
A cultura do Boi-Bumbá de Parintins continua a atravessar fronteiras e conquistar novos espaços de formação artística no estado de São Paulo (SP). Nesta quinta-feira, 5/11, os coreógrafos amazonenses Bruno Munduruku e Josian Ramos, integrantes da Instituição Cultural e Educacional Arte Sem Fronteiras, ministram a Oficina Boi de Quilombo em Osasco.
A iniciativa une a técnica da dança afro-brasileira à tradição do boi-bumbá da Ilha da Magia.
A atividade é realizada no Estúdio Movimento em Foco, apontado como uma das mais conceituadas escolas de dança do Sudeste do país. A programação acontece das 18h às 20h e busca expandir a manifestação cultural folclórica do dois pra lá e dois pra cá para o restante do Brasil.
Na cidade paulista, Bruno e Josian levam a experiência acumulada ao longo da carreira de coreógrafos para difundir os conhecimentos construídos no Festival Folclórico de Parintins.
A atuação dos profissionais abrange diversos pilares da dança e da memória nortista:
- Movimentação e corporeidade dos itens do Boi-Bumbá.
- Rituais e saberes das populações indígenas.
- Lendas e narrativas do imaginário amazônico.
- Tradicional bailado dos bois Caprichoso e Garantido.
- Significados culturais, históricos e simbólicos do universo bovino de Parintins, integrando dança, memória, ancestralidade e identidade regional.
“O projeto possui duas frentes de ensino, a movimentação tribal do Boi-Bumbá junto à movimentação das danças afro-brasileiras, visto que ambas estão intrinsecamente ligadas. É uma experiência que somente as danças populares podem oferecer. Além disso, as oficinas contribuem para a disseminação da cultura nortista, a quebra de estereótipos e a divulgação de novas metodologias de ensino do Boi-Bumbá”, destaca o coreógrafo Bruno Munduruku.
Trajetória de Bruno Munduruku

Bailarino, coreógrafo e pesquisador, Bruno Munduruku é finalista do bacharelado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Com atuação profissional iniciada em 2016, ele faz parte do corpo docente e técnico da Instituição Cultural e Educacional Arte Sem Fronteiras.
Sua caminhada artística inclui o trabalho de salvaguarda do Frevo no Amazonas na condição de diretor do Ponto de Cultura Entre a Ponta e o Calcanhar, além de participações em festivais nacionais e internacionais. A relação de Bruno com o ecossistema bovino fortaleceu-se em 2019, quando se aproximou do Boi Caprichoso por meio das ações culturais da instituição, aprofundando o estudo das toadas e das coreografias oficiais do bumbá.
Origens de Josian Ramos

Ao lado de Bruno, o professor Josian Ramos traz para a atividade em Osasco uma trajetória profundamente conectada às raízes culturais do Amazonas. Pertencente ao povo Kokama, Josian nasceu em Tonantins, no Alto Solimões, e possui graduação em Licenciatura em Dança pela UEA. Ele atua como bailarino intérprete, coreógrafo, professor de dança e produtor cultural.
Atualmente, Josian trabalha como professor de Boi-Bumbá na Arte Sem Fronteiras e interpreta o papel de Pajé em eventos e produções artísticas voltadas ao turismo cultural, participando de festivais folclóricos e projetos que conectam tradição, ancestralidade e inovação. A viagem ao território paulista representa um marco pessoal para Josian, sendo sua primeira participação em uma atividade artística fora do Amazonas.
“Levar o Boi-Bumbá para fora do Amazonas é uma grande honra. É levar nossa identidade, falar da nossa cultura, das nossas toadas e da nossa dança para quem nunca pisou aqui, para que possam sentir o quanto nossa cultura é linda, forte e viva. O Boi-Bumbá não é só uma dança. É a nossa história, a nossa resistência, a nossa alegria e a nossa ancestralidade. É o coração do povo amazônico batendo fora do Amazonas”, enfatiza o professor.
“Esse intercâmbio cultural é fundamental. O mais bonito é que fazemos isso sem perder a essência, mantendo o que realmente é o Boi-Bumbá, a tradição raiz, a alegria e a resistência de brincar de boi, de geração em geração”, acrescenta Josian Ramos.
Idealização do projeto cultural
A nova etapa da Oficina Boi de Quilombo reforça a proposta de promover o encontro entre diferentes territórios brasileiros por meio da dança popular. O projeto foi idealizado pelo coreógrafo, pesquisador, produtor cultural e mestre em Dança, Wilson Junior, reunindo ensinamentos sobre a corporeidade dos itens, manifestações indígenas, narrativas amazônicas e elementos do bailado do Boi-Bumbá.
A participação de Bruno Munduruku e Josian Ramos é viabilizada pelo Projeto Boi de Quilombo, desenvolvido por Wilson Junior por meio da Instituição Cultural e Educacional Arte Sem Fronteiras, entidade que realiza ações contínuas de formação, valorização e difusão das manifestações culturais da Amazônia.
Fonte: ASCOM










