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Outubro Verde acende alerta em Manaus após aumento de casos de sífilis em gestantes e recém nascidos

Foto: Divulgação/ Semsa

A campanha “Outubro Verde” de 2026 está movimentando a capital amazonense com foco total na saúde de quem está gerando uma nova vida. Coordenada pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, a iniciativa busca barrar o avanço da sífilis em gestantes atendidas pela rede pública.

O objetivo central é interromper a transmissão vertical, que ocorre quando a infecção passa da mãe para a criança durante a gestação ou no parto. A boa notícia é que a sífilis tem cura e, se tratada de forma imediata e sem interrupções, apresenta baixos riscos para ambos.

Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível e Hepatites Virais da Semsa, alerta que o tratamento adequado consegue evitar a transmissão da bactéria para o embrião em cem por cento dos casos, embora o sucesso dependa do tempo de exposição no útero.

Atenção imediata

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a doença é transmitida por relação sexual sem preservativo e costuma enganar muita gente porque seus sintomas mudam conforme a fase. Na etapa primária podem surgir feridas na boca ou órgãos genitais, enquanto na secundária aparecem manchas na pele. Se não tratada adequadamente, ela pode voltar anos depois afetando visão, audição e sistema neurológico.

Para as gestantes o perigo é ainda maior, pois os riscos vão desde o aborto, que segundo dados do Ministério da Saúde pode chegar a cinquenta por cento dos casos, até complicações graves para a saúde do bebê como infecções sistêmicas na pele e nos ossos, subdesenvolvimento neuromotor, surdez e cegueira.

Os dados mais recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação mostram que em 2026 a média mensal de notificações em gestantes chegou a duzentos e oito casos, um aumento de cinco vírgula um por cento em relação à média de cento e noventa e oito casos por mês registrada em 2025.

Além disso, os casos em recém-nascidos cresceram trinta e sete vírgula cinco por cento, saltando de uma média de vinte e quatro para trinta e três casos de sífilis congênita por mês.

O apoio familiar

Para quem vive esse momento de espera, o acolhimento nas unidades básicas faz toda a diferença para afastar qualquer susto. A instrumentadora cirúrgica Sayuri Itou, de vinte e três anos, descobriu a gravidez em uma quinta-feira por teste de farmácia e logo buscou orientação com seu agente de saúde, sendo encaminhada para iniciar o pré-natal na Unidade de Saúde da Família Benedito Almeida, localizada na zona Sul de Manaus.

O acompanhamento tem sido ótimo, os profissionais são atenciosos e explicam bem todos os assuntos importantes para o meu caso. Na semana passada, tomei as vacinas recomendadas para a vigésima primeira semana, comemora a gestante.

No caso dela os exames deram negativos, mas ela lembra que a sogra apresentou a infecção quando esperava o marido dela e conseguiu se curar totalmente após o tratamento completo.

A recomendação da Semsa é que todas as pessoas com vida sexual ativa façam pelo menos uma testagem anual para ISTs, já que a infecção pode ficar escondida no organismo por mais de quarenta anos sem apresentar sintomas aparentes. O teste rápido está disponível em toda a rede municipal, é feito com uma única gota de sangue e o resultado sai em trinta minutos.

Testes extras

A fim de reduzir os números alarmantes da sífilis congênita, a prefeitura intensificou a estratégia de testagem para as gestantes. Enquanto o protocolo do Ministério da Saúde recomenda dois exames nos primeiro e último trimestres da gravidez, o Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical emitiu uma nota informativa em março de 2026 orientando a rede municipal a realizar três testagens, incluindo também o segundo trimestre.

De acordo com Ylara, essa terceira testagem ajuda em três cenários fundamentais: cobrir a janela imunológica caso a mulher tenha sido exposta recentemente, identificar novas infecções ocorridas no decorrer da gestação e detectar reinfecções por falta de tratamento adequado das parcerias sexuais.

No primeiro ano de infecção a carga da bactéria no sangue é muito maior, elevando o risco de infectar a criança em até oitenta por cento dos casos.

Tratamento completo

O protocolo para adultos exige na maioria das vezes a aplicação continuada de três doses de penicilina com intervalo de sete dias entre elas. É justamente nesses intervalos que ocorre o maior gargalo, pois muitos pacientes abandonam o processo por medo da dor, preconceito ou por acharem que estão curados quando os sintomas somem após a primeira injeção.

A equipe realiza busca ativa e sensibilização contínua, mas quando o intervalo entre as doses passa de sete a nove dias o tratamento precisa ser reiniciado do zero. Proteger a saúde da mãe e garantir que o bebê venha ao mundo com segurança exige informação clara, conversa aberta com a parceria sexual e compromisso com o tratamento até a cura sorológica.

Fonte: ASCOM | Samuel Simões Neto/ Semsa

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