Meio ambiente Amazônia pode ganhar novo ciclo econômico com plano bilionário de bioeconomia sustentável

Amazônia pode ganhar novo ciclo econômico com plano bilionário de bioeconomia sustentável

Foto: Bruno Caraches

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram no dia de maio uma publicação fundamental para o futuro da região. O Plano de Transformação Ecológica da Bioeconomia (PTEB) na Amazônia Ocidental foi apresentado durante o Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026 em Belém. A iniciativa estratégica estabelece diretrizes para tornar a região um polo de bioeconomia sustentável com foco na agregação de valor e no fortalecimento das cadeias produtivas locais.

O plano abrange os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. A estrutura está alinhada ao Plano de Transformação Ecológica (PTE) federal e à Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENB). O projeto se organiza em três agendas prioritárias que são a bioindustrialização e biotecnologia, as concessões florestais e territórios, e os sistemas agroalimentares sustentáveis. O lançamento ocorreu durante a programação do BAS que foi realizado entre os dias 12 a 14 de maio na capital paraense.

Base técnica

A construção do documento envolveu um diagnóstico técnico profundo e um processo de escuta multissetorial. O estudo analisou gargalos históricos como a dependência de importações e os desafios logísticos que fragmentam a atuação institucional.

Foram analisados 230 instrumentos legais e normativos, 368 iniciativas em curso e 952 atores identificados. Dos 200 gargalos estruturais sistematizados, surgiram 55 oportunidades de incidência, sendo que 16 delas foram priorizadas de maneira participativa.

“Pensar a bioeconomia amazônica passa por conectar floresta, ciência, indústria e os conhecimentos das populações da região”, afirmou Gabriela Sampaio, gerente do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação da FAS.

Ela destaca que a proposta busca avançar na agregação de valor nos próprios territórios para fortalecer as cadeias locais.

Metas ambiciosas

O documento apresenta estimativas de grande impacto econômico e socioambiental. O plano prevê a mobilização de R$ 12 bilhões a R$ 20 bilhões e a geração de 50 mil empregos diretos. Além disso, a iniciativa foca na manutenção de 500 mil hectares de floresta em pé e no fortalecimento de bioindústrias comunitárias. Um diferencial importante do projeto é a previsão de implantação de três a cinco hubs regionais de bioindustrialização para articular infraestrutura e inovação tecnológica.

“O PTEB é a materialização da Nova Indústria Brasil na Amazônia”, destacou Neide Freitas, diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI.

Segundo a diretora, o objetivo é transformar o potencial da biodiversidade em competitividade global, garantindo que a transição para uma economia de baixo carbono seja o motor de um novo ciclo regional.

Implementação gradual

O cronograma de execução foi organizado em horizontes progressivos para garantir a viabilidade das metas. No curto prazo, as ações incluem a formalização da governança, o lançamento de editais para plantas piloto e a prospecção de bioativos.

Já no médio e longo prazo, o foco será a consolidação dos hubs regionais, a criação de mecanismos de rastreabilidade e o escalonamento industrial de bioinsumos amazônicos.

O evento contou com a participação ativa da superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima, e do gerente de “Empreendedorismo” da instituição, Wildney Mourão.

O grupo reforçou que o protagonismo das populações locais é essencial para construir caminhos resilientes baseados na floresta em pé e na inovação.

O plano de bioeconomia está disponível no site da FAS pelo LINK.

Up Comunicação Inteligente

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.