
O debate entre os candidatos ao Senado pelo Amazonas, na noite de quinta-feira (17), teve pouco de conversa civilizada e muito de arranca-rabo.
Eduardo Braga e Wilson Lima trocaram acusações, especialmente em torno da Âmbar Energia, transformando o confronto eleitoral em uma espécie de acerto de contas diante das câmeras.
Na coletiva após o debate, Braga rebateu a acusação feita por Wilson e afirmou que era falsa a tentativa de vinculá-lo à propriedade da Amazonas Energia ou da Âmbar.
O senador disse ainda que já havia adotado medidas judiciais contra a concessionária antes do confronto.
Ação contra a União
Dudu Braga disse que apresentou representação à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, posteriormente, ação popular contra a União, a agência reguladora, a Âmbar e a Oliveira Energia.
Também anunciou uma liminar da Justiça Federal determinando a suspensão da substituição de cabos de cobre por alumínio em Manaus.
Multa de 1 milhão por dia

A Justiça Federal, segundo Dudu Braga, determinou a paralisação imediata da substituição de cabos e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por dia em caso de descumprimento.
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) já havia recomendado anteriormente a suspensão temporária da troca para análise de laudos e informações técnicas.
Enem e Porto de Manaus

No debate entre os concorrentes ao Senado, se a ideia era discutir educação, Wilson Lima e Capitão Alberto Neto rapidamente encontraram outro caminho, o da baixaria.
O confronto começou com uma cobrança de Alberto Neto sobre o desempenho dos estudantes amazonenses no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e terminou no Porto de Manaus, com acusação envolvendo financiamento de campanha.
Wilson atribuiu parte dos resultados educacionais ao período de forte estiagem enfrentado pelo Amazonas e citou ações realizadas durante sua gestão, como “escolas de tempo integral”, Centros Educacionais de Tempo Integral (CETIs), “escolas cívico-militares” e investimentos por meio do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).
Na sequência, o ex-governador questionou a relação de Alberto Neto com Alessandro Bronze, primeiro suplente da chapa. Wilson afirmou que a cobrança feita no Porto de Manaus estaria relacionada ao financiamento da campanha do candidato do Partido Liberal (PL).
Alberto Neto pediu direito de resposta, mas a organização do debate negou o pedido.
Amazonprev no radar da PF

O caso Amazonprev continua longe de um ponto final. A Justiça Federal prorrogou por mais 90 dias o afastamento de Claudinei Soares e André Luís Bentes de Souza, ex-diretores da fundação investigados pela Polícia Federal (PF).
A investigação apura aplicações de R$ 390 milhões de recursos da previdência dos servidores do Amazonas em instituições privadas.
Entre os investimentos está uma aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial.
Normas de governança no lixo
Segundo a Polícia Federal (PF), as operações teriam ocorrido em desacordo com normas de governança e regras federais para investimentos previdenciários.
Os investigadores também apuram R$ 620,1 mil recebidos pelos três ex-diretores de uma empresa sediada em Niterói, no Rio de Janeiro.
Para a PF, os pagamentos podem ter relação com os investimentos investigados.
A Justiça manteve o afastamento de Claudinei Soares e André Luís Bentes porque considerou que o retorno dos dois ex-diretores poderia permitir acesso a documentos, sistemas e servidores ligados aos fatos investigados.







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