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Satélites com inteligência artificial podem mudar o futuro da tecnologia, e o Google deu o primeiro passo

Google testa futuro dos centros de dados de IA no espaço – Foto: AP Photo

A gigante de tecnologia Google lançou um satélite protótipo em órbita equipado com chips de Inteligência Artificial (IA) para testar se infraestruturas solares no espaço poderão suportar a computação em grande escala. O lançamento ocorreu nesta quinta-feira (1º/10) e marca a primeira fase de um projeto que avalia o espaço como o melhor local para alimentar a IA.

O satélite foi construído pela Planet Labs e enviado em um voo compartilhado da SpaceX no foguete “Transporter-18”. A nave carrega as Tensor Processing Units (TPU) da Google para avaliar o desempenho dos circuitos, a resistência ao estresse do voo espacial, a radiação e as condições de temperatura extrema.

A iniciativa foi batizada como “Project Suncatcher” e pretende posicionar satélites em órbita baixa. Nessa altitude, os equipamentos aproveitam a iluminação solar quase constante e conseguem captar até oito vezes mais energia solar do que na Terra. A Google quer comprovar se as infraestruturas de aprendizado de máquina conseguem sobreviver no espaço e aproveitar essa abundância energética.

Consumo de energia elevado

O consumo de energia pelos centros de dados cresce de forma acelerada, impulsionado pelo aumento das cargas de trabalho de IA. No ano passado, essas instalações consumiram entre 415 e 485 Terawatts-hora (TWh) no mundo inteiro. Esse volume representa de 1,5% a 2,5% da produção elétrica global, segundo a Comissão Europeia, percentual que deve dobrar até 2030.

Muitos projetos de centros de dados enfrentam oposição pública pelo receio de alta nas contas de energia. Por isso, construir centros de dados no espaço surge como uma perspectiva atraente. A Google não é a única empresa a explorar essa possibilidade. A startup Starcloud, apoiada pela Nvidia, treinou um modelo de IA a partir do espaço em dezembro passado.

Em junho, Elon Musk apresentou o satélite “AI1” da SpaceX, também conhecido como “Starmind”, projetado como um agrupamento voador de Graphics Processing Units (GPU), em vez de um simples retransmissor de comunicações. Em setembro, a Mistral anunciou uma parceria com a Marlan Space e a Loft Orbital para desenvolver infraestruturas de satélites de IA, com o primeiro lançamento previsto para outubro.

Desafios do vácuo espacial

O lançamento marcou a primeira fase do teste da Google, com uma subida de dez minutos até a órbita baixa da Terra. A nave suportou vibrações intensas e uma aceleração contínua de até dez vezes a força da gravidade, enquanto os chips de TPU a bordo sofreram impactos breves entre 50g e 100g. Antes da missão, a equipe do “Project Suncatcher” realizou testes de vibração no satélite para simular o lançamento do foguete, e os equipamentos passaram nos ensaios.

Com os chips de TPU em órbita, inicia-se a próxima fase da experiência, em que a equipe avalia como os componentes lidam com níveis mais elevados de radiação fora da atmosfera, eventos solares e raios cósmicos, que podem perturbar sistemas elétricos.

Os centros de dados exigem quantidades elevadas de energia e de água na Terra, mas no vácuo do espaço o desafio é diferente. A missão é uma oportunidade para testar várias soluções, incluindo uma combinação de tubos de calor e radiadores para resfriar os chips.

Em missões futuras do “Project Suncatcher”, serão testados satélites com dezenas de chips de TPU, com o objetivo de passar de conexões de baixa largura de banda em grandes distâncias para ligações de alta largura de banda em distâncias curtas. A tecnologia básica já existe no espaço, mas a Google vai testar formas de manter essas conexões com maior precisão nos lançamentos previstos para o próximo ano.

 Fonte: https://pt.euronews.com/2026/10/02/google-testa-futuro-dos-centros-de-dados-de-ia-no-espaco

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