foi direto, humano e incômodo: o tal “cão comunitário” do bairro costuma ser, na prática, um cão sem dono e sem proteção.
Comida não substitui abrigo. Carinho não substitui segurança, diz Adry.
“O caso de Orelha escancara isso. Bastava uma garagem, um pátio, um canto seguro. Não houve. E à noite, quando a rua fica sem testemunhas, a violência aparece”.
O protesto de Adry não acusa, mas convoca os cidadãos de bom senso. Quem diz amar, precisa proteger de verdade.
Adeus a Carlos Bessa

O Amazonas perdeu um homem do diálogo, do campo e do interior. Carlos Bessa foi deputado estadual, gestor público, defensor do agro, dirigente esportivo e referência em Manacapuru, sua terra natal.
Sua trajetória se confunde com a luta por desenvolvimento fora da capital, com respeito a quem produz e vive da terra. Fica o legado, ficam os exemplos e a memória de um tempo em que política também era presença, escuta e compromisso.
À família, aos amigos e a Manacapuru, nossa solidariedade.










