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IA nas eleições amplia o poder da comunicação e também o risco das notícias falsas

Foto: Gerada por IA

Com a proximidade do período eleitoral, o uso da Inteligência Artificial (IA) Generativa expande as fronteiras da comunicação política ao mesmo tempo em que eleva os riscos ligados à desinformação. A facilidade para criar imagens, vídeos e áudios com alto nível de realismo torna desafiadora a tarefa de diferenciar materiais autênticos de conteúdos fabricados, ampliando o perigo da circulação de notícias falsas entre os eleitores.

De acordo com o especialista em Inteligência Artificial do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia (Sidia), Rayol Neto, a tecnologia atua gerando novos materiais a partir do mapeamento de dados digitais disponíveis em grande escala.

“A tecnologia aprende padrões a partir de enormes volumes de material disponível digitalmente e, a partir de uma instrução escrita, produz algo que combina com esses padrões. Os conteúdos gerados por IA estão cada vez mais convincentes devido à combinação de maior capacidade de processamento, avanços técnicos nos modelos de geração de conteúdo e à popularização das ferramentas”, explica Rayol Neto.

Ameaça dos deepfakes

Entre os maiores entraves impostos por essa evolução está a disseminação dos chamados deepfakes, caracterizados por conteúdos sintéticos que recriam ou alteram fotos, vozes e filmagens para simular a realidade.

“Um áudio de um político dizendo algo que nunca disse, ou o vídeo de uma situação que nunca ocorreu, são exemplos de deepfake”, afirma o pesquisador Rayol Neto.

Uso legítimo e fraude

O especialista ressalta que o recurso possui aplicações legítimas na corrida eleitoral, a exemplo da elaboração de peças gráficas, tradução de conteúdos, legendagem, edição de vídeos e atendimento automatizado aos eleitores. O problema surge no momento em que a ferramenta passa a ser manipulada para enganar a opinião pública.

“Basicamente quando a IA deixa de ser ferramenta de comunicação e passa a ser ferramenta de engano. Os casos típicos são o deepfake que coloca palavras na boca de um adversário, o áudio falso vazado na véspera da votação ou a fabricação de provas de corrupção”, alerta Rayol Neto.

Estratégias de proteção

Ainda que existam indícios visuais ou sonoros que denunciem edições artificiais, a verificação das fontes originais permanece como o método mais seguro para detectar fraudes. Para evitar armadilhas digitais, vale observar critérios básicos de checagem.

  • Identificação da origem primária da publicação;
  • Confirmação da notícia em veículos de imprensa confiáveis;
  • Verificação de vídeos gravados por múltiplos ângulos;
  • Cuidado com mensagens encaminhadas por aplicativos de conversa sem rastreabilidade;
  • Atenção redobrada a conteúdos que buscam provocar forte apelo emocional.

“Pergunte: quem publicou primeiro? Existe outra fonte? Se um político tivesse dito aquilo em público, haveria vídeo de outros ângulos, cobertura de imprensa e reação imediata. Conteúdo que aparece sem origem rastreável, que chega por encaminhamento de WhatsApp e que provoca forte reação emocional é o padrão de risco, com ou sem IA”, destaca o pesquisador.

Acompanhando essa transformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou as normas voltadas ao pleito, fixando a obrigatoriedade de sinalizar conteúdos sintéticos e aplicando medidas rígidas de combate ao uso indevido de deepfakes na disputa política.

Importância da educação

Na avaliação do pesquisador do Sidia, a sociedade enfrenta um contexto em que produções sintéticas tornaram-se praticamente indistinguíveis das reais a olho nu ou ouvido nu.

“Em imagem estática, a inspeção visual comum não distingue mais o real do sintético, em áudio, também não, em vídeo, a margem é pequena e está se fechando”, atesta Rayol Neto.

Diante do avanço acelerado das ferramentas digitais, o fortalecimento do senso crítico surge como a principal barreira defensiva contra a manipulação eleitoral.

“A educação midiática é a única que não envelhece junto com a tecnologia. O hábito mental de verificar antes de acreditar continua servindo independentemente de qual geração de IA esteja em circulação”, conclui Rayol Neto.

Sobre o Sidia

Fundado em 2003, o Sidia é um dos maiores institutos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) do Brasil. O instituto possui duas unidades em Manaus (AM), uma em Porto Velho (RO) e outra em São Paulo (SP), atuando no desenvolvimento de tecnologias de ponta em áreas como software, telecomunicações (5G e 6G), TV Digital, saúde, imersão (AR, VR e XR), Indústria 4.0 e segurança cibernética. O Sidia conta com mais de 1.000 profissionais, infraestrutura moderna e laboratórios de referência internacional. Saiba mais em www.sidia.com.

ASCOM: Emilly Guimarães e Paula Vieira

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