
A edição de 2026 do “#SouManaus Passo a Paço” caminha para o seu encerramento neste domingo, 13 de setembro, após dez dias de intensa movimentação no Centro Histórico da capital. Promovido pela Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), o evento buscou nesta reta final consolidar uma ocupação que ultrapassa a música de apelo massivo.
Na noite de sábado, 12 de setembro, as atenções se voltaram para o fortalecimento do teatro e do audiovisual, levantando um debate necessário sobre a descentralização cultural e a sustentabilidade das artes locais fora dos momentos festivos.
Teatro em novos palcos
Uma das novidades desta edição foi a incorporação do Teatro ICBEU, pertencente ao Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU), à malha oficial do festival. A medida ampliou o alcance das artes cênicas, criando uma vitrine relevante para produções locais e nacionais.
O encerramento da programação do espaço ficou a cargo do espetáculo amazonense “As Cores da América Latina”, que reuniu dança e ritmos populares. A montagem, vencedora do 34º “Prêmio Shell de Teatro”, acumula apresentações pelo país e se prepara para uma turnê internacional em Portugal.
A expansão do segmento foi avaliada pela apresentadora e artista Ana Cláudia Motta, que destacou a importância da escuta gestora.
“Para a gente ter um festival de artes integradas, temos que abrir cada vez mais espaço para todas as modalidades artísticas. O Márcio Braz, como artista, gestor e pessoa do teatro, teve essa sensibilidade de ampliar a participação do segmento teatral. A gente só vai crescer a partir disso, sempre ouvindo os artistas”, afirmou Ana Cláudia Motta.

Valorização do cinema regional
No Centro de Arqueologia de Manaus (CAM), o espaço do “Cine #SouManaus” manteve sessões dedicadas a produções da região, com exibição do filme “7 Cores da Amazônia”. A iniciativa tentou aproximar o público de obras que raramente encontram espaço no circuito comercial de cinema.
A assessora de projetos especiais da ManausCult, Saleyna Borges da Silva, analisou o alcance das atividades integradas ao término da mostra.
“O ‘#SouManaus’ foi um sucesso e conseguimos fazer uma programação posterior aos shows com muito teatro no ICBEU e cinema no CAM. Foram 10 dias de programação intensa, com muita cultura dentro da temática de águas, origens e cidades”, explicou Saleyna Borges da Silva.
Desafios e apoio popular
A contratação de mais de 1.500 artistas amazonenses ao longo do evento representa um respiro financeiro e institucional para a categoria. Contudo, a sustentabilidade dessa produção exige compromisso contínuo tanto do poder público quanto da própria sociedade.
A atriz e comediante Rosa Malagueta refletiu sobre a oportunidade e fez um apelo à população.

“O ‘#SouManaus’ inovou ao abrir espaço para muita gente, contratando mais de 1.500 artistas de todo o Amazonas. Acho que foi muito bacana essa oportunidade, porque não é fácil fazer cultura no nosso estado. E também quero pedir para o público valorizar a gente, vir e encher o teatro para aplaudir nossos artistas, ir para uma sala de cinema e assistir aos nossos filmes, que não são poucos”, declarou Rosa Malagueta.
Conexão histórica e público
A ocupação dos prédios históricos gerou momentos de resgate de memória nos frequentadores do Centro Histórico. O bacharel em direito Eli Veloso Júnior acompanhou as sessões de cinema com a família e lembrou o elo afetivo com o local onde funciona o CAM, antigo prédio da Câmara Municipal de Manaus.
“Trouxe meus filhos para conferir. Fiquei emocionado e me lembrei do meu tio que foi vereador”, relatou Eli Veloso Júnior.
A aceitação da proposta também foi ressaltada pela auxiliar de produção Rebeca Soares.
“Sempre gosto de acompanhar esse tipo de evento de arte, dança, teatro e cinema, tudo o que é ligado à produção regional”, afirmou Rebeca Soares.
- Duração do evento: 10 dias de ocupação cultural no centro da cidade.
- Mobilização artística: Mais de 1.500 profissionais locais contratados.
- Espaços integrados: Teatro ICBEU para artes cênicas e CAM para o “Cine #SouManaus”.
- Eixo temático: Produções pautadas em águas, origens e cidades.
O encerramento oficial do “#SouManaus Passo a Paço 2026” neste domingo conclui uma edição marcada pela ampliação de territórios artísticos, deixando como provocação central a necessidade de manter salas cheias e artistas valorizados durante todo o ano.
Fonte: ASCOM | Geraldo Farias/Semcom










