Parintins Teia lança “Medicina do Cacau Em noite de Lua Cheia”

Teia lança “Medicina do Cacau Em noite de Lua Cheia”

As cerimônias do Cacau permitem abertura do coração, ampliação da consciência para reequilíbrio físico, mental, emocional e espiritual

Ciclo de desafio para firmar a observação e ampliar a consciência à autocura e à autotransformação que buscamos - Foto: Edilson Albarado

Por Floriano Lins

Diálogos com memórias Olmecas (Maias e Astecas) sobre a Medicina do Cacau e suas curas física, mental, emocional e energética marcaram a noite dos participantes do Círculo Sagrado de Saúde, realizado nesta sexta-feira, 28, na Aldeia Cheiro da Amazônia, no Ramal do Reis, Comunidade Macurani, área suburbana da Ilha de Parintins, 369 km de Manaus. O Círculo Sagrado de Saúde é uma iniciativa da Articulação Parintins Cidadã, através da Teia de Educação Socioambiental e Interação em Agrofloresta, como apoio de vários coletivos e movimentos populares do território.

Com o tema “A Lua Galática abre diálogos com Ix Cacau” e o ambiente decorado com banners e uma mandala trazendo simbologias da Deusa Ix Cacau através de folhagens, galharias, pedras, sementes e objetos para desapego, participantes do evento compartilharam informações sobre a Lua Cheia de Agosto de 2026 – Lua Galática dos Desafios: momento de voltar a atenção para dentro e evoluir a introspecção necessária para escutar com clareza a intuição. A Lua Galática fala sobre desafio a polaridades: luz e sombra, feminino e masculino, dentro e fora, frio e calor, aquilo que mostramos e o que escondemos.

Segundo a Educadora Popular, Dra. h. c. Fátima Guedes, “o desafio está em dialogar com a tensão entre os opostos: onde perdemos o equilíbrio? Que aspectos precisamos reconhecer para que nosso potencial se expanda? Os 28 dias que seguem nos convidam à introspecção, a não fugir do desconforto, mas criar silêncios suficientes para a autoescuta. O que os desconfortos tentam nos mostrar? É um desafio para firmar a observação e ampliar a consciência em relação à autocura, à autotransformação que buscamos, segundo o Sincronário da Paz – Almanaque 13 Luas”.

Fátima Guedes dirigiu os “Diálogos sobre a Deusa Ix Cacau” e respectivo poder de cura universal. “A tradição do Cacau cerimonial remonta à civilização Olmeca, no Golfo do México, por volta de 1.200 (a.C.). Esta civilização deu origem aos povos mesoamericanos, do centro e sul do México, Maias e Astecas. A palavra cacau (kakaw) é de origem Olmeca. Naquelas sociedades utilizava-se o cacau como moeda: impostos eram pagos com as sementes e a bebida utilizada em rituais fúnebres e religiosos como oferenda sagrada”, comentou.

Após ritual participantes receberem a porção da medicina para degustação e a saudação à Lua Cheia – Foto: Floriano Lins

“Do cacau tudo se aproveitava: cascas, manteiga, folhas, flores, considerando-se sua importância para a medicina da época. Em meados do século XVIII, Carl Linnaeus nomeou a planta com o nome Theobroma cacao, alimento dos deuses, a Teobromina, a essência da semente”, explica a educadora.

As cerimônias do cacau permitem, de acordo com Fátima Guedes, “abertura do coração, ampliação da consciência para reequilíbrio físico, mental, emocional e espiritual. Nos rituais Olmeca, homenageava-se Mama Cacau ou Ix Cacau, arquétipo feminino, a Grande Deusa que traz nutrição, vigor, força, lucidez, abundância, prosperidade, autoconhecimento, autoestima, autoconfiança… Naquelas sociedades, as divindades eram cultuadas em sua dualidade homem e mulher, masculino e feminino. Nesse sentido, Mãe Lua e Deusa Ix Cacau são UNAS, contraparte feminina de Ek Chuah (deus do cacau). A Deusa Ix Cacau era também reverenciada como Ixchel, Deusa da lua, da medicina, da gestação, da água, do amor e da fertilidade”.

Em tese, sem Ixchel o cacaueiro jamais cresceria, daria frutos e sua medicina não seria conhecida. Ix Cacau e Ixchel faz ressurgir a beleza em nossas vidas demonstrando que, embora haja muitas estradas, o caminho é um só: “reverenciar a Mãe Terra, cuidar de seus frutos para que possamos frutificar nossas ideias, projetos de vida, sentimentos, ações e alcançar o equilíbrio e a paz”, segundo a obra “Cacau a Medicina do Coração”, Escritos da Era Colonial (1552/1590), Editora Pensamento S/P.

Após o diálogo veio a Consagração do Cacau com os participantes interagindo em dança circular, para, em seguida, receberem a porção e degustar durante a saudação à Lua Cheia. O Coletivo Organizador dos Círculos Sagrados de Saúde é formado pela Articulação Parintins Cidadã (APACI) através da Teia, Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (ANEPS), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Fórum Parintinense de Educação do Campo, das Florestas e das Águas Paulo Freire e Coletivo Parintins em Cores.

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