
A corrida pelas bases eleitorais na periferia de Manaus movimenta os principais nomes da bancada federal do Amazonas. Em agendas recentes nos bairros Jorge Teixeira e Armando Mendes, o senador Eduardo Braga, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), realizou reuniões com moradores para apresentar um balanço de suas ações e cobrar respostas para problemas antigos que travam o desenvolvimento da capital.
O corpo a corpo com o eleitorado da zona leste expõe uma estratégia clara de vincular a imagem de lideranças tradicionais a repasses de recursos federais, servindo também como termômetro para as pretensões políticas dos grupos envolvidos.
Alianças na Zona Leste
No bairro Jorge Teixeira, o palanque político ganhou musculatura com a presença do senador Omar Aziz, do Partido Social Democrático (PSD), das lideranças estaduais Alessandra Campelo e Thiago Abrahim, além do vereador Eurico Tavares. O grupo focou as falas nas obras de contenção de erosão da comunidade Pingo d’Água, uma das 19 frentes de intervenção executadas pela prefeitura municipal com verbas articuladas pelos senadores em Brasília.
“O Pingo d’Água está em obra por causa da emenda que nós arrumamos para ajudar a resolver o problema da erosão. Assim como lá, existem outras 18 erosões na cidade de Manaus que também estão em obras graças às emendas que conseguimos destinar”, afirmou Eduardo Braga.
A declaração reforça a dependência do município em relação às emendas parlamentares para executar serviços básicos de infraestrutura urbana.
Habitação e metas sociais
Outro ponto central dos encontros foi o impacto do programa Minha Casa, Minha Vida, cuja comissão de análise no Congresso Nacional foi presidida pelo próprio senador. A meta estipulada para o Amazonas é de aproximadamente 20 mil unidades habitacionais espalhadas entre a capital e os municípios do interior.
Para sensibilizar o público, o parlamentar relembrou o caso real de uma beneficiária do bairro da Glória que enfrentava extrema vulnerabilidade social com suas quatro filhas.
“Ela morava debaixo de uma parada de ônibus. Graças ao nosso trabalho, ela ganhou uma casa própria para poder abrigar os seus quatro filhos e a ela”, relatou Eduardo Braga.
O uso de narrativas de forte apelo social funciona para validar a importância dos programas habitacionais, mas esbarra no déficit histórico de moradias que a cidade ainda não conseguiu superar.
Cobranças por obras paradas
Na passagem pelo bairro Armando Mendes, realizada ao lado do pré-candidato a deputado federal Jesus Pinheiro, o tom do discurso migrou para o resgate de antigas ações da sua vida pública. O senador listou a entrega de poços artesianos, escolas, posto de saúde, quadra coberta, cozinha comunitária e o Centro Social Urbano (CSU) na localidade.
“O bairro Armando Mendes tem tudo a ver com a minha história política e com o meu compromisso de ajudar as pessoas”, disse Eduardo Braga.
Contudo o ponto alto da crítica administrativa mirou a paralisação do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (PROSAMIN) na Comunidade Sharp. O senador lembrou que o projeto foi desenhado ainda na sua época de governador e que, mesmo após 16 anos de sua saída do comando estadual, a intervenção segue inacabada, penalizando os moradores que convivem com alagamentos.
Sobrou espaço também para queixas contra a atual situação da rede estadual de saúde, apontando o sofrimento da população com a fila de espera por exames básicos e cirurgias eletivas.
Eixos econômicos em debate
A consolidação dos principais tópicos abordados nas reuniões comunitárias ajuda a compreender as prioridades defendidas para o futuro econômico e estrutural do estado.
- Investimentos: recursos federais viabilizados por emendas parlamentares buscam conter a erosão na comunidade Pingo d’Água e em outras frentes da cidade.
- Moradia: o planejamento nacional prevê a entrega de cerca de 20 mil unidades habitacionais destinadas ao atendimento da capital e do interior.
- Saneamento: a lentidão nas obras da Comunidade Sharp demonstra a falta de continuidade administrativa após 16 anos de troca de gestão.
- Saúde: o sistema estadual recebe críticas duras devido à extensa espera da população para a realização de exames e procedimentos cirúrgicos.
Ao tentar se desvincular das polarizações ideológicas nacionais que dividem o eleitorado, o senador buscou focar o encerramento das atividades em uma postura prática sobre as necessidades das comunidades de periferia.
“Eu não sou de direita nem de esquerda. Sou amazonense e quero uma vida melhor para o povo do Amazonas. Ideologia não tapa buraco, não asfalta a tua rua, não coloca uma escola boa no teu bairro, não resolve o problema do hospital e nem da segurança pública. Para resolver tudo isso é preciso trabalho, coragem e dedicação. É isso que nós oferecemos ao nosso Amazonas querido”, afirmou Eduardo Braga, sintetizando o posicionamento que adota para dialogar com diferentes frentes partidárias enquanto defende pautas locais como os incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e a pavimentação da rodovia BR-319.
Fonte: ASCOM | Cléo Pinheiro










