
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram no dia de maio uma publicação fundamental para o futuro da região. O Plano de Transformação Ecológica da Bioeconomia (PTEB) na Amazônia Ocidental foi apresentado durante o Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026 em Belém. A iniciativa estratégica estabelece diretrizes para tornar a região um polo de bioeconomia sustentável com foco na agregação de valor e no fortalecimento das cadeias produtivas locais.
O plano abrange os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. A estrutura está alinhada ao Plano de Transformação Ecológica (PTE) federal e à Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENB). O projeto se organiza em três agendas prioritárias que são a bioindustrialização e biotecnologia, as concessões florestais e territórios, e os sistemas agroalimentares sustentáveis. O lançamento ocorreu durante a programação do BAS que foi realizado entre os dias 12 a 14 de maio na capital paraense.
Base técnica
A construção do documento envolveu um diagnóstico técnico profundo e um processo de escuta multissetorial. O estudo analisou gargalos históricos como a dependência de importações e os desafios logísticos que fragmentam a atuação institucional.
Foram analisados 230 instrumentos legais e normativos, 368 iniciativas em curso e 952 atores identificados. Dos 200 gargalos estruturais sistematizados, surgiram 55 oportunidades de incidência, sendo que 16 delas foram priorizadas de maneira participativa.
“Pensar a bioeconomia amazônica passa por conectar floresta, ciência, indústria e os conhecimentos das populações da região”, afirmou Gabriela Sampaio, gerente do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação da FAS.
Ela destaca que a proposta busca avançar na agregação de valor nos próprios territórios para fortalecer as cadeias locais.

Metas ambiciosas
O documento apresenta estimativas de grande impacto econômico e socioambiental. O plano prevê a mobilização de R$ 12 bilhões a R$ 20 bilhões e a geração de 50 mil empregos diretos. Além disso, a iniciativa foca na manutenção de 500 mil hectares de floresta em pé e no fortalecimento de bioindústrias comunitárias. Um diferencial importante do projeto é a previsão de implantação de três a cinco hubs regionais de bioindustrialização para articular infraestrutura e inovação tecnológica.
“O PTEB é a materialização da Nova Indústria Brasil na Amazônia”, destacou Neide Freitas, diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI.
Segundo a diretora, o objetivo é transformar o potencial da biodiversidade em competitividade global, garantindo que a transição para uma economia de baixo carbono seja o motor de um novo ciclo regional.
Implementação gradual
O cronograma de execução foi organizado em horizontes progressivos para garantir a viabilidade das metas. No curto prazo, as ações incluem a formalização da governança, o lançamento de editais para plantas piloto e a prospecção de bioativos.
Já no médio e longo prazo, o foco será a consolidação dos hubs regionais, a criação de mecanismos de rastreabilidade e o escalonamento industrial de bioinsumos amazônicos.
O evento contou com a participação ativa da superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima, e do gerente de “Empreendedorismo” da instituição, Wildney Mourão.
O grupo reforçou que o protagonismo das populações locais é essencial para construir caminhos resilientes baseados na floresta em pé e na inovação.
O plano de bioeconomia está disponível no site da FAS pelo LINK.
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