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David Almeida aposta em prazo de 12 meses para acabar com a espera no Sisreg

David Almeida - Foto: Divulgação/ ASCOM

O candidato ao Governo do Amazonas pelo Avante, David Almeida, assumiu o compromisso público de eliminar totalmente a fila do Sistema de Regulação (Sisreg) no prazo de 12 meses. A declaração ocorreu durante entrevista ao vivo na Rádio Difusora, no programa Daniel Anzoategui, na manhã desta quinta-feira, dia 10 de setembro. A proposta coloca no centro do debate eleitoral a crise crônica no atendimento público de saúde no estado, onde milhares de cidadãos aguardam por anos para realizar exames e procedimentos cirúrgicos essenciais.

Durante a transmissão, o postulante relatou casos acompanhados em agendas de rua para ilustrar a gravidade da situação.

“Ontem mesmo, eu estava numa reunião e uma moça falou que estava há treze anos esperando uma cirurgia. Treze anos!”, afirmou David Almeida. De acordo com os dados apresentados pelo candidato, existem aproximadamente 1,5 milhão de procedimentos acumulados na rede estadual.

Ele acrescentou ainda que 1.573 pessoas morreram desde o ano de 2023 sem conseguir o acesso necessário a exames ou intervenções cirúrgicas.

Diante desses números, o candidato defendeu uma reação imediata e cobrou uma postura indignada da população diante do gargalo na assistência médica.

“Nenhum amazonense vai morrer por falta de atendimento nos hospitais porque está esperando há três, quatro, cinco ou seis anos. Isso é um absurdo. Isso é um escárnio. Eu estou indignado e conclamo o povo do Amazonas a se indignar com isso também. Nós vamos acabar com a fila do Sisreg em, no máximo, um ano”, garantiu o candidato.

Estratégia do Corujão da Saúde

Para atingir o objetivo, o plano envolve a criação do programa “Corujão da Saúde” e o credenciamento de estabelecimentos privados. A intenção é integrar clínicas e hospitais particulares a uma força de trabalho concentrada para realizar consultas, exames de alta complexidade como endoscopia, colonoscopia e tomografia, além de cirurgias represadas.

Uma das saídas operacionais apontadas é a utilização da estrutura do Hospital Beneficente Portuguesa, instituição que se encontra em processo de recuperação judicial.

“Eu vou ser governador e a Beneficente Portuguesa vai ser um dos investimentos do Estado. Vou contratar para fazer procedimentos cirúrgicos e exames, para que a gente possa usar essa rede particular para zerar essas filas que estão no Sisreg. Vou contratar as clínicas particulares para fazer exames, endoscopia, colonoscopia e tomografia”, declarou David Almeida.

A proposta sustenta que a medida não funcionará apenas como um mutirão temporário, mas como uma reorganização estrutural da capacidade da rede para evitar novos acúmulos.

O teste do histórico de 2017

Ao responder questionamentos sobre a viabilidade financeira e logística do plano, o candidato recorreu aos quatro meses e meio em que esteve no comando do Poder Executivo estadual como governador interino, no ano de 2017. Na época, a gestão promoveu a expansão de leitos no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, abrindo 11 salas cirúrgicas e realizando 1.926 cirurgias eletivas de hérnia e apendicite.

As ações daquele período curto também integraram outros pontos da rede de assistência estadual.

  • Aquisição de equipamento de hemodinâmica no Hospital Universitário Francisca Mendes para zerar demandas de cateterismo e angioplastia.
  • Abertura do centro de hemodiálise no Hospital Adriano Jorge para atender pacientes renais.
  • Realização de cirurgias ortopédicas com compra de órteses e próteses na mesma unidade.
  • Execução de quase 700 cirurgias eletivas no Hospital Regional Hilda Freire situado no município de Iranduba.

Viabilidade e cobrança técnica

A meta estipulada pelo candidato exige um volume expressivo de recursos financeiros e uma coordenação logística eficiente com a rede privada. Embora a contratação de serviços particulares já tenha sido utilizada em momentos de emergência sanitária no Amazonas, zerar um passivo de 1,5 milhão de procedimentos em 365 dias representa uma tarefa complexa.

 A inclusão de hospitais em recuperação judicial traz fôlego à rede de atendimento, mas demanda auditoria rígida e contratualização rápida. O eleitorado, por sua vez, acompanha a promessa com a expectativa de ver resolvida uma angústia histórica na saúde pública do Amazonas.

Fonte: Emanuelle Baires, Israel Conte e Roberta Bindá

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