
A ditadura da Coreia do Norte voltou a abalar a estabilidade internacional ao disparar cerca de dez mísseis balísticos em direção ao Mar do Japão nesta quinta-feira, 29/10. A movimentação marca um novo capítulo na escalada de atritos com a Coreia do Sul observada nas últimas semanas.
De acordo com informações da agência Reuters, o Estado Maior Conjunto da Coreia do Sul informou que os projéteis de curto alcance foram lançados por volta da meia noite e meia no horário de Brasília, partindo da região de Wonsan, na costa leste do território norte-coreano, e percorrendo uma distância de aproximadamente 250 quilômetros.
O Ministério da Defesa do Japão comunicou que detectou um míssil balístico e que o artefato aparentemente não caiu dentro da sua Zona Econômica Exclusiva.
Reação rápida em Seul
Diante da gravidade da situação, o governo da Coreia do Sul convocou uma reunião de emergência do seu Gabinete de Segurança Nacional para alinhar as respostas de defesa. Em nota oficial, as autoridades sul-coreanas exigiram o fim imediato dos lançamentos de mísseis e classificaram as ações de Pyongyang como uma violação grave das resoluções estabelecidas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os novos disparos ocorrem em meio a um ambiente de forte desconfiança na região fronteiriça. Em 21 de setembro, a explosão de duas minas terrestres na Zona Desmilitarizada entre o Norte e o Sul deixou três soldados sul-coreanos feridos.
Tensão forte na fronteira
Na semana passada, a irmã do ditador Kim Jong-un e influente figura do regime de Pyongyang, Kim Yo-jong, acusou abertamente as tropas de Seul de realizar disparos reais e emitir mensagens de advertência contra militares norte-coreanos que trabalhavam na fortificação da linha de divisa.
Em resposta ao atrito diplomático, Pyongyang ameaçou reforçar a presença de tropas na fronteira e religar os alto-falantes de propaganda comunista que haviam sido retirados no ano passado. O chefe do Estado Maior Conjunto da Coreia do Sul avisou que o país responderá com firmeza às ameaças do vizinho.
“Seul responderia com contundência a essas provocações”, afirmou o militar Jin Yong-sung.
Posição de Donald Trump
Toda essa movimentação militar contrasta com as recentes declarações do governo dos Estados Unidos. Em agosto, o presidente americano Donald Trump surpreendeu a comunidade internacional ao classificar a ditadura da Coreia do Norte como inofensiva e respeitosa, ignorando que o regime de Kim Jong-un amplia testes de armas e fortalece parcerias militares com governos da Rússia, China e Irã.
O presidente americano justificou o encerramento das manobras militares criticando os custos das operações e o impacto político na região.
Donald Trump declarou que a redução do exercício militar conjunto com a Coreia do Sul ocorria porque a ação não era:
“Apenas dispendiosa, mas também enviava um sinal totalmente inadequado e hostil a um país que, durante todo o mandato de Donald J. Trump como presidente, tem sido inofensivo e respeitoso”, afirmou o líder americano.
O presidente americano também usou o fato de a Coreia do Sul não ter enviado ajuda na guerra contra o Irã para diminuir os treinamentos na Ásia. No mesmo mês de agosto, Donald Trump sugeriu um encontro pessoal com Kim Jong-un, mas a proposta de reunião foi recusada por Pyongyang.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/chamada-inofensiva-trump-coreia-norte-lanca-misseis-mar-japao/










