
Uma plataforma capaz de cruzar informações sobre onde existe exploração minerária em terras indígenas, unidades de conservação e outros territórios protegidos da Amazônia foi criada para dar transparência ao setor. A solução foi desenvolvida pela Geodatin, startup de base tecnológica que participou da primeira edição do “Programa Centelha” e que hoje atua na criação de ferramentas digitais voltadas ao monitoramento ambiental via satélite e à análise de dados territoriais.
A tecnologia integrou o projeto “Amazônia Minada”, iniciativa de jornalismo de dados que buscou identificar possíveis conflitos entre pedidos de exploração mineral e áreas que possuem restrições legais para esse tipo de atividade. A partir do cruzamento de bases públicas de dados, a plataforma permitiu visualizar de forma simples e acessível informações que antes exigiam pesquisas técnicas mais complexas.
“A ideia era analisar requerimentos de exploração mineral e comparar essas informações com áreas protegidas para encontrar possíveis inconsistências. Conseguimos transformar um grande volume de dados em uma ferramenta que facilita a visualização desses cenários”, explicou o cofundador da Geodatin, Diêgo Costa.
Apoio do programa
A startup nasceu a partir da experiência de pesquisadores da área de geotecnologia que identificaram que, embora existam grandes volumes de dados públicos relacionados ao território, muitas vezes essas informações permanecem dispersas ou de difícil interpretação para os tomadores de decisão. Inicialmente criada para atender projetos acadêmicos, a empresa passou a enxergar potencial de mercado na transformação desses dados em plataformas digitais. Foi nesse momento que a equipe ingressou na primeira edição do “Programa Centelha”.
Segundo o cofundador, a principal contribuição do programa foi ajudar os criadores a desenvolver uma visão de negócio para além da tecnologia.
“Nós viemos da academia e tínhamos bastante conhecimento técnico, mas pouca experiência em áreas como modelagem de negócios, precificação, vendas e estruturação empresarial. As capacitações do Centelha foram fundamentais para que conseguíssemos transformar conhecimento científico em soluções com potencial de mercado”, afirmou o cofundador Diêgo Costa.
Expansão dos serviços
Ao longo dos anos, a Geodatin ampliou sua atuação e passou a desenvolver plataformas voltadas a diversas frentes do setor socioambiental. Para compreender a abrangência das soluções criadas pela startup, destacam-se as seguintes áreas de atuação:
- Monitoramento contínuo de desmatamento;
- Mapeamento e gestão de recursos hídricos;
- Acompanhamento e prevenção de incêndios florestais;
- Mapeamento de conflitos socioambientais em áreas comunitárias.
Atualmente, a empresa atende organizações do terceiro setor, órgãos públicos e empresas privadas.
Projetos em destaque
Entre os trabalhos desenvolvidos estão projetos ligados ao “MapBiomas”, iniciativa que monitora transformações ambientais em todo o território brasileiro. A startup também participa da geração e validação de alertas de desmatamento utilizados por órgãos públicos para apoiar ações de fiscalização e gestão ambiental.
Outro destaque é o desenvolvimento de sistemas que automatizam análises ambientais. Em Pernambuco, por exemplo, a empresa criou uma ferramenta que cruza automaticamente diferentes bases de dados para auxiliar processos de licenciamento ambiental, fornecendo informações técnicas que ajudam a tornar as análises mais rápidas e assertivas.
Desde a participação no “Programa Centelha”, a empresa desenvolveu cerca de 20 a 30 soluções para clientes de diferentes setores.
“Hoje conseguimos enxergar como a tecnologia pode gerar impacto real. Seja monitorando desmatamento, organizando informações ambientais ou apoiando políticas públicas, nosso objetivo continua sendo transformar dados complexos em informações úteis para a tomada de decisão”, completou o cofundador Diêgo Costa.
ASCOM: Roberto Kreitchmann










