
Por Juscelino Taketomi
Mais de 2,8 milhões de eleitores estarão aptos a votar nas eleições de 2026 no Amazonas. Por trás desse número está um eleitorado diversificado, formado majoritariamente por mulheres, com forte presença de jovens adultos e dividido entre uma capital que concentra mais da metade dos votos e um interior que reúne quase metade do eleitorado estadual.
O Amazonas terá 2.801.182 eleitores. As mulheres são maioria: 1.440.590 eleitoras, ou aproximadamente 51,4% do total. Os homens somam 1.360.592, cerca de 48,6%. A diferença ultrapassa 79 mil votos.
O perfil feminino, porém, não é homogêneo. O eleitorado reúne mulheres de diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade, profissões e realidades sociais. Há diferenças entre quem vive em Manaus e quem mora no interior, entre trabalhadoras formais e informais, empresárias, servidoras públicas e mães que enfrentam problemas relacionados à segurança, saúde, transporte, renda e educação.
Faixa etária predominante
A idade também é um dos principais componentes do eleitorado de 2026. O maior grupo individual está na faixa de 25 a 29 anos, com 338.036 eleitores. Em seguida aparecem os eleitores de 30 a 34 anos, com 316.561. Também são expressivos os grupos de 35 a 39 e de 40 a 44 anos.
É um eleitorado predominantemente adulto, formado por pessoas que estão inseridas no mercado de trabalho, constituindo famílias ou enfrentando diretamente questões como emprego, aluguel, alimentação, transporte, atendimento de saúde e educação dos filhos.
Esse segmento também está exposto a diferentes fontes de informação. Televisão, rádio e redes sociais como Instagram, TikTok, YouTube e WhatsApp disputam a atenção de um eleitor que já não depende de um único meio para acompanhar a política.
Manaus é o maior centro
A capital continua sendo o principal centro eleitoral do Amazonas. Manaus concentra 1.472.138 eleitores, aproximadamente 52,55% do eleitorado estadual. O interior soma 1.329.044, equivalente a 47,45%.
A divisão mostra a dimensão da disputa estadual. Mais da metade dos eleitores está em Manaus, mas quase metade está distribuída pelos municípios do interior.
Na capital, questões urbanas como segurança, transporte público, saúde, emprego, habitação, saneamento e infraestrutura estão entre os problemas que afetam diretamente a população.
No interior, a realidade é diferente. As relações políticas e comunitárias assumem maior peso, enquanto questões como saúde, estradas, abastecimento, transporte, produção e acesso a serviços públicos ganham importância.
No entanto, o interior não pode ser tratado como um único bloco eleitoral. As diferenças entre as regiões do Estado produzem demandas distintas. Baixo Amazonas, Alto Solimões, Purus e Rio Negro apresentam realidades econômicas, sociais, culturais e geográficas próprias.
Mais de 100 mil analfabetos
O ensino médio completo é a maior categoria individual de escolaridade, com 917.733 eleitores, correspondentes a 32,76% do total. Levantamento feito pelo portal O Povo Amazonense também aponta contingentes expressivos de pessoas que não concluíram o ensino médio ou possuem diferentes níveis de escolaridade fundamental.
Outro dado chama atenção. São 106.124 eleitores classificados como analfabetos e 141.969 na categoria de pessoas que sabem ler e escrever. Juntos, os dois grupos representam aproximadamente 248 mil eleitores, quase 9% do eleitorado estadual.
O levantamento ressalta, contudo, que esses números não permitem classificar todos esses eleitores como analfabetos funcionais. O cadastro eleitoral registra categorias de escolaridade declaradas, enquanto o conceito de analfabetismo funcional é mais amplo.
Os dados, portanto, indicam uma situação de vulnerabilidade educacional, mas não permitem uma conclusão mais abrangente.
O perfil educacional também evidencia um desafio de comunicação. Parte do eleitorado pode encontrar dificuldades diante de mensagens políticas excessivamente técnicas, mas isso não significa falta de interesse pela política.
O eleitor pode não dominar conceitos relacionados ao orçamento público ou à legislação, mas conhece problemas concretos: o preço dos alimentos, o tempo de espera por atendimento médico, o custo do transporte, as dificuldades para conseguir emprego e a qualidade dos serviços públicos.
Geografia também pesa
No Amazonas, distância e território interferem diretamente na experiência do eleitor. Em determinadas regiões, o acesso a serviços públicos exige longos deslocamentos.
O transporte fluvial influencia a economia e a rotina das comunidades. Cheias e secas alteram a mobilidade, enquanto a instabilidade da internet pode limitar o acesso à informação.
Para o morador de Manaus, a presença do Estado pode ser percebida por meio de hospitais, transporte coletivo e segurança. Para um ribeirinho, pode significar atendimento médico por via fluvial. Para o produtor rural, transporte, crédito, assistência técnica e escoamento da produção. Para comunidades indígenas, saúde, educação, proteção territorial e respeito à identidade.
Outro dado destacado pelo levantamento é o crescimento do número de eleitores que se autodeclaram indígenas. O contingente chegou a 73.580 pessoas em 2026.
O aumento amplia a presença política das populações indígenas no processo eleitoral e evidencia a importância desse segmento dentro da composição do eleitorado amazonense.
Eleição marcada pela diversidade
O eleitor amazonense de 2026 não pode ser resumido a um único perfil. É formado por mulheres e homens, jovens e idosos, moradores de Manaus e do interior, trabalhadores urbanos e rurais, ribeirinhos, indígenas, universitários e pessoas com diferentes níveis de escolaridade.
Também é um eleitorado dividido entre diferentes formas de acesso à informação. Enquanto parte da população acompanha a política pelas redes sociais, outra parcela continua tendo televisão, rádio, relações comunitárias e contato direto como referências importantes.
Nesse cenário, a força eleitoral não está apenas no tamanho do eleitorado, mas na sua diversidade.
O eleitorado de 2026 revela um Amazonas em transformação: mais numeroso, majoritariamente feminino, com forte presença de adultos jovens, mais conectado às novas formas de comunicação e, ao mesmo tempo, ainda marcado por problemas antigos relacionados a educação, saúde, segurança, emprego, renda, transporte e desigualdade.
Os 2.801.182 eleitores não representam apenas títulos eleitorais. Representam diferentes experiências sociais e territoriais que estarão reunidas diante das urnas em outubro.
É essa diversidade que dará peso ao voto de cada região e de cada segmento do eleitorado na eleição estadual de 2026.










