
O Cineteatro Guarany se prepara para receber a abertura da 2ª edição da “Ecoa – Mostra Socioambiental de Cinema de Manaus” na sexta-feira, dia 22 de maio, a partir das 18h. O evento integra a programação do “Cineclube de Arte” com entrada gratuita e classificação livre.
Mais do que entretenimento, a iniciativa lança uma provocação necessária sobre o papel da arte na discussão de temas urgentes como território, memória, identidade e preservação ecológica.
Com o suporte da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, o projeto ocupa espaços históricos da capital amazonense para aproximar a população de narrativas audiovisuais que tocam nas feridas e nas belezas das diferentes realidades do interior e das áreas urbanas da região.
O endereço de abertura fica na Villa Ninita, anexo ao Palácio Rio Negro, localizado na avenida Sete de Setembro, número 1.546, no Centro de Manaus.
Estreia e reflexão
A noite de estreia contará com a exibição de dois filmes fortes em termos de narrativa social. O público poderá assistir ao documentário “Mulheres que Sustentam a Amazônia”, sob a direção de Victor Rosalino, e também à produção “Do Colo da Terra”, assinada por Renata Meirelles e David Vêluz.
Ambas as obras mergulham no cotidiano comunitário, na infância indígena, na espiritualidade e nas conexões profundas estabelecidas entre as pessoas e a natureza. É um tipo de cinema que incomoda positivamente ao expor que o meio ambiente não é um conceito isolado, mas sim o próprio lar de populações tradicionais que lutam pela garantia de seus territórios.
Um dos coordenadores da mostra, Henrique Amud, reforça que a iniciativa nasceu justamente para romper barreiras e fazer circular produções que fujam do circuito comercial tradicional.
“A nossa intenção é trazer filmes que discutam identidade, memória, território e preservação da natureza, aproximando o público dessas realidades e dessas vivências”, afirmou o organizador.
Espaço aos locais
No total, a curadoria selecionou 29 filmes brasileiros entre curtas e longas-metragens para compor a grade de exibição. Desse montante, seis obras carregam a assinatura de realizadores locais ou foram produzidas no próprio Amazonas, garantindo o fortalecimento do mercado audiovisual do estado perante o cenário nacional.
- Total de produções: 29 filmes nacionais selecionados
- Representatividade local: Seis obras com direção ou produção do Amazonas
- Formato de debate: Rodas de conversa com o público após cada sessão
- Acessibilidade: Exibições preparadas para inclusão de diferentes públicos
O aspecto mais rico da proposta reside na construção de espaços para trocas intelectuais após o término das projeções. A mostra se posiciona de forma crítica ao não aceitar o espectador passivo. A ideia é fazer com que o público saia da sala debatendo pertencimento e coletividade.
“A mostra fala muito sobre viver em comunidade e sobre perceber que essas questões fazem parte da nossa realidade. São filmes que trazem experiências muito humanas e que ajudam a ampliar esse olhar coletivo”, destacou Henrique Amud, evidenciando o cinema como ferramenta de transformação política e cultural.
Continuidade e locais
Após a abertura oficial no Cineteatro Guarany, a maratona de exibições da “ECOA” migra para o Teatro Gebes Medeiros nos dias 23 e 24 de maio, oferecendo sessões acessíveis acompanhadas de debates.
No sábado, a programação de filmes começa nos horários de 16h, 17h30 e 19h15. Já no domingo, a exibição dos blocos finais de filmes ocorre nos horários de 15h, 16h35 e 18h15.
A mostra cumpre um papel excelente ao democratizar o acesso à cultura no coração da cidade, mas também deixa no ar uma crítica velada sobre a necessidade de maior fomento contínuo para que cineastas do Norte consigam produzir o ano inteiro, e não apenas em períodos festivos ou datas comemorativas.
A preservação da floresta passa, obrigatoriamente, pela valorização das vozes de quem vive e filma a realidade local.










