
A fruta mais consumida do planeta e a favorita dos estudantes americanos entrou na mira de uma nova disputa política. Uma proposta em andamento no Congresso americano pode resultar na exclusão da banana dos cardápios escolares públicos nos Estados Unidos, acendendo um debate sobre os limites do protecionismo econômico e o bem-estar infantil.
A mudança consta no projeto “Farm, Food, and National Security Act of 2026”, a nova “Farm Bill” do país, que recebeu aprovação da Câmara dos Representantes no dia 30 de abril de 2026.
O texto estabelece um teto rígido de 5% para a aquisição de alimentos importados nos programas federais de nutrição, o que afeta diretamente o “National School Lunch Program” (NSLP) e o “School Breakfast Program” (SBP).
Como os Estados Unidos não produzem bananas em escala comercial, dependendo totalmente do abastecimento vindo da América Latina e do Caribe, as escolas públicas que utilizam verbas da União terão que eliminar o alimento caso a medida entre em vigor.
A nova regra
O projeto se ampara nas cláusulas conhecidas como “Buy American” para proibir o uso de verbas federais em alimentos estrangeiros. Os parlamentares favoráveis à medida argumentam que a restrição protege o agronegócio nacional e reduz a vulnerabilidade diante de crises internacionais nas cadeias de suprimento.
Os trabalhos do 119º Congresso preveem que essas diretrizes de nutrição fiquem em vigor até o dia 30 de setembro de 2031. A proposta seguiu para o Senado, onde enfrenta uma tramitação incerta e cheia de resistências por parte de representantes locais.
O impacto nutricional
Os gestores escolares defendem a permanência da banana porque ela cumpre exigências fundamentais das cantinas, unindo baixo custo, alto valor nutricional e excelente aceitação. Além disso, a fruta apresenta índices mínimos de desperdício alimentar, solucionando um problema crônico da administração pública.
A exclusão da fruta prejudica sobretudo os alunos de famílias de baixa renda, que encontram na merenda a principal refeição do dia durante a semana. Quando o cardápio sofre restrições, as crianças costumam recusar substitutos menos atraentes e acabam ficando sem comer ou escolhendo opções industriais prejudiciais.
“A geografia não pode se sobrepor à saúde das crianças”, afirmam os nutricionistas e grupos de defesa da infância que combatem a proposta.
O impasse econômico
A queda de braço envolve grandes cifras e interesses opostos. De um lado, produtores defendem que as verbas públicas americanas devem financiar exclusivamente os agricultores locais.
Do outro lado, entidades sociais relembram que o orçamento voltado à alimentação escolar já sofreu cortes superiores a US$ 600 milhões, o que compromete o padrão nutricional das escolas públicas.
A conjuntura econômica agrava a situação das prefeituras, uma vez que o preço dos alimentos no mercado americano subiu quase 3% entre maio de 2024 e maio de 2025, superando a taxa de inflação geral.
Trocar a banana por itens cultivados domesticamente, a exemplo de maçãs, peras e pêssegos, gera despesas significativamente maiores e esbarra na rejeição dos estudantes.
O futuro político
A definição da lei depende agora dos senadores, que historicamente promovem modificações profundas na estrutura da “Farm Bill” por meio de longas negociações. Associações de nutrição escolar e redes de ensino já articulam uma pressão política em Washington para incluir uma emenda de exceção para frutas tropicais que não possuem equivalentes nacionais.
Por enquanto, a banana segue nas escolas. No entanto, o debate expõe uma contradição de difícil solução, pois o mesmo governo que investe bilhões de dólares para subsidiar o mercado interno cogita desamparar a parcela mais jovem da população que depende diretamente desse auxílio alimentar.
Fonte: https://agroemcampo.ig.com.br/2026/noticias/por-que-a-banana-pode-desaparecer-da-merenda-escolar/










