
A recente concessão do Prêmio Nobel da Paz reacendeu debates profundos sobre diplomacia, jurisprudência e política global. Pelo segundo ano consecutivo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou abertamente que merecia a honraria. Contudo, o comitê norueguês tomou um rumo diferente e anunciou na sexta-feira (9/10), a escolha da jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay como a vencedora do prêmio.
Aos 85 anos, a jurista recebeu o reconhecimento internacional por sua atuação histórica. Em comunicado oficial, a instituição norueguesa destacou que a honraria foi concedida “por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional”.
O órgão ressaltou a postura firme mantida pela homenageada ao longo de décadas de trabalho. O comitê afirmou que “Navi Pillay responsabilizou Estados e líderes nacionais e trouxe esperança a vítimas de violência e conflitos. Em todos os cargos que ocupou, ela enfatizou a responsabilidade de indivíduos e Estados em cumprir o Estado de Direito”.
A trajetória da jurista começou no combate às injustiças no próprio país de origem. No início da carreira, atuou na defesa de opositores ao apartheid, o sistema de segregação racial que dominou a África do Sul entre 1948 e 1994, construindo uma forte aliança com o líder Nelson Mandela.
Após esse período, construiu uma carreira na magistratura global, participando de julgamentos de grande impacto humanitário e presidindo órgãos multilaterais. Atualmente, atua como juíza na Corte Internacional de Justiça no processo em que Mianmar responde por acusações de genocídio contra a minoria muçulmana rohingya no estado de Raquine.
Histórico de cargos relevantes
Para compreender a dimensão do trabalho da homenageada, vale destacar os principais postos ocupados ao longo da carreira.
- Defesa jurídica de opositores ao regime do apartheid ao lado de Nelson Mandela.
- Atuação como juíza na Alta Corte da África do Sul.
- Trabalho no Tribunal Penal Internacional para Ruanda no julgamento do genocídio de 1994.
- Atuação como juíza no Tribunal Penal Internacional.
- Liderança como alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
- Presidência da Comissão Internacional de Inquérito Independente da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados.
Críticas e posições controversas
Embora seja aclamada por defensores dos direitos humanos, a trajetória da sul-africana também acumula oposição e controvérsias diplomáticas. Em 2014, mais de cem membros do Congresso dos Estados Unidos enviaram uma carta à jurista, que exercia o cargo de alta comissária da ONU, acusando o organismo internacional de manter um viés contra Israel.
A tensão se intensificou durante a atuação da jurista na Comissão Internacional de Inquérito Independente da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados. Em 2025, o órgão sob sua liderança acusou o governo israelense de cometer genocídio durante a guerra na Faixa de Gaza contra o grupo terrorista Hamas.
Na ocasião, a vencedora do prêmio fez uma declaração contundente afirmando que “existe a intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que preenchem os critérios estabelecidos na Convenção sobre Genocídio”. A escolha do comitê norueguês reflete a complexidade das relações internacionais, premiando uma figura marcada tanto pela defesa das leis globais quanto por embates diretos com grandes potências.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/nobel-paz-esnoba-trump-premia-jurista-acusou-israel-genocidio/










