
A saúde pública enfrenta desafios constantes quando o assunto envolve doenças silenciosas e que ainda carregam uma carga desnecessária de preconceito. Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que pode evoluir no organismo sem dar grandes avisos, permanecendo no corpo mesmo após o sumiço dos primeiros sintomas. A identificação precoce e o acesso imediato ao tratamento adequado continuam sendo os caminhos mais eficientes para interromper a cadeia de transmissão e evitar estragos graves na saúde.
A ausência de dores ou de marcas visíveis na pele costuma enganar muita gente, criando a falsa impressão de que o corpo está saudável. A enfermeira da Vigilância em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), vinculado à Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e integrante da rede HU Brasil, Elizabete Fragata, reforça que a testagem regular é indispensável.
“Na fase primária, a sífilis pode passar despercebida, pois surge uma ferida indolor, geralmente nos órgãos genitais, mas que também pode aparecer no ânus ou na boca. Essa ferida cicatriza mesmo sem tratamento, mas a infecção continua”, explicou a especialista Elizabete Fragata.
Quando a infecção não recebe o diagnóstico e o tratamento devidos na fase inicial, a bactéria avança de forma oculta no organismo. Nos estágios mais graves e avançados, a doença pode comprometer severamente o sistema nervoso, o coração, os vasos sanguíneos, os ossos e as articulações, deixando sequelas permanentes para toda a vida e podendo até levar a pessoa à morte.
Mobilização no hospital público
Em alusão ao Outubro Verde, mês totalmente dedicado à conscientização e ao combate à sífilis e à sífilis congênita, o HUGV organiza uma grande mobilização de prevenção. A campanha intitulada “Sífilis tem cura, faça o teste, trate-se e previna-se” acontece no dia 22 de outubro, uma quinta-feira, no horário das 8h às 16h.
A ação comunitária será realizada na recepção principal do hospital, contando com um ponto de atendimento focado em orientar a população sobre as formas de contágio, prevenção, diagnóstico e tratamento.
Formas reais de contágio
A transmissão da bactéria ocorre principalmente durante relações sexuais vaginais, anais ou orais, por meio do contato direto com as lesões infectadas. Existe também a transmissão vertical, em que a gestante infectada passa a doença para o bebê durante a gravidez. Esse quadro é chamado de sífilis congênita e pode gerar complicações gravíssimas e irreversíveis para o desenvolvimento da criança.
Relações sexuais sem preservativo geram risco real de infecção, mesmo nos momentos em que não existem feridas ou sinais aparentes. Diante desse cenário, a profissional de saúde recomenda o uso constante de camisinha e a realização periódica de exames, principalmente depois de situações de exposição ao risco.
Cura e exames gratuitos
A boa notícia é que a sífilis tem cura total, mas ter tido a doença uma vez não deixa a pessoa imune. Se houver novo contato com a bactéria em relações sexuais desprotegidas, a reinfecção vai acontecer. O tratamento é feito com a aplicação de penicilina, mas o cuidado não termina com as injeções. É fundamental cumprir todo o esquema terapêutico e realizar os exames de acompanhamento nas datas certas para confirmar que a bactéria foi totalmente eliminada.
“É importante realizar os exames no período recomendado para acompanhar a evolução dos resultados e verificar se houve resposta adequada ao tratamento”, alertou a enfermeira.
O diagnóstico é rápido e acessível a todos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece testes rápidos de forma totalmente gratuita nas redes públicas. Em alguns casos, a avaliação médica pode solicitar exames complementares como o VDRL, utilizado para monitorar a evolução da cura. Qualquer pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para fazer o exame e receber o acompanhamento.
Combate firme ao preconceito
Além de oferecer cuidados médicos, a campanha no hospital atua diretamente para derrubar mitos que alimentam o preconceito social. A infecção não é transmitida em contatos do dia a dia, como abraços, apertos de mão, compartilhamento de copos, talheres ou uso do mesmo vaso sanitário.
Lutar contra a desinformação é um passo decisivo para libertar as pessoas do medo do julgamento alheio.
“É fundamental promover informações confiáveis, combater o estigma e garantir que todas as pessoas tenham acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, com respeito à dignidade, à privacidade e ao sigilo”, ressaltou Elizabete Fragata.
Serviço completo da campanha
A estrutura do HUGV integra a rede HU Brasil desde o ano de 2013. A estatal foi criada por meio da Lei 12.550 do ano de 2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), sob o nome oficial de Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), sendo responsável por administrar 47 hospitais universitários federais espalhados por 25 unidades da federação.
Para quem deseja participar da ação no hospital ou obter orientações diretas, seguem os detalhes do serviço programado.
- Campanha “Sífilis tem cura, faça o teste, trate-se e previna-se”;
- Data marcada para 22 de outubro de 2026, quinta-feira;
- Horário de atendimento das 8h às 16h;
- Local na recepção do Hospital Universitário Getúlio Vargas;
- Atividade com estande de orientações sobre transmissão, prevenção, exames e tratamento.
ASCOM: Anik Espara e Emiliana Monteiro / HUGV










