
O desenvolvimento de dispositivos microeletrônicos para aplicações em telecomunicações está entre os avanços alcançados pelo Instituto SENAI de Inovação em Microeletrônica (ISI-ME), localizado em Manaus.
A iniciativa integra o projeto “FRF”, apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a finalidade de desenvolver filtros de radiofrequência com a tecnologia Surface Acoustic Wave (SAW), destinados a aplicações em redes de quinta geração (5G).
O andamento do projeto foi acompanhado presencialmente durante uma visita técnica realizada na tarde de 26 de outubro de 2026 pelos analistas da Finep, Simone Campos e Gustavo Alcântara.
Durante o encontro, a equipe do instituto apresentou os avanços na implantação da infraestrutura de pesquisa, o processo de aquisição e instalação de equipamentos, além dos resultados preliminares das simulações computacionais que vão orientar as próximas etapas de desenvolvimento e fabricação dos dispositivos.
A iniciativa integra o programa “Pró-Amazônia 2024”, conta com um investimento de R$ 4.968.330,14 e tem execução prevista para o período entre 2025 e 2028. A visita permitiu à equipe da financiadora verificar a aplicação dos recursos públicos, acompanhar o cumprimento das metas estabelecidas e avaliar a evolução das atividades em relação ao cronograma inicial.
“Foi motivo de muito orgulho para o Instituto assinar, em julho de 2025, o contrato do projeto FRF, no âmbito da chamada FINEP Pró-Amazônia 2024. Com um investimento de quase R$ 5 milhões e duração de três anos, trata-se de um projeto de elevada complexidade tecnológica, desenvolvido aqui em Manaus, com o objetivo de desenvolver um chip voltado às aplicações em telecomunicações. É uma grande satisfação poder conduzir essa iniciativa, contando com o apoio do Governo Federal”, destacou o diretor do Instituto SENAI de Inovação em Microeletrônica (ISI-ME), Élvio Dutra.
O acompanhamento no local é considerado um fator essencial para garantir a transparência da gestão.
“É importante que a gente mostre a nossa capacidade de atender ao projeto que nós estamos fazendo tudo de acordo com o que está previsto no projeto em termos de aquisição de equipamentos e instalação desses nas nossas dependências”, afirmou o diretor regional do Serviço Social da Indústria (SENAI Amazonas), Rogério Pereira, ressaltando que a fiscalização presencial permite constatar diretamente a evolução dos trabalhos.
Transição para microfabricação
Para o pesquisador e líder técnico do projeto, Fagnaldo Pontes, a presença da Finep serviu para mostrar como os recursos financeiros se transformam em capacidade tecnológica para a região amazônica.
“Mais do que acompanhar o cumprimento do cronograma, essa visita foi uma oportunidade de demonstrar como os investimentos estão se transformando em capacidade tecnológica para o instituto e a Amazônia. Apresentamos os avanços na estruturação da infraestrutura de microeletrônica e, principalmente, os resultados preliminares das simulações, que são fundamentais para orientar as próximas etapas do desenvolvimento dos filtros SAW”, destacou Fagnaldo Pontes.
A fase seguinte marcará a passagem do ambiente virtual para a produção física dos componentes.
“A próxima etapa é transformar os resultados das simulações em dispositivos físicos. Em 2027, nosso foco será avançar para a microfabricação e os testes experimentais dos filtros, buscando verificar se o desempenho dos dispositivos fabricados corresponde aos resultados previstos nas simulações. Essa será uma etapa fundamental para validar experimentalmente a tecnologia que estamos desenvolvendo”, explicou o pesquisador Fagnaldo Pontes.
Estrutura e equipamentos adquiridos
Coordenado pelo pesquisador Dr. Carlos Pereira, o projeto “FRF” prevê a ampliação da capacidade do ISI-ME para produzir dispositivos em todas as fases da cadeia tecnológica, cobrindo desde o design e a simulação computacional até a microfabricação, caracterização e testes experimentais.
Na prática, os aportes contemplam a melhoria da infraestrutura computacional, contratação de softwares especializados e compra de maquinários de alta precisão para processamento de materiais e fabricação de estruturas micrométricas.
- Soluções de simulação computacional aplicadas na análise dos dispositivos
- Capela de fluxo laminar especial para garantia da segurança operacional e dos processos
- Sistema de deposição de materiais do tipo Blade Coater
- Equipamento de escrita direta a laser para estruturação micrométrica
- Sistema de deposição por sputtering e analisador de filmes finos
- Equipamentos para análise de sinais e deposição de materiais
Parte dessas ferramentas já se encontra em pleno funcionamento, enquanto outros itens aguardam instalação, chegada de insumos ou a conclusão de processos de compra.
A estrutura exige também a montagem de uma rede de gases, reformas laboratoriais e aparelhos para caracterização em radiofrequência, como o analisador de redes vetorial com seus acessórios e o sistema de ligação por fios metálicos conhecido como Wire Bonder, utilizado nas conexões elétricas dos chips.
Algumas etapas do cronograma sofreram impactos provocados pelo gargalo na cadeia internacional de fornecimento de semicondutores, com previsões de entrega projetadas entre o fim de 2026 e o primeiro trimestre de 2027.
Funcionamento dos filtros
O grande desafio do projeto “FRF” reside em converter modelos matemáticos computacionais em peças físicas prontas para testes. Os filtros SAW funcionam como seletores capazes de identificar frequências específicas de um sinal e rejeitar interferências indesejadas.
Essa tecnologia é utilizada em sistemas de comunicação sem fio, fazendo parte de equipamentos de telefonia celular, Wi-Fi e Bluetooth. No laboratório em Manaus, a pesquisa concentra esforços em aplicações para a tecnologia 5G, utilizando substratos piezoelétricos de niobato de lítio e estruturas metálicas confeccionadas em escala micrométrica.
A integração entre o conhecimento científico e o setor produtivo chamou a atenção da equipe visitante.
“Eu gostei muito de ver esse ambiente de aprendizado e colaboração, que tem muita integração entre pesquisa base e avançada e pesquisa de protótipos para a indústria”, afirmou a analista operacional do Departamento de Infraestrutura e Tecnologias Sociais (DITS) da Finep, Simone Campos, que também identificou possibilidades de cooperação entre as pesquisas do instituto e novos projetos apoiados pela Finep e pelo BNDES.
Parcerias e universidades
Além dos filtros de radiofrequência, toda a infraestrutura montada pelo projeto vai permitir que o ISI-ME atue em outras frentes da microeletrônica e dos materiais avançados. As frentes futuras incluem estudos sobre dispositivos semicondutores, circuitos integrados, sensores químicos, biológicos e ambientais, além de componentes baseados em materiais piezoelétricos.
A estratégia abrange o fortalecimento da cooperação técnica com instituições de ensino superior e centros de pesquisa. O ISI-ME mantém diálogo com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), buscando integrar a formação de recursos humanos qualificados com as demandas tecnológicas da indústria.
O coordenador do projeto “FRF”, Dr. Carlos Pereira, avalia que a visita da Finep ocorreu no momento em que os investimentos começam a dar suporte às etapas técnicas mais complexas. Uma nova vistoria de acompanhamento está agendada para a fase final do projeto, quando serão avaliados os resultados entregues. Com essa estrutura, o SENAI Amazonas caminha para se consolidar como referência nacional em pesquisa, prototipagem e inovação microeletrônica.
Foto: Divulgação/ ASCOM | FIEAM










